samedi 31 décembre 2011

O dia do juízo sobre nossa cultura?

Leonardo Boff
Teólogo e Filósofo

O final do ano oferece a ocasião para um balanço sobre a nossa situação humana neste planeta. O que podemos esperar e que rumo tomará a história? São perguntas preocupantes pois os cenários globais apresentam-se sombrios. Estourou uma crise de magnitude estrutural no coração do sistema econômico-social dominante (Europa e USA), com reflexos sobre o resto do mundo. A Bíblia tem uma categoria recorrente na tradição profética: o dia do juízo se avizinha. É o dia da revelação: a verdade vem à tona e nossos erros e pecados são denunciados como  inimigos da vida. Grandes historiadores como Toynbee e von Ranke falam também do juízo sobre inteiras culturas. Estimo que, de fato, estamos face a um juízo global sobre nossa forma de viver na Terra e sobre o tipo de relação para com ela.
Considerando a situação num nível mais profundo que vai além das análises econômicas que predominam nos governos, nas empresas, nos foros mundiais e nos meios de comunicação, notamos, com crescente clareza, a contradição existente entre a lógica de nossa cultura moderna, com sua economia política, seu individualismo e consumismo e entre a lógica dos processos naturais de nosso planeta vivo, a Terra. Elas são incompatíveis. A primeira é competitiva, a segunda, cooperativa. A primeira é excludente, a segunda, includente. A primeira coloca o valor principal no indivíduo, a segunda no bem de todos. A primeira dá centralidade à mercadoria, a segunda, à vida em todas as suas formas. Se nada fizermos, esta incompatibilidade pode nos levar a um gravíssimo impasse.
O que agrava esta incompatibilidade são as premissas subjacentes ao nosso processo social: que podemos crescer ilimitadamente, que os recursos são inesgotáveis e que a prosperidade material e individual nos traz a tão ansiada felicidade. Tais premissas são ilusórias:  os recursos são limitados e uma Terra finita não agüenta um projeto infinito. A prosperidade e o individualismo não estão trazendo felicidade mas altos níveis  de solidão, depressão, violência e suicídio.
Há dois problemas que se entrelaçam e que podem turvar nosso futuro: o aquecimento global e a superpopulação humana. O aquecimento global é um código que engloba os impactos que nossa civilização produz na natureza, ameaçando a sustentabilidade da vida e da Terra. A conseqüência é a emissão de bilhões de toneladas/ano de dióxido de carbono e de metano, 23 vezes mais agressivo que o primeiro. Na medida em que se acelera o degelo do solo congelado da tundra siberiana (permafrost), há o risco, nos próximos decênios, de um aquecimento abrupto de 4-5 graus Celsius, devastando grande parte da vida sobre a Terra. O problema do crescimento da população humana faz com que se explorem mais bens e serviços naturais, se gaste mais energia e se lancem na atmosfera mais gases produtores do aquecimento global.
As estratégias para controlar esta situação ameaçadora praticamente são ignoradas pelos governos e pelos tomadores de decisões. Nosso individualismo arraigado tem impedido que nos encontros da ONU sobre o aquecimento global se tenha chegado a algum consenso. Cada pais vê apenas seu interesse e é cego ao interesse coletivo e ao planeta como um todo. E assim vamos, gaiamente, nos acercando de um abismo.
Mas a mãe de todas as distorções referidas é nosso antropocentrismo, a conviccção de que nós, seres humanos, somos o centro de tudo e que as coisas foram feitas só para nós, esquecidos de nossa completa dependência do que está à nossa volta. Aqui radica nossa destrutividade que nos leva a devastar a natureza para satisfazer nossos desejos.
Faz-se urgente um pouco de humildade e vermo-nos em perspectiva. O universo possui 13,7 bilhões de anos; a Terra, 4,45 bilhões; a vida, 3,8 bilhões; a vida humana, 5-7 milhões; e o homo sapiens cerca de 130-140 mil anos. Portanto, nascemos apenas há alguns minutos, fruto de toda a história anterior. E de sapiens estamos nos tornando demens, ameaçadores de nossos companheiros na comunidade de vida. Chegamos no ápice do processo da evolução não para destruir mas para guardar e cuidar este legado sagrado. Só então o dia do juízo será a revelação de nossa verdade e missão aqui na Terra.
 

PARA ONDE CAMINHAMOS?


                                            Votos para outro ano...

Não sei se caminhamos! Vejo-nos enterrando a cabeça até a altura do peito. O que fica de fora parece ser a parte responsável pela história que fazemos. Uma história sem sentido que perde a estrutura mínima para ser recontada.
Em que parte dessa trajetória dita humana enterramo-nos tão profundamente?
Criamos redes virtuais para interagir e dizer de nós mesmos, dos outros e até do que não sabemos.
Usamos nossa criatividade para explorar o inexplorável considerando ainda a parte de nós que ficou para fora.
Discutimos se violência é maltratar um cachorro ou um humano, e qual é o critério para condoer-se por um e por outro, ou mais por um do que pelo outro como se A VIDA não fosse a condição básica a anteceder a discussão.
Que 2012 seja melhor!
Melhor em quê? Para quê? Qual o parâmetro para esse desejo tão necessário?
 Vestimo-nos de festas e defesas, bandeiras e argumentos cutucando-nos com o fundo do próprio umbigo que ficou estrangulado entre as bordas da terra que nos engole. E não falo da Terra, planeta vivo e maltratado, falo da terra escura de nossa inconsciência compactada por algum material interno que "tomou" a massa humana em forma de arquétipo do mal. Sim, do mal. E se ele existe está aí a personificar-se descabidamente em fatos com os quais nos acostumamos vertiginosamente mais rápido, mais rápido, mais rápido! O padrão de tempo de comoção diante de situações aviltantes e violentas que descrevem nosso cotidiano se esfacela em fagulhas de olhares "superficiais", típicos do "já estou acostumado com isso", "nem quero ver para não sofrer", "existem outras coisas mais sérias do que essas...". Coisificamos a nossa vida em termos de tempo e espaço para a dor, para a indignação, para a compaixão, para a justiça.
Os que estão com o pescoço para fora da terra escura e cimentada, ou pensam que estão, ou querem ficar com ele na linha do horizonte precisam ainda conviver com a cortina de poeira densa que os pés dos coisificados e acostumados levanta do alto de suas certezas:" cada qual cuida de si mesmo que isso já está para além de muito bom". Além da sintaxe quebradiça, da semântica capenga e inadequada, essa frase carrega séquitos de adeptos: ventríloquos sem voz, malabaristas da vida sem palco, insensíveis palhaços que estrangularam o motivo do riso.
 Tinge-se o oceano de sangue em nome da tradição, matam-se curdos em nome da fé, abandonam-se bebês por excesso de amor, executam-se animais por razões quaisquer, esvazia-se o estômago e a alma de milhares de irmãos pilhados e empilhados na história que não muda. 
Estamos todos no mesmo lugar.
Que 2012 seja melhor!
Em quê? Para quem?
Há momentos em que rio tristemente das profecias que vêm e vão datando com exatidão matemática o final do planeta e da raça humana, assustando e promovendo o mercado dos absurdos na contramão da lógica, factual e provável: fazemos esse "fim de mundo" acontecer todos os dias com grande impacto e pouca indignação.
Para mim, as profecias são metáforas das leituras diretas da caminhada que executamos enquanto seres meio enterrados, enterrados e meio, muito enterrados ou tentando o desenterro. Ainda para mim _ não desejo convencer quem quer que seja com as elucubrações de minha parte exposta e esperneante_, as profecias funcionam como as fábulas, as parábolas, as histórias com fundo moral e que nem sempre chegam ao leitor no tempo certo.
Certo? Não sei, só estou a dividir-me para não vivenciar a loucura sozinha.
Mas eu sinto esperança e é esse o meu problema.
A parte fora do arquétipo cimentado em terra funda quer ver além das linhas já escritas, dos textos prontos, das palavras ditas, do sangue que mancha as pegadas que ainda não deixei.
Quero olhar nos olhos da vida. Quero sentir corações, quero olhar sentimentos, quero tocar a sensibilidade que nos diferencia das samambaias. Não, das samambaias não! A ciência provou a sensibilidade dessa planta remanescente da era triássica. A samambaia é forte. Eu não sou. Não quero ver os dinossauros desaparecerem enquanto eu me refaço. Não quero passar mais uma noite pensando nas dores que não alcanço do sofá macio de minha sala.
Eu preciso de enfermeiras, de gente, de crianças, de cachorros, e amo lagartos e lagartixas.
Queria poder olhar dentro dos olhos da adolescente torturada pelas colegas e queria sentir o coração das meninas que se enterraram juntas em história tão violenta e triste.
Queria parar os passos da arma que chegou à escola de Realengo antes, antes, muito antes de ela ter acordado naquele dia.
Queria que as crianças que voltaram para a CASA ETERNA tivessem escolha quanto ao momento de sua passagem e ao como gostariam de ir.
Queria, infantilmente queria... como nas historias que podem ter um final feliz para repetidamente continuarem a ser historias contadas e aumentadas.
Queria ter os pés plantados sobre as pálpebras... talvez assim me conscientizasse do peso de meu olhar, das pegadas que deixo nos olhos que encontro e do rumo que dou à minha caminhada.
Mas Deus, em sua perfeição sabe que preciso evoluir para ter esse direito.
O que fazer ate lá?
Continuar com os lugares comuns ocupados pelas palavras que não saem do coração?
Não consigo. Sou parente da samambaia e meus olhos ardem com a dor que não tem nome, mas que eu vi passar do outro lado da rua. Não posso dizer de meu desejo insano e descabido de salvar o mundo, pois estaria confessando problemas passíveis de tratamento psiquiátrico, de ego megalomaníaco e narcisista _ e eu tenho muitos outros problemas piores do que esses. Mas confesso que apesar de todas as terapias feitas eu SONHO COM O MUNDO SALVO, seja por quem quer que seja, até por mim mesma, pois eu OPTO por acreditar que a ESPERANÇA é um ser que anda por aí, batendo de porta em porta, travestida de todas as coisas e conceitos dos quais não se gosta e nem se quer aceitar.
Para mim, a ESPERANÇA tem olhos brilhantes e sinceros, tem pelos e patas e rabo e focinho e orelhas, nadadeiras, asas, raízes, folhas, ama alguém do mesmo sexo, tem todas as cores e tamanhos, já sofreu "bulling", já foi encontrada dentro de um saco ainda com o cordão umbilical, já foi violentada e deixada para morrer, foi espancada por dizer-se feminina, foi alvejada por identificar-se masculina e pior..., muito pior, ela acredita no que escolhe acreditar e tem FÉ NA VIDA.
Sim, para mim a ESPERANÇA É UM SER RECHEADO DE FÉ PURA, SEM DOGMA, SEMARTIFÍCIOS, SEM RITUAIS. NÃO COBRA DÍZIMOS, NÃO TEM SINÔNIMOS, NÃO PRATICA NEPOTISMO, NÃO ARREBANHA VOTOS.
A ESPERANCA tem ficha-limpa, tão limpa que custa-nos vê-la do lugar em que estamos.
Não consigo escrever cartões de FELIZ ANO NOVO. Sinto uma vontade irritante de discutir o sentido das três palavras e a junção que se faz com elas e... o que faz com elas aquele que as lê.
Um novo ano! Preciso aprender a caminhar, a desenterrar minha cabeça e a escrever cartões.
Que a ESPERANÇA me ensine por onde começar todos os dias.
                                     
                                      30 de dezembro de 2011
                                   Por   Ivane Laurete Perotti Mac Knight

FELIZ 2012

Por Inês Carmelita Lohn

O ano findou
E o trem chegou
De uma longa viagem
Não importa a janela
Que olhamos as paisagens
O que importa é saber
Em qual dos vagões
Está a nossa bagagem.


  

CARTÃO DE ANO NOVO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Como eu já disse em outra oportunidade, a gente recebe um monte de entulho pelo correio eletrônico, mas às vezes chegam coisas espetaculares. Recebo da minha amiga Fátima de Laguna um clipe do Youtube que é um belíssimo cartão de Ano Novo. É uma música cantada por Sandra de Sá, por um cantor de Cabo Verde, Ilo Ferreira, e vários outros cantores e instrumentistas de diversos países, como Buenos Aires, Chile, India, Espanha, Jamaica, etc.

A música é linda, cantada em português e uma outra língua que eu não consegui identificar, talvez seja bengalês, mas não tenho certeza. E digo que é o cartão de Ano Novo ideal, porque a letra é simples, mas diz muito, diz tudo o que queremos para o nosso futuro, para o futuro do ser humano e do lugar onde vivemos.

Vejam alguns trechos: “Peço a Deus / que os homens encontrem / os seus sonhos perdidos / e que os sonhos despertem / esses olhos dormidos / que o amor transborde / e que vamos em paz. // Peço a Deus / que nos mande do céu / muita sabedoria / um amor verdadeiro / que ninguém passe fome / um abraço de mãos / que vivamos em paz / que terminem as guerras / e também a pobreza / Encontrar alegrias / entre tanta tristeza / que a luz ilumine / as almas perdidas / e um futuro melhor.” Alguém já tinha traduzido um cumprimento entre os seres humanos como “um abraço de mãos”? Pois é.

Não é lindo? Não é a mais pura verdade? Não é o que todos queremos, o que todos pedimos? Como disse a minha amiga Fátima: Natal é isto: gente unida pela música. Parafraseando Mercedes Sosa: “a paz é cantarmos todos juntos!”

O nome do clipe é Satchita (acho que é o nome da música) e o endereço é http://www.youtube.com/embed/XMkaBN3x5AM

vendredi 30 décembre 2011

VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO É ENTREVISTADA POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Natural de Campo Sales, Ceará, Varenka de Fátima Araújo reside em Salvador-BA. Morou na cidade Antenor Navarro, Souza, no estado da Paraíba e Picos no estado do Piauí; Muxiopo, Fortaleza e Juazeiro do Norte no Ceará, onde concluiu o primário. Mudou-se no ano de 1969 para a cidade de Salvador, onde concluiu o segundo grau. Iniciou a carreira acadêmica de Diretor Teatral, formou-se dirigindo a peça “Ato Cultural” em 1982. Trabalhou em inúmeras peças de teatro como maquiadora, figurinista, atriz. No período de novembro a janeiro de 1982 e 1983, trabalhou como professora de teatro na cidade do Panamá, América Central. Regressou para Salvador, trabalhou na Escola de Belas Artes, cursou licenciatura em Desenho, participou de exposições coletivas e individuais. Com a gravura do Padre Cícero, participou da Bienal de Aracaju. Pediu transferência para a Escola de Dança, aperfeiçoou na dança do ventre, fez apresentação em teatro e eventos. Em 2005 começou a publicar em antologias. Atualmente trabalha como Figurinista na Universidade Federal da Bahia.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
VARENKA: Nasci em Campo Sales, Ceará. Tantos anos em Salvador, já me considero baiana de coração.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
VARENKA: Uma parte do sul, centro oeste e nordeste do Brasil e Panamá, capital do Panamá, na America Central.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
VARENKA: Escrevo desde a adolescência, eram poemas e acrósticos para amigas, depois em telas que presenteava, escrevi meu diário; em 2001 publiquei poemas na revistinha Antepitta  - extinta - e jornal da Aliança Francesa; em 2005 comecei a publicar em antologias; em 2011 o meu primeiro livro de poesias, “Ela em versos”.
VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
VARENKA: Escrevo mais poesias, prosas são realistas. Gosto de escrever sobre pessoas, cidades e amor.


VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
VARENKA: Penso que meus livros fiquem com as páginas amarelas de tanta serem lidos, que os leitores gostem e comentem, passem para outros lerem, quanto mais lido meu livro será uma recompensa.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
VARENKA: Sobre a realidade, ficção.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
VARENKA: Gosto de escrever sobre a minha pessoa. Da minha vivencia e observação sobre o mundo. Adoro escrever mais na aurora e pela manhã em casa.
VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
VARENKA: Este verso:

No inverno, o amor é canção.
Cai a chuva... O amor aquece o dia
Cai a neve, intensifica o amor
Vem a noite me envolvo em teus braços
Amo a maneira como te entregas

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
VARENKA: Às vezes sim, outras vezes demora de vir a inspiração.
VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
VARENKA: “VERMELHO E BRANCO NO PRETO”. Porque fiz a relação da cor com meninas que pariam no papel preto.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
VARENKA: Sim, me formei em Diretor teatral, pretendo seguir carreira na literatura.


VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
VARENKA: Autores que admiro: José de Alencar, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, Aninha Franco, Monteiro Lobato.
Autores contemporâneos: Carlos Alberto Barreto, Malu Freitas, Valdeck de Almeida de Jesus, Arlinda Moscoso, Benjamin Batista Filho, Simião Sousa, Denise Barros, Marcos Toledo, Jacqueline Aisenman, Leandro de Assis, Miriam de Sales, Carlos Souza.
Máximo Gorki, da Rússia, Arlete Piedade, de Portugal.
VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
VARENKA: Saber o português, depois ler bastante literatura, política, notícias do mundo, jornais, revistas, cartazes e até frases escritas no para-choques dos ônibus.


VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, não gostaria de usar um pseudônimo?
VARENKA: Sim, uso o meu nome verdadeiro, não uso pseudônimo meu nome soa forte, gosto muito.

VALDECK: Como foi a tua infância?
VARENKA: Fui pobre, magrela, brinquedos confeccionados por mim e minhas irmãs, muitas mudanças devido a transferências do trabalho do meu pai, que ganhava o suficiente para vivermos. Quando estávamos bem numa cidade, deixava tudo para trás, vivíamos como ciganos.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
VARENKA: Minha diversão é a arte e a literatura.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
VARENKA: A poesia “Salvador”, publicada no “Prêmio Valdeck Almeida de Jesus 2009”, em Salvador-BA.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritora?
VARENKA: sim, trabalho como figurinista.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
VARENKA: Sim. Paz, harmonia, educação, amor e sobre os males que afligem o planeta Terra.

VALDECK: Qual sua Religião?
VARENKA: Católica.

VALDECK: Quais seus planos como escritora?
VARENKA: Em 2012, publicar um livro de contos e crônicas e pretendo continuar publicando.
(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com

Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 26/12/2011
Alterado em 26/12/2011

CHEGANDO A IQUIQUE

 (Excerto do livro "Viagem ao Umbigo do Mundo", publicado em 2006)


 Então, 10 quilômetros antes de chegarmos à cidade seguinte, estava lá a garrafa de Coca-Cola.


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                                   Num país como aquele, de leveza, beleza, colorido e mistérios, acho que fica bastante complicado para o Capital mostrar quem é que manda (ou pensa que manda). Assim, 10 quilômetros antes de cada cidade chilena, pelo menos na parte que conheci, o Capital tem que botar a sua marca, tão forte como um cachorro que demarca seu território em todos os postes do entorno. Então, 10 quilômetros antes há uma grande, enorme garrafa de Coca-Cola, creio que de uns 10 metros de altura, com uma placa indicando: “Cidade tal – 10 km”. Dessa vez a cidade era Iquique, e a marca estava ali entre o mar e o deserto bem como tinham estado os mistérios. Bem como o cachorro e o poste.
                                   Passou a haver alguns vestígios de que haveria uma cidade: alguém andava fazendo tentativas de fazer viver no deserto uns pobre fiapos verdes que talvez um dia se tornassem árvores. Alguém construíra ... UM CAMPO DE GOLFE na areia colorida e revolta do deserto – quem seriam os fanáticos por golfe que jogariam naquele lugar? Aquilo era muito estranho para mim – na minha cabeça, campos de golfe eram sempre feitos de grama verdinha e bem aparada. 
                                   Para quem anda a 110 km/h, os 10 km que faltavam para Iquique passaram num instante, e daí a pouquinho estacionávamos em luxuoso posto de gasolina onde harleyros chilenos já nos esperavam, naquela cidade balneária tão bonita, cercada por detrás por uma duna tão imensa que se pode pular de asa delta do alto dela. Se um dia aquela duna começar a se mexer, penso que Iquique sumirá do mapa rapidamente, apesar de ser uma cidade bastante grande. Quem nos esperava era o harleyro Francisco Martinic com sua esposa e mais outro companheiro, e eles nos prestaram diversos serviços, como fazer uma revisão geral no Land-Rover, por exemplo, além de já ter providenciado reservas de hotel para nós, etc. .
                                     Diria que os donos de Harley-Davidson funcionam como uma confraria, e se um harleyro ou um grupo deles passa por uma cidade ou país onde há outro ou outros harleyros, aqueles fazem tudo para facilitar a vida do viajante. Assim, quando fomos recebidos naquele posto de gasolina por Francisco Martinic e sua gente, diversas necessidades já haviam sido aplainadas para nós. Tudo estava tão bem programado que não tínhamos nada com que nos preocupar. Como ainda era um pouco cedo, e só dali a umas duas horas poderíamos nos apossar dos nossos aposentos no hotel próximo, simplesmente fomos passear. Deixamos as motos num estacionamento e combinamos nos encontrarmos todos, de novo, na hora tal, no lugar tal. E cada um tomou seu rumo, quer dizer, não foi bem assim. Eu tomei meu rumo, mas pelo que soube depois, todos os outros companheiros foram juntos para um shopping-center, e depois fiquei um tanto quanto escandalizada ao saber que os meus amigos tinham ido a Iquique nas garras do consumismo, e no shopping-center haviam comprado coisas que poderiam ter comprado sem problemas no Brasil, como botas e jaquetas. Estaria errada eu ou estariam errados eles? Está aí uma coisa para você decidir, pois quem sou eu, também, para dizer o que os amigos devem fazer? O fato é que dei uma espiada no shopping-center e vi que ele era igualzinho a qualquer outro no mundo, e então retrocedi rápido, fui à vida, fui espiar uma manifestação que estava acontecendo na rua principal, por causa de uma greve de funcionários públicos. Fiquei um bocado de tempo ali, vendo as pessoas e ouvindo os discursos e as palavras de ordem, e entendi que as gentes chilenas eram bastante parecidas com as gentes brasileiras, quando se tratava de tais coisas.
                                   Procurei saber mais, então: havia um museu de Arqueologia naquela cidade? Poxa, se havia, e era até bem perto! Em pleno centro da cidade havia toda uma região que era como uma viagem ao passado, conservada como deve ter sido, talvez, no século XIX ou começo do século XX, com lindas casas perfeitamente conservadas, separadas umas das outras por largos espaços que sugerem que um dia foram jardins, e calçadas e calçamento que também devem ser originais dos tempos das casas – é um visual muito lindo e romântico, e naquela região há uma comprida feira de artesanato ao longo da rua. O museu que eu procurava era um pouco mais adiante.
                                   Uau, que museu! Era dirigido por um padre arqueólogo, com quem conversei um pouquinho, mas que estava muito ocupado. O padre organizara a história daquele oásis habitado há milhares de anos em forma de cenários que se auto-explicavam, e eu não queria mais sair de lá! Só que não podia ficar sempre – havia o encontro com os companheiros, e o meu tempo já estava curto.
                                   Registro que quando nos reencontramos os companheiros estavam preocupados comigo, achando que eu talvez houvesse me perdido. Nossos elos aumentavam, o espírito de família que acabaríamos formando se acentuava. Os seres humanos são solidários.
                                   Hospedamo-nos num lindo hotel que ficava de frente para uma linda praia, com direito a todas à muitas mordomias, inclusive Internet livre, etc. Em pouco tempo eu verificava a minha caixa-postal e escrevia o diário que mandava para o Brasil, e vi-me sem ter o que fazer. Estava num enorme e agradabilíssimo apartamento muito bem bem decorado em cores claras, numa imensa cama onde caberiam umas cinco pessoas, sozinha e isolada como a gente costuma ficar em hotéis. Quando viajo do meu jeito costumo ficar em Albergues da Juventude, onde as amizades acontecem rápida e facilmente, mas aos meus companheiros  agradava mais os hotéis. Li um pouquinho de um livro de Teoria Política que levara junto, mas não estava me concentrando. Então fui até os amplos janelões e fiquei a observar o mar, aquela praia rara na costa do norte do Chile, e por fim voltei à Internet. Passei uma mensagem para meu sobrinho que vive em Joanesburgo, África do Sul: “Mteka, entra na página do Hotel Holiday Inn e procura o hotel de Iquique, Chile. No quarto andar, numa das janelas, a tua tia está te abanando.”  Coisas que a gente inventa quando não tem o que fazer.

                                                            Texto de Urda Alice Klueger
                                                   Escritora, historiadora e doutoranga em Geografia pela UFPR               

Que venha mais uma volta

Por Elaine Tavares

O mês de dezembro não foi bolinho. Perdi amigos, uma parte do Campeche se foi, muitas foram as derrotas. E, se voltar no tempo, verei que essas coisas igualmente aconteceram nos demais meses. Não é fácil ser Mariazinha do passo errado. Mas, essa foi minha escolha, então, não há o que lamentar.
Nosso planetinha fez mais uma órbita em torno do sol. E nós com ele. Agora, outra órbita vem, nesse eterno retorno. Poderia desejar tantas coisas incríveis aos amigos e camaradas, mas não sei se devo. A grande aventura humana é esse surpreendente devir, com todas as suas coisas boas e más.
Hoje, enquanto cozinhava senti aquilo do qual fala nosso poeta popular, Odair José: um momento feliz. Mexia as panelas cantando em altos brados a canção sertaneja, de Lourenço e Lourival, “franguinho na panela”, e me emocionava. Porque essa é a doce/triste/bela/cruel realidade de tantos milhões de seres no mundo. O cachorro Steve Biko acompanhava meu cantar, esparramado no chão. Os gatinhos bebês faziam uma algaravia no meu pé, querendo um naco de qualquer coisa. Bartolina, a gata, dormitava na rede. Zumbi, o gato, lagarteava ao sol. Os homens que amo cuidavam, cada um, de alguma coisa da casa, numa azáfama ruidosa. O sol brilhava, uma leve brisa passava, a comida cheirava um leve e picante cheiro de curry. Os passarinhos cantavam, voejando alegres, invadindo a cozinha. A vida seguia seu indefectível curso.
Aquele foi um momento único, contemplação da mais pura beleza. Um instante, desses que perdura para a eternidade. Nada fora do lugar, tudo pleno. Quando a música silenciou eu soube. É isso que faz com que tudo valha a pena. Um segundo, um instante, um momento de completa felicidade.
Então, é o que desejo a cada um dos amigos. Que possam viver essa plenitude em algum átimo da vida. Porque isso faz valer a caminhada nesse mundo tão cheio de dor e desencanto. Caminhar na beleza, como ensinam os navajos, caminhar na beleza... ainda que seja por um só segundo!
Que venha 2012... Aqui esperamos... Com música, sonhos e força para seguir rasgando as manhãs!
Compartilho o Lourenço e Lourival...



Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
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jeudi 29 décembre 2011

Biografias é tema de mesa-redonda realizada pela UBE

Nara Leão – A Musa dos Trópicos; As grandes damas - E um perfil do teatro brasileiro; Edison Carneiro e Padre Sadoc: Sacerdote. Amigo. Irmão; são os livros em destaque.

A União Brasileira de Escritores (UBE), núcleo Bahia inicia 2012 promovendo no dia 06 de janeiro (sexta-feira), das 17h30 às 21h, na Livraria Cultura do Salvador Shopping (Teatro Eva Hertz), a Mesa-Redonda Biografias e Perfis: o personagem em destaque, com a participação do escritor cearense radicado em Recife (PE), Cássio Cavalcante, que virá a Salvador para o lançamento da biografia “Nara Leão – A Musa dos Trópicos”, cujo texto da orelha é assinado pelo cineasta Cacá Diegues, ex-marido da cantora, com quem teve dois filhos.  Já a jornalista carioca Rogéria Gomes, também estará presente no evento, com o livro “As grandes damas - E um perfil do teatro brasileiro”, que apresenta as atrizes Bibi Ferreira, Eva Todor, Beatriz Lyra, Beatriz Segal, Eva Wilma, Laura Cardoso, Nicette Bruno, Norma Blum e Ruth de Souza.
Da Bahia participam o jornalista Biaggio Talento (jornal A Tarde), com a biografia do etnólogo, precursor do movimento negro, folclorista e escritor Edison Carneiro e a escritora Cristina Ramos, com o recém-lançado Padre Sadoc: Sacerdote. Amigo. Irmão, uma  biografia autorizada do Monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade, que por muitos anos desenvolveu suas ações socioeducativas, religiosas e culturais na Igreja de Nossa Senhora da Vitória. A obra também traz textos inéditos de Maria Bethânia, Dona Canô, Lícia Fábio, Adelmário Coelho, Mabel Velloso e muitas outras personalidades. Após as apresentações, os autores estão disponíveis para a sessão de autógrafos. 
“O gênero biografia está bastante em evidência nos últimos tempos e o objetivo da UBE-Bahia, com essa mesa-redonda é proporcionar aos escritores, historiadores,  filósofos e jornalistas e demias interessados no assunto, a oportunidade de se aprofundar no tema, através da experiência dos autores convidados”, diz o jornalista Carlos Souza, coordenador da UBE.  
Serviço:
O que: Mesa-Redonda Biografias e Perfis: o personagem em destaque
Onde:  Livraria Cultura do Salvador Shopping - Av. Tancredo Neves, 2915 – Caminho das Árvores. Fone: 71 3505- 9050
Quando: Dia 06 de janeiro (sexta-feira), das 17h30 às 21h.
Entrada: Gratuita
Informações: (71) 8122-7231. E-mail: ube.bahia@gmail.com

EU E O COMPUTADOR

Por Gilberto Nogueira de Oliveira

Nazaré, 9-10-2011

Um dia alguém me disse
Que com o surgimento do computador
Os homens deixariam
De derrubar árvores.
Mas o computador só elege
Homens que derrubam árvores.
Seria o computador o culpado?
Seria o aniquilamento da razão?
O que vejo em meu dia a dia
São montanhas de papeis nas ruas,
Sobre as mesas,
Nas livrarias,
Enlouquecendo os computadores.

Buscador de um bem perdido

Por Alberto Cohen

Bem sei que ainda vou te procurar
por todos os caminhos que escondeste,
em todas as histórias que apagaste,
no riso que levaste e em meus desejos.
Inventarei teus passos nas calçadas
e com grafite escreverei teu nome
em paredes e muros que separam
o real do somente presumido.
E não me cansarei de ir perguntando,
através do silêncio, ou da galhofa,
onde perdeste o bem que me querias
e o que fazer do bem que ainda te quero?
Ai, meu amor, se eu te dissesse, agora,
como estou só, mais só do que era outrora,
quando meus sonhos vinham de tão antes,
nas ilusões que não te conheciam...
Eu era triste e só, porém sabia
que, estando só e triste, na poesia
quase existia o bem que me faltava.
Depois foi grande a confusão de temas,
e, tentando misturar-te com poemas,
não fui amante e me perdi poeta.
E o que me resta além de procurar-te
entre milhões de jeitos e perfumes,
abrindo portas com medo e ciúmes,
fechando versos com rimas pequenas?

vendredi 23 décembre 2011

FÉRIAS

O Varal do Brasil deseja a todos Boas Festas!
Que cada um tenha um Feliz Natal e que o Ano Novo chegue com alegrias e realizações!

Estaremos de férias de 23 de dezembro a 2 de janeiro.
Voltamos no dia 3 de janeiro com mais novidades culturais!


Lá se foi o seu Chico

Por elaine tavares - jornalista
A tarde era de sol e abafada. Um dia triste. Encantava aquele que acordou o Campeche nos anos 80, para a alegria, para a política, para vida. Seu Chico. A praia era raiz, tinha pouco rauli e o que era um rancho de pesca virou um bar. Lugar de acolhimento, de sombra, de água fresca e de histórias. Quando ninguém na cidade abrigava o povo da esquerda era ali que se faziam reuniões e festas. Ali se conspirava e sonhava. A figura simples e direta do Seu Chico atuava como um regaço, onde as gentes que faziam a luta podiam descansar.
Chico era homem do mar, lançava o barco, puxava a rede, trazia o peixe. Foi assim que, junto com Eva, criou 16 filhos. E os criou gente de bem, de responsabilidade, de valentia. Um bom exemplo é o Lázaro, que até vereador foi, e como incomodou os poderosos. Deles vieram netos, bisnetos e tataranetos. Chico amava o mar do Campeche, as dunas, a restinga. Era deles seu primeiro sorriso, a cada manhã, quando vinha tomar o banho gelado que lhe dava vigor e saúde.  Chico era doce como mel e seu sorriso derretia qualquer coração. Não tinham maiores ambições que a de criar os filhos, encaminhá-los e ficar ali, na beira do mar, vendo a vida passar.
Não foi sem razão que o pequeno cemitério do Campeche ficou repleto para a despedida. Chico encantou na tarde do dia 20 de dezembro depois de alguns dias lutando no hospital. O velho pescador tinha um câncer, mas, com certeza, a tristeza de ver o seu bar derrubado pelas máquinas da prefeitura lhe entristeceu demais os últimos dias. O bar era o seu mirante para o mar, lugar que não mais dominava no remo e na rede. O bar era seu refúgio. Não era dinheiro o que buscava ali. Tanto que a construção era simples, de madeira velha, bem raiz, como cabia ao Campeche. Não era um projeto capitalista. Era um espaço de aconchego e partilha. Ali se festejavam os carnavais, o natal, o ano-novo, os aniversários, qualquer coisa que alguém quisesse. Ainda assim as máquinas vieram...
As máquinas que nunca derrubaram a casa do Guga, nas dunas, nem o Costão do Santinho, onde veraneiam os ricos, ou os hotéis de luxo nas restingas. Não, apenas o bar do Chico era “ilegal”. Espaço histórico da comunidade: ilegal. Veio abaixo. Por birra, por vingança. No seu lugar tentaram erguer o deck de um condomínio. O povo revoltou: botou abaixo. Ainda assim, o bar do Chico não voltou e ele ficou mais triste.
Hoje, o dia abafado deu lugar à brisa suave, que começou a soprar na hora em que o frágil corpo do Chico descansava na beira do mar. Havia um cheiro de maresia, grito de pássaros e aquela aragem boa. A natureza oferecia o que de melhor tem para receber o amigo de tantos anos. O padre Vilson fez a missa, amarrou as palavras. A família se despediu, sem desespero, porque aquela era uma vida que tinha se cumprido em plenitude. Chico fez sua história, virou história. Morto que não morre, figura imortal. Como bem lembrou o Ataíde, surfista das antigas, em cada entardecer ainda se ouvirão as palavras do velho pescador a dizer: “ rapaze, rapaze, sai da água”.
Com o encantamento do seu Chico, o Campeche também encerra um ciclo. Hoje, o lugar bucólico onde ele fincou o seu bar já está invadido por condomínios, asfalto, grandes empreendimentos. Há luta, mas as máquinas parecem mais fortes. Resta aos novos moradores  - nativos ou não – decidirem o que querem para suas vidas. Um lugar sem alma, sem identidade, poluído e intransitável ou um bairro jardim, de casas baixas, com cachorros, gatos e passarinhos, onde as pessoas se conhecem e se amparam? Muito já foi destruído, mas ainda há tempo de parar.
No silêncio da noite que se aproximava, parada na beira do mar, eu pedi ao meu deusinho que recebesse o seu Chico nos braços e que olhasse por nós aqui embaixo, no meio de tantos vilões, pelos quais, como ensinava Cruz e Souza, temos de ter ódio, ódio são, ódio que move. Na imensidão do céu do Campeche se foi o seu Chico, remando a canoa invisível. Vai em paz. companheiro, que aqui a gente continua. Tu cumpriste teu destino e o fizestes bem.

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com
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Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com
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jeudi 22 décembre 2011

AUTORA: PAOLA RHODEN



Paola Rhoden nascida no Estado do Paraná, Brasil. Foi premiada em concursos literários, tendo muitos textos publicados em Antologias em vários países. Editou dois livros, Caminhos Sem Volta e Dezessete Anos.



Está na Europa? Encontre os livros de Paola Rhoden na Livraria Varal do Brasil

LIVROS INFANTIS DE VICÊNCIA JAGUARIBE

A dança dos pirilampos é a reconstituição de uma lenda chinesa sobre os vagalumes ou pirilampos. A lenda conta como foi que esses pequenos insetos se tornaram importantes na vida dos estudantes pobres de uma pequena aldeia situada às margens de um rio e pertinho de um campo de arroz. A autora cria uma cenografia em que uma criança ouve a babá a Bá — contar a história e interage com a narradora, fazendo-lhe perguntas.

Em Carolina Trovão, seu colar de corais e o raiozinho de sol, a autora intertextualiza com o poema infantil de Cecília Meireles, “Colar de Carolina”, e conta a história da menina Carolina Trovão. Vivendo com a mãe, a irmã e os avós, a menina é alegre como o sol e zoadenta como o trovão, palavra que é seu próprio sobrenome. Prestativa e ligeira, ela ajuda a mamãe no serviço da casa e presta favores aos avós. E ainda leva a irmãzinha a passear.

A obra infantil Na terra do faz-de-conta foi uma das vencedoras do Prêmio Rachel de Queiroz de Literatura Infantil, 2010, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará. Reúne narrativas que, partindo de situações do cotidiano, de cenários realistas, entram no mundo do faz-de-conta, onde o real se transfigura em fantasia, ou a fantasia se torna realidade. A passagem de uma dimensão  para a outra se dá de maneira tão sutil e gradual que os dois mundos se misturam harmoniosamente. A obra é ainda enriquecida com referências à mitologia greco-romana e a um dos artefatos que controlam a vida moderna, o computador.


Está na Europa? Encontre estes e outros livros da autora Vicência Jaguaribe na Livraria Varal do Brasil

mercredi 21 décembre 2011

LIVRO: HORAS OU MOMENTOS



HORAS OU MOMENTOS – Para Você, é um livro de - crônicas, contos e fábulas -  que celebra a vida..
Autora: Alice Luconi Nassif
Suas histórias estão contaminadas pela formação filosófica da autora. Também, estão impregnados de mensagens que despertam e conduzem seus leitores a viagens alegres ou tristes dependendo do grau de imaginação de cada um. Narram pequenos contos, crônicas e fábulas sobre o amor, o riso, a alegria, a superação, a comédia, mas também falam sobre a dor, o sofrimento, a traição, a morte... Os leitores vão gostar, talvez, até se identificar com algum dos temas apresentados. Seus textos retratam vivências que acontecem todos os dias no cotidiano humano na nossa moderna sociedade.

Está na Europa? Compre este livro na Livraria Varal do Brasil http://www.livrariavaral.com/

UM FINAL FELIZ

MOR

Depois de um preparativo para que acontecessem fundação e instalação da Academia de Letras do Brasil em Florianópolis, na Ilha da Magia, com aquela bela festa do dia 13 de dezembro de 2011, um marco para as letras do estado de Santa Catarina.
A sua fundação foi e, é um momento de grande valia, uma integração das escolas com os escritores e poetas a formar uma sociedade critica, uma sociedade politizada na defesa dos seus direitos diante dos poderes que administram nosso país, do nosso estado, do nosso município, para o bem estar de todos seus cidadões.
Esta sementinha plantada nesta ilha que tem em seu bojo uma rica história desde a chegada dos primeiros navegadores a aportarem seus barcos nas belas enseadas desta majestosa ilha, que sempre foi denominada Ilha da Magia por seu rico folclore, suas histórias de todos os gêneros seu linguajar, seu falar cantado.
Tudo como uma herança do povo Açoriano que aqui aportaram, trazendo suas histórias, seu modo de vida, daquelas Ilhas Vulcânicas, em pleno Oceano Atlântico começando primeiro em São Miguel e depois em Santo Antonio de Lisboa, no Ribeirão da Ilha, São José da Terra Firme, até nossos dias.
Hoje a cultura está em todas as classes sociais, sempre amparadas pela qualidade da educação, que lhe é imposta, quer pelo poder aquisitivo, quer pelo poder público, que detém a obrigação de disponibilizar a todo o povo de seu país, como prevê nos CF/88, “a educação é um direito de todos e uma obrigação do poder público em todas as esferas”, logo este poder é responsável pela boa qualidade e pela má qualidade de nossa educação.
Somos um país continente, com varias facetas culturais em suas extensões, se somos homogêneos pela língua usada, mas ela ele tem vários falares que distingue as regiões brasileiras cabe as academias culturais sem distinção aproximar a todos a conhecerem melhor este movimento da cultura brasileira.
Dois mil e onze foi o ano da luz, como a luz daquela estrela na noite de Natal a brilhar sobre aquele estábulo onde nasceu Jesus, que esta estrela brilhe sobre nossa ilha, como brilha o Cruzeiro do Sul a nos dar alento de sempre ir em frente e nunca recuar em nossas tarefas culturais.
Como já falei muito pelo meu tamanho desejos a todos os nossos Confrades e Confreiras e os amigos que aqui compartilham desse belo momento cultural Um Feliz Natal e também Um Próspero Ano Novo de 2012. Deste modesto escriba.  

São José/SC, 20 de dezembro de 2.011.

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