vendredi 31 août 2012

Crônica da Urda


DESMISTIFICANDO O CHÁ DE COCA


Em 1993, minha amiga Sônia e eu fizemos os preparativos para uma viagem à Bolívia e ao Peru no meio de muita farra: voltaríamos casadas com traficantes de cocaína, voltaríamos viciadas em chá de coca. É claro que não queríamos casar e nem nos tornarmos viciadas, mas nossos amigos riam muito dos nossos planos.
Viajamos, enfim. A primeira cidade boliviana que conhecemos foi Santa Cruz de La Sierra, ainda na parte baixa da Bolívia, antes de se subir os Andes. Santa Cruz nos surpreendeu por ser uma cidade grande e bonita, plana e planejada, cujo centro, com uma antiga catedral espanhola, linda praça e casario espanhol, é cercado por moderna cidade de prédios modernos, agradável e aconchegante.
Chegamos de manhã à Santa Cruz, e gastamos o dia conhecendo a linda cidade (eu esperava uma cidadezinha de tugúrios, muito feia) e, de tardinha, passamos por um mercadinho, onde havia na vitrine ... chá de coca! Há que se lembrar que o chá de coca, na Bolívia, é tão legal e consumido quanto o cafezinho, no Brasil; mas ainda não sabíamos disso, e o chá famoso exercia uma grande atração sobre nós, dava uma idéia de proibido, de pecado, e quem não gosta de experimentar o proibido? Olhando para os lados, para ver se ninguém nos via, Sônia e eu entramos no mercadinho e compramos uma caixa de chá, com os mesmos cuidados que as pessoas têm quando compram pornografia.
A caixinha de chá que compramos era de famosa marca alemã, tinha linda embalagem envolta em papel celofane, e o chá vinha em saquinhos, como qualquer chá respeitável. Escondemos a caixa na bolsa e voltamos correndo para o hotel, onde mandamos preparar duas chávenas. Quando nos entregaram as xícaras, em nosso apartamento, Sônia e eu nos deitamos para tomá-lo, para que quando acontecesse o "barato", estivéssemos deitadas e nada nos acontecesse. Até hoje eu morro de rir ao lembrar como ficamos as duas deitadas, após tomar o chá, esperando o "barato". Dez minutos depois eu perguntei:
- Sônia ... tudo bem aí?
Estava tudo bem, assim como comigo, nada estava acontecendo com ela. Mais dez minutos, e Sônia pergunta:
- Urda ... tudo bem?
Era hilariante a cena, nós a esperarmos o "barato" que não veio. Uma hora depois, morrendo de rir, resolvemos voltar aos nossos passeios. O chá de coca não dá barato nenhum.
Só fui entender a verdadeira função do chá de coca depois que subimos os Andes. Naquela altitude de 4.000 m, não sei como se viveria sem ele. O mal-estar da altitude é uma coisa terrível, que não se tem como fugir - mesmo deitada, mesmo dormindo, a altitude nos faz sentir muito mal - mesmo dentro do sono, tem-se a sensação de que se respira agulhas, ou navalhas, e a cabeça está sempre com a sensação que vai explodir. Qualquer pequeno esforço, como o de se subir uma escadinha de cinco degraus, deixa-nos sem forças, derreados, com o coração disparado, e é nessas horas que o chá de coca é bem vindo. Ele nos ajuda um monte a melhorar, dá-nos a sensação de que se vai conseguir sobreviver, é o melhor remédio que existe contra os males da altitude.
No Bolívia, toma-se chá de coca tanto no botequim da esquina, quanto no mais fino restaurante. Os mais refinados garçons do país, quando vêm chegarem turistas derreados, que jogam os braços e as cabeças sobre as mesas e não conseguem nem mais falar, sabem direitinho o que eles precisam. Polidamente, aproximam-se e perguntam :
- Mate de coca?
E a gente dá graças a Deus que o garçom perguntou, que não precisou gastar aquele tiquinho de energia necessário para pedir a infusão que vai devolver um pouco das forças, porque força a altitude tirou toda.
Eu sempre digo que Deus faz as coisas perfeitas, o Diabo é que as estraga depois. Num lugar alto como os Altiplanos andinos, onde é tão difícil viver, Deus colocou a coca e o seu chá terapêutico (o gosto não é bom, mas a gente o acha maravilhoso pelo bem que ele nos faz.). O Diabo, depois, fez com que o homem descobrisse a forma de, com aquelas folhas ingênuas e boas, produzir cocaína.

Blumenau, 25 de agosto de 1996.
Urda Alice Klueger

VIII CONCURSO LITERÁRIO POESIAS SEM FRONTEIRAS


           (inscrições de 10 de agosto até 20 de dezembro de 2012)


Apoio: Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências ;  União Brasileira dos Escritores/BA;

Com o objetivo de estimular poetas de todo o Brasil e de outros países, o concurso premia os melhores trabalhos, comprovando o sucesso com sua 8ª edição.
Os interessados devem enviar uma única poesia, tema LIVRE (digitada ou datilografada) inédita sob pseudônimo, em duas vias, dentro de um envelope maior. No envelope menor, deverá constar a ficha de inscrição que  será criada pelo autor, com  o nome, endereço completo, idade, profissão, escolaridade, título da poesia, pseudônimo, telefone, e-mail (se tiver), comprovante de depósito de R$ 9,00, em nome de Marcelo de Oliveira Souza, conta poupança BRADESCO : No 5920 digito 0 Agência 3679 digito 0. Não se esquecer de dizer como tomou conhecimento do concurso e se já participou de outras versões.
Obs:  Não aceitaremos poesias por e-mail ; menores de idade podem participar desde que seja com a autorização dos pais ; Inscrições de países de outra língua também serão aceitas desde que estejam na língua oficial do concurso – Língua Portuguesa; Quanto aos trabalhos enviados, no final do concurso, serão incinerados;  Caso não haja autor menor e/ou estrangeiro a premiação se extinguirá; O autor poderá participar com mais de um trabalho, para isso terá que efetuar nova inscrição e pseudônimos diferentes;
O Livro Confissões Poéticas é do autor MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA, organizador do concurso; O Livro Varal Antológico II é  um projeto organizado por Jacqueline Aisenman.; Os Livros "30 Anos de Poesia" e "Memórias do Inferno Brasileiro" são do autor Valdeck Almeida de Jesus .

Formas de pagamento:
• Em espécie junto à ficha de inscrição (envelope menor)
• Depósito Bancário ou transferência de conta
• Fora do país:  Cinco  dólares / euros  ou em moeda vigente de cada pais no valor correspondente.

RESULTADO: Dia 10 de janeiro de 2013
No site oficial do concurso; nos blogs marceloescritor;  por e-mail, para quem enviar o endereço eletrônico e por carta para quem não tiver e-mail.
1°lugar: Troféu + certificado  + Livro Confissões Poéticas   + Livro Varal Antológico II
2° lugar: Troféu + certificado + Livro Varal Antológico II + Pen Drive 4GB
3° lugar: Certificado   + Livro  "Memórias do Inferno Brasileiro"
4° Lugar:  Certificado + Livro "30 Anos de Poesia"
5° Lugar:  Certificado + Livro "30 Anos de Poesia"
Menções Honrosas: Uma  para o autor Nacional Juvenil, menores de idade; outra para
 o  autor Internacional;  cuja premiações  serão:   Nacional Juvenil: certificado + Livro Varal Antológico II + MP3 + Camisa Tamanho M do site “Galinha Pulando” ; Internacional:  certificado  + Livro Confissões Poéticas + Livro “Memórias do Inferno Brasileiro”

Todos os vencedores do concurso terão seu trabalho publicado no site www.poesiassemfronteiras.no.comunidades.net
Contatos: marceloosouzasom@hotmail.com e celular 71-81553677     
Enviar carta registrada para:   
VIII Concurso literário: Poesias sem Fronteiras
A/c escritor Marcelo de Oliveira Souza Conjunto Edgar Santos Bloco 14/204
Engenho Velho de Brotas  Salvador  Bahia   BRASIL CEP 40240-550


Marcelo de Oliveira Souza
www.poesiassemfronteiras.no.comunidades.net

3º CONCURSO DE POESIAS OLIVEIRA SILVEIRA


A Estância da Poesia Crioula torna público que estão abertas as inscrições para o 3º Concurso de Poesias OLIVEIRA SILVEIRA, em homenagem ao poeta OLIVEIRA SILVEIRA (1941-2009), professor,
poeta  e pesquisador gaúcho, conhecido nacionalmente
por ser o idealizador do Dia da Consciência Negra.



R E G U L A M E N T O
1)   Inscrições gratuitas, abertas até 30 de Setembro de 2012;


2) TEMA: “A presença do negro na formação cultural e social do Rio Grande do Sul”. 


3) As poesias deverão ser inéditas, rimadas ou não, sem limite de versos ou linhas.

4) Serão aceitas inscrições apenas via internet, exclusivamente pelo e-mail:
 chasque@estanciadapoesiacrioula.com.br
5) Nos trabalhos deverá constar apenas o pseudônimo do autor.
6) Em anexo deve ser enviado documento constando, para fins de contato: Nome do autor, endereço, telefone convencional, telefone celular e e-mail;

7) Cada autor poderá concorrer com até dois trabalhos no concurso.

8) Os trabalhos serão julgados por comissão especializada, indicada pela instituição promotora do concurso, sendo soberana em suas decisões.
9) PREMIAÇÃO: Os trabalhos classificados em 1º, 2º e 3º lugares receberão o Troféu “Lanceiro Negro” e Medalha. Os trabalhos selecionados em 4º e 5º lugar receberão medalha.
10) Os resultados serão proclamados e os prêmios conferidos em solenidade especial, em Porto Alegre, durante o mês de novembro de 2012.




Porto Alegre, 01 de Julho de 2012.



___________________________________

Cândido Brasil                                                                                                                        
  Presidente E.P.C.                                                                                                                                

3º CONCURSO DE POESIAS GAÚCHAS EXALTANDO O RS E RIO GRANDE LÍRICO


A Estância da Poesia Crioula torna público que estão abertas
as inscrições para os Concursos de Poesia
Exaltando o Rio Grande e Rio grande Lírico.

3º CONCURSO DE POESIAS GAÚCHAS
EXALTANDO O RS E RIO GRANDE LÍRICO 
R E G U L A M E N T O

1)   Inscrições gratuitas, abertas até 30 de Setembro de 2012;
2) O Concurso “Exaltando o Rio Grande” terá como tema o homem gaúcho, seu meio e seus feitos.

3)   O Concurso “Rio Grande Lírico” terá como tema o romantismo gaúcho – rural e urbano.
4) As poesias deverão ser inéditas, rimadas ou não, sem limite de versos ou linhas.
5) Serão aceitas inscrições apenas via internet, exclusivamente pelo e-mail:
chasque@estanciadapoesiacrioula.com.br
6) Nos trabalhos deverá constar apenas o pseudônimo do autor.
7) Em anexo deve ser enviado documento constando, para fins de contato: Nome do autor, endereço, telefone convencional, telefone celular e e-mail;

8) Cada autor poderá concorrer com até dois trabalhos no concurso.

9) Os trabalhos serão julgados por comissão especializada, indicada pela instituição promotora do concurso, sendo soberana em suas decisões.
10) PREMIAÇÃO: Os trabalhos classificados em 1º, 2º e 3º lugares receberão Troféu e Medalha. Os trabalhos selecionados em 4º e 5º lugar receberão medalha.
11) Os resultados serão proclamados e os prêmios conferidos em solenidade especial, em Porto Alegre, durante o mês de novembro de 2012.

Porto Alegre, 01 de Julho de 2012.



___________________________________

Cândido Brasil                                                                                                                        
  Presidente E.P.C.      

3º CONCURSO NACIONAL DE SONETOS

3º CONCURSO NACIONAL DE SONETOS NILZA CASTRO


A Estância da Poesia Crioula torna público que estão abertas as inscrições para o 3º Concurso Nacional de Sonetos NILZA CASTRO,          em homenagem à poetisa NILZA CASTRO (1911-2002),                            exímia sonetista e Sócia-Fundadora desta entidade.


R E G U L A M E N T O
1)   Inscrições gratuitas, abertas até 30 de Setembro de 2012;


2) O TEMA do concurso é livre; 

3) O Soneto, inédito, deverá ser clássico, obedecendo métrica e rima;
4) Serão aceitas inscrições apenas via internet, exclusivamente pelo e-mail:
 chasque@estanciadapoesiacrioula.com.br
5) Nos trabalhos deverá constar apenas o pseudônimo do autor;
6) Em anexo deve ser enviado documento constando, para fins de contato: Nome do autor, endereço, telefone convencional, telefone celular e e-mail;

7) Cada autor poderá concorrer com até dois trabalhos no concurso;

8) Os trabalhos serão julgados por comissão especializada, indicada pela instituição promotora do concurso, sendo soberana em suas decisões;
9) PREMIAÇÃO: Os trabalhos classificados em 1º, 2º e 3º lugares receberão Troféu e Medalha. Os trabalhos selecionados em 4º e 5º lugar receberão medalha;
10) Os resultados serão proclamados e os prêmios conferidos em solenidade especial, em Porto Alegre, durante o mês de novembro de 2012.



Porto Alegre, 01 de Julho de 2012.



___________________________________

Cândido Brasil                                                                                                                       
  Presidente E.P.C.                                                                                                                                

2º CONCURSO CULTURAL LITERÁRIO PIQUETE CHAMA NATIVA


2º CONCURSO CULTURAL LITERÁRIO PIQUETE CHAMA NATIVAO Piquete Chama Nativa do Grupo Hospitalar Conceição, torna público que estão abertas as inscrições do seu 2º Concurso Cultural Literário, normatizado pelo seguinte regulamento:
1)    As inscrições são gratuitas e estão abertas até a data de 07 de Setembro de 2012;

2)    As modalidades do Concurso são: Poesia e Causo;

3)    Serão aceitas inscrições apenas via internet, exclusivamente pelo e-mail: piquetechamanativa@ghc.com.br

4)    O tema do concurso é livre para ambas as modalidades, porém, deverá abordar a história, lendas, tradições, usos, costumes e vocabulário do Rio Grande do Sul;

5)    O poema deve ser inédito, não havendo limite de versos ou linhas;

6)    O Causo deve ser inédito, não havendo limite de páginas;

7)    Nos trabalhos deverá constar apenas o pseudônimo do autor e a modalidade concorrente. Em anexo deve ser enviado documento constando, para fins de contato: Nome do autor, endereço, telefone convencional, telefone celular e e-mail;

8)    Os trabalhos deverão ser enviados em Word, modelo A4, fonte Arial, tamanho 12;

9)    Cada autor poderá concorrer com até dois trabalhos em cada modalidade, ou seja, dois poemas e dois causos;

10) Os trabalhos serão julgados por comissões especializadas, indicadas pela instituição promotora do concurso;

11) PREMIAÇÃO: Os trabalhos selecionados do 1º ao 5º lugar receberão medalha. Os trabalhos classificados em 1º, 2º e 3º lugares receberão Medalha e Troféu;

12) Os resultados serão proclamados e os prêmios conferidos em solenidade especial, dia 15 de setembro de 2012, no Galpão do Piquete Chama Nativa, em Porto Alegre, durante a realização do Acampamento Farroupilha 2012.

Porto Alegre, 01 de Julho de 2012.


__________________________                                                                                 Cândido Brasil
       Piquete Chama Nativa

XXIII CONCURSO DE POESIA - ALAP


- ALAP - ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE PARANAPUÃ  
Sede provisória: Rua Santa Amélia, nº 88 / 1011
Cep.: 20260-030    Tijuca / RJ     Telefax.: (0xx) 21 . 2293-3054
Fundada em 21/10/89                        e-mail: alap.rj@ig.com.br


XXIII CONCURSO DE POESIA - ALAP

REGULAMENTO:

01- Tema: LIVRE.

02- Categoria: INFANTIL, JUVENIL e ADULTO.

03- Cada candidato poderá concorrer com 02 (duas) poesias.

04- As poesias deverão ser inéditas (nunca publicadas ou classificadas em concursos), datilografadas, com o máximo de 35 (trinta) versos (linhas).

05- O poeta deverá enviar 03 (três) cópias de cada poesia, sem nome ou pseudônimo, em envelope ofício, contendo outro menor com toda sua identificação, inclusive um breve currículo. As categorias: infantil (até 12 anos) e juvenil (até 21 anos) deverão informar a data de nascimento.

06- Período de inscrição: 14 de março a 31 de outubro de 2012, prevalecendo data de postagem.

07- A Comissão Julgadora será composta por membros de renome literário e sua decisão será soberana e irrevogável.

08- Os trabalhos apresentados não serão devolvidos.

09- Os trabalhos deverão ser enviados para: XXIII Concurso de Poesia – ALAP / Rua Santa Amélia, nº 88 / 1011 - Tijuca / RJ   CEP.: 20260-030.

10- Premiação: Medalha de Ouro e publicação na antologia 2012/2013 para o melhor trabalho. Medalhas de Prata e Bronze para as 02 (dois) seguintes colocadas; Menções Especiais e Honrosas (p/ todas as categorias). Certificados para todos os participantes.

11- O resultado e entrega das premiações será no dia 10 de dezembro de 2012, às 15 horas e 30 minutos, no auditório da CONFALB/FALARJ, Rua Teixeira de Freitas, nº 05/ 3º andar – Lapa/RJ.

Rio de Janeiro, RJ, 14 de março de 2012.
      
Acadêmica Eliane Mariath Dantas

Presidente da ALAP


--
POETA SAIA DA GAVETA
Coordenação - Neudemar Sant'Anna
Direção - Teresa Drummond
...
Eventos toda segunda 3a.feira do mês, de março a dezembro,
na Casa do Bacalhau, Rua Dias da Cruz 426 - Méier, das 19 às 23 horas
Maiores informações - BLOG poetasaiadagaveta.blogspot.com


 

mercredi 29 août 2012

CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA


A face oculta da literatura piauiense na internet



                Meu amigos, é com grande satisfação que venho informar-lhes que o recente lançamento de meu livro A face oculta da literatura piauiense foi emblemático, pois que reuniu na noite do dia quatro de agosto de 2012 um contingente inesperado de pessoas, como professores, escritores, alunos, acadêmicos e estudantes de Letras, num intercâmbio literário bastante aprazível ao espírito. Agradeço, pois, a todos que compareceram e àqueles que, embora distantes, estiveram torcendo pelo sucesso da noite.
                Aos amigos que moram longe e que estão na espera de uma oportunidade para adquirir a obra, estou a disponibilizando através do endereço: www.estantevirtual.com.br/danielciarlini (vide link para maiores detalhes).
                Reforço o meu agradecimento e desejo uma ótima tarde a todos.

Daniel C. B. Ciarlini


Abaixo segue alguns links a respeito do lançamento do livro:

Portal Correio do Norte: Centenas de pessoas no lançamento Livro “A face oculta da literatura piauiense” de Daniel Ciarlini (http://pcn01.com/v1/?p=15731);
Portal ProParnaíba: Daniel Ciarlini lança sua primeira obra em Parnaíba (http://www.proparnaiba.com/redacao/2012/08/05/daniel-ciarlini-lan-a-sua-primeira-obra-em-parna-ba.html);
Portal 180 Graus: LIVRO A FACE OCULTA da literatura Piauiense é LANÇADO EM PARNAÍBA (http://180graus.com/parnaiba/livro-a-face-oculta--da-literatura-piauiense-e-lancado-em-parnaiba-549829.html);
Portal Acesso 24 Horas: Daniel Ciarlini estréia como escritor lançando “A Face Oculta da Literatura Piauiense” (http://a24horas.com/destaques/daniel-ciarlini-estreia-como-escritor-lancando-a-face-oculta-da-literatura-piauiense/).

2º ENESIAR Encontro de Escritores Independentes de Araçatuba e Região


Convite




No próximo dia 31, sexta feira, faremos o sarau de 2º Aniversário do Caldo & Poesia. Na ocasião, além da participação de nossos amigos poetas e músicos, haverá o lançamento dos livros de Carlos Gomes, com o romance “O Valle das Acácias”, e José Mateus Neto, com “Despautério” (poesias), além da apresentação musical da poetisa, cantora e compositora Teca Amorim e um pocket show do poeta e compositor Tião de Sá e pocket show também do Idealizador cultural  Ivan Ferretti Machado.
Venha participar conosco deste encontro, com sua poesia, sua música, seu causo ou simplesmente com a sua presença, para compartilhar este momento festivo e saborear um delicioso caldo, que é o mimo e marca da casa.


Local: União dos  Moradores  da Vila Santa Clara
Rua Caioabas, 104 – Vila Santa Clara
Travessa da Rua  Domingos Afonso
Horário: das 19h30 às 22h30 – entrada franca

Convite - Biblioteca Estadual Luiz de Bessa


Enviado por Clevane Pessoa Lopes

mardi 28 août 2012

VARAL DE SETEMBRO/OUTUBRO

Varal estendido!


Convidamos as pessoas que gostam de escrever para falar da infância e o convite foi aceito por muitos! Então aqui estamos, falando não só da Nossa Infância, mas da infância de todos. Desde as in
fâncias felizes até a mais triste delas.

Lembrar da infância não é fácil para todo mundo, assim também é falar dela. O que para muitos é algo gostoso e que pode se repetir escrevendo o que vem da memória, para outros pode ser doloroso demais. Por isto agradecemos a tantos que vieram, atenderam o apelo e falaram da infância com alegria ou com tristeza.

Quando se pensa em criança é automático: pensamos em doces! Vida doce, festa, tudo doce! Então fomos buscar algumas receitas culinárias que visitassem nosso paladar infantil, aquele que, como um pequeno pecado, muitas vezes ainda provamos e adoramos!

Como vocês devem ter percebido nossas férias foram alegremente interrompidas pela edição de um especial, o Varal do Amor. Foram publicados cinquenta autores. Mas recebemos muitos, muitos mais. E a sugestão de fazer uma sequência. Quem sabe? Quem sabe não faremos em breve?

Atendemos com alegria, em meio a todas as histórias e poemas sobre a infância, o chamado da seriedade de uma publicação científica e publicamos o artigo de André Valério Sales intitulado Particularidade, Universalidade e Singularidade: definindo conceitos fundamentais para a Metodologia da Pesquisa em Ciências Sociais e que por ele será apresentado na universidade que frequenta. Talvez um sonho de criança que se realiza!


Em meio a tantas alegrias, uma notícia triste vem fazer parte do Varal. Nossa Livraria, infelizmente, encerrou suas atividades. Não foi possível manter o sonho de comercializar nossa nova literatura, nossos novos autores aqui na Europa! Constatamos que pouquíssimos brasileiros aqui na Suíça buscam esta literatura. A grande maioria ainda se atém aos autores consagrados ou prefere apenas adquirir os livros diretamente no Brasil quando vai em visita. Desta forma, profundamente tristes, fechamos as portas desta livraria que tinha o sonho de ver seus autores brilhando por aqui! Mas nem tudo foi perdido, pois depois do sucesso que foi nossa participação no 26o. Salão Internacional do Livro de Genebra, os livros, cedidos por grande parte dos escritores presentes na livraria, estão sendo doados a várias bibliotecas suíças que demonstraram imenso interesse nos exemplares. São os novos autores brasileiros cruzando fronteiras através do Varal do Brasil!


Estamos com as inscrições abertas para a seleção de textos para o livro Varal Antológico 3. Surpresos com a variedade e quantidade de textos a ler, nossos examinadores estão felizes de observar a qualidade destes mesmos textos. E começamos a lamentar que as vagas sejam limitadas! Você ainda tem tempo para se inscrever e pode solicitar o regulamento através do nosso e-mail varaldobrasil@gmail.com . O livro Varal Antológico 3 terá revisão completa incluída e editoração pela Design Editora, símbolo de qualidade na edição de livros no Brasil.


Amigos do Varal, nos preparamos para, em novembro, festejar nossos três anos de revista. Traremos o tema livre, festejaremos juntos. Esperando você para a festa de novembro, deixamos aqui esta revista especial sobre a infância! Uma boa leitura!



Sua equipe do Varal

Baixe e leia a revista aqui:http://www.varaldobrasil.ch/media//DIR_158701/5b26c98f4b31be44ffff81dfa426365.pdf

samedi 25 août 2012

Crônica da Urda sobre o centenário de Jorge Amado


No dia de 10 de agosto de 2012 fez um século do nascimento desse brasileiro extraordinário, presença constante nas vitrines de todo o mundo e nos corações de tantas pessoas de tantas nacionalidade. Tive o prazer de conviver com ele na altura em que tinha 80 anos. Acho que devo homenageá-lo publicando novamente o texto que escrevi naquela altura.
Aí com seus orixás, onde quer que esteja, muitas saudades, meu querido baiano nº  1!

(Texto escrito originalmente para publicação num jornal português. Deverá ter uma observação a esse respeito, ao ser publicado, para que sua leitura fique clara.)

(A autora)

UM HOMEM CHAMADO JORGE AMADO



Numa das varandas da casa de Jorge Amado, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador/Bahia, há uma curiosa escultura. Estávamos a conhecer a casa, eu e minha amiga, a poetisa e Jornalista Tânia Rodrigues, e pisávamos no chão como se pisássemos em ovos, tamanha era a emoção por estar, afinal, na casa de Jorge Amado, quando deparamos com aquela escultura. Era de um escultor cearense, e fora feita com duas antigas máquinas de costura manuais, O escultor adaptara as duas máquinas, colocara-lhes orelhas, focinhos, etc., e elas tinham se transformado em um casal de cachorros. A cachorra estava no chão, em pose de espera; o cachorro, apoiado nas patas traseiras, mantinha-se em diagonal sobre ela, exibindo avantajada pua como órgão sexual.
Vínhamos lentamente pela varanda pejada de objetos de arte e, quando passávamos pela escultura do cearense, Jorge Amado deu um empurrão no cachorro. De imediato ele bateu numa forte mola que eu não tinha percebido, e pôs-se a fazer valente movimento de vai-e-vem, imitando perfeitamente o que aqui no Brasil a gente chama de transar, ou furunfar, e como não sei o nome popular dessas coisas aí nos Açores, esclareço que o cachorro passou a fazer aqueles doces movimentos que dão origem aos cachorrinhos.
Eu e Tânia ficamos espiando com o rabo dos olhos a transa dos cachorros, e D. Zélia Gattai, a queridíssima D. Zélia Gattai, deu uma bronca no marido:
- Que é isso, Jorge? O que é que as moças vão pensar?
Jorge Amado ria com gosto.
- Ora, Zélia, as moças já viram disto, não vão estranhar!
E o cachorro continuou batendo na mola e furunfando com força enquanto nos afastávamos.


<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> 

Eu provenho de uma família humilde do Sul do Brasil. Minha região é de colonização alemã, e meu Estado, o de Santa Catarina, caracteriza-se por ser formado de muitas “ilhas culturais”. A região alemã onde me criei é ladeada de um lado por uma região de colonização italiana; do outro, pelos descendentes dos açorianos que para cá vieram no século XVIII. Meus pais eram pequenos comerciantes sem muitas luzes, e tenho certeza de que nunca passou pela cabeça deles que uma das filhas se tornaria uma escritora, e que um dia iria conhecer pessoalmente um monstro sagrado como Jorge Amado.
Criei-me lendo muito, muito e muito, e lá pelos 12 anos deparei-me a primeira vez com um livro de Jorge Amado. Foi ler e gostar - nosso grande escritor fascina ao primeiro contacto. E passei a minha vida a procurar os livros dele, a viver através dos livros uma Bahia fantástica e maravilhosa, e o tempo passou, e um dia já tinha mais de trinta anos e fui conhecer a Bahia.
O Brasil é muito grande. Da minha casa, em Blumenau/SC, até Salvador/BA, são 3.000 km e 48 horas de ônibus, mas tudo correu bem, e num final de tarde cheguei a Salvador. Deveria estar moída pelos dois dias e duas noites no ônibus, mas a fascinação que pressentia na Bahia de Jorge Amado me tirou todo o cansaço: foi só tomar um banho e fui para a rua, a descobrir o que havia de verdade no que havia lido. E foi como se conhecesse a cidade, foi bem como se entrasse num livro de Jorge Amado!
A Bahia é um lugar mágico! Conheço, hoje, 16 países e 16 estados brasileiros, e continuo afirmando que a Bahia é o melhor lugar do mundo! A Bahia mistura tudo: Arte e a História, o Brasil e a África, a beleza e o encanto, as religiões e a magia. Totalmente encantada com a Bahia, nos seis anos seguintes voltei lá sete vezes, enfrentando, a cada vez, 48 horas de ônibus. Só para que aquilatem o quanto a Bahia é maravilhosa, nesse ínterim fui passar um mês em Paris. Todos nós, brasileiros, sentimos uma grande fascinação pela Europa, e eu achei que passar um mês em Paris seria a coisa mais maravilhosa da minha vida. Só que, depois que estava uns quatro ou cinco dias em Paris, tudo o que eu pensava era “O que é que eu estou fazendo aqui? Por que é que não fui para a Bahia?”
Encantadora Bahia, só ela poderia produzir um escritor como Jorge Amado! Eu gostaria de falar muito e muito mais sobre a Bahia, mas vamos voltar a Jorge Amado antes que o espaço acabe.

<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> 

Já havia lido cerca de 30 livros de Jorge Amado, e alguns de Zélia Gattai, sua mulher, quando, em 1994, li “Navegação de Cabotagem”, as memórias do nosso grande Mestre. Até aí eu pouco sabia sobre a sua figura humana, que se me afigurava distante, inatingível, inacessível para os comuns dos mortais, e tive a maior surpresa ao descobrir, em “Navegação de Cabotagem”, a existência de um Jorge Amado humano, brincalhão, pícaro, cheio de amigos, e aquilo me encorajou a lhe escrever uma carta, falando do quanto gostara do livro e do quanto gostava da Bahia. E claro que não esperava resposta de uma pessoa tão ocupada, e quase morri do coração quando, uns dez dias depois, recebi uma resposta dele. Foi assim que começou nosso contacto, e quando ele soube que eu iria à Bahia em novembro daquele ano, mandou-me o telefone para que o procurasse.
Tânia Rodrigues e eu prendíamos a respiração quando, já em Salvador, ligamos do hotel para a casa dele. Imaginávamos ser atendidas por uma secretária, e quase morremos do coração quando ele próprio atendeu ao telefone e ajeitou a sua agenda mental para achar um espaço para nós. Combinamos um encontro para a tarde, na Academia de Letras da Bahia, onde ele tinha um compromisso.
E claro que vestimos roupas novas e nos enchemos de perfume para o grande encontro. Quinze minutos antes da hora marcada já estávamos no lindo prédio da Academia, o coração batendo forte de emoção. Os acadêmicos que foram chegando nos deixaram à vontade, a sala onde estava foi-se enchendo, e, de repente, na maior simplicidade, adentra a ela Jorge Amado em pessoa, perguntando se ali estava uma escritora de Santa Catarina com quem marcara encontro. Vestia-se todo de branco, com roupas leves e confortáveis, e era igualzinho como a gente o via em fotografias ou na televisão. Foi extremamente simpático desde o primeiro momento, e nos convidou para sala contígua, onde poderíamos conversar à vontade.
Nessa ocasião, ele estava com 80 anos, mas sua lucidez e agilidade mental eram surpreendentes. Sentamo-nos a conversar, e como ele gosta de conversar! Ele fala baixinho, a gente tem que chegar bem perto para ouvir bem, e suas histórias são sempre interessantes e bem humoradas. Contou-nos muitas coisas naquela tarde, principalmente sobre sua família. Como todo bom brasileiro, tem uma avó índia (Zélia Gattai conta nos seus livros o quanto a sua sogra era índia, com negros cabelos escorridos), e, como bom brasileiro, também, acha que tem sua parcela de sangue judeu, por parte dos Amados, coisa que nunca conseguiu comprovar. Eu adoro ouvir histórias, e ouvi-las diretamente da boca do nosso maior escritor era algo que estava além dos meus melhores sonhos. Poderia ter ficado o resto da vida ali, mas o tempo urgia e Jorge Amado foi chamado para votar alguma coisa na reunião da Academia. Votou e, gentil, veio nos buscar. Sou acadêmica aqui do meu Estado de Santa Catarina, mas não esperava que ele fizesse o que fez: chamou-me para a mesa, apresentou-me como acadêmica, fez-me honras que me deixaram até acanhada. Foram servidos vinhos e deliciosos quitutes baianos (ah! a comida baiana é única no mundo!), outros acadêmicos me requisitaram, e quando vi, já era hora de ir embora. Fui despedir-me de Jorge Amado, agradecer-lhe por aquele inefável tempo em sua companhia, por aquela oportunidade que julgava única na vida, feliz demais por ter tido o privilégio de, uma vez na vida, ter privado da presença do meu ídolo, certa de que o sonho acabara, mas ele tinha outros planos:
- Amanhã vocês vão até minha casa! - e aquilo era mais do que eu julgara poder esperar na vida.

<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> 

No dia seguinte, à hora aprazada, Tânia Rodrigues e eu saltamos de um táxi diante da casa de Jorge Amado. Ela se situa no bairro do Rio Vermelho, o primeiro dos bairros na orla marítima de Salvador, e está construída sobre um morro. A parte que dá para a rua está cercada por alto muro, e os meninos da vizinhança picharam esse muro com seus sprays, criando nele todo o tipo de desenhos e de slogans. Há apenas uma porta encravada nesse muro, onde, depois que tocamos a campainha, fomos de imediato atendidas por uma simpática empregada chamada Rose, que já nos esperava. Ela conduziu-nos a uma sala de visitas onde, numa mesa cheia de livros espalhados sobre toalha de crivo, Jorge Amado nos aguardava. Fiquei toda orgulhosa ao ver um livro meu sobre aquela mesa.
Acho que vale a pena contar sobre a casa de Jorge Amado. Ele e Zélia construíram aquela casa faz mais de 30 anos, quando o bairro do Rio Vermelho era ainda pleno subúrbio, e não a região altamente valorizada e urbanizada que é hoje. Estão no topo do morro; lá de cima, tem-se esplêndida vista para o mar e para a baia de Todos os Santos, o que, aqui no Brasil, é coisa muito valorizada. Na época, os dois plantaram à volta da casa muitas e muitas mudas de árvores, e com a facilidade que existe aqui no Brasil de as florestas se desenvolverem, hoje a casa está no meio de uma verdadeira floresta, que, inclusive, tirou a vista do mar.
A casa é ampla e arejada, adequada ao clima baiano, e está rodeada por espaçosas varandas, onde, tive a impressão, é o lugar em que Jorge Amado e Zélia Gattai passam a maior parte do seu tempo. Num dos lados tem uma piscina antiga, sombreada de árvores. Por toda a casa, tanto do lado de dentro quanto nas varandas, prateleiras correm ao longo das paredes, prateleiras pejadas de objetos de arte de todas as partes do mundo, que o casal colecionou durante toda a sua vida. A impressão geral que dá é de frescor, de leveza, de paz, quase como se a casa e sua pequena floresta fossem voar.
Jorge Amado acabara de sair da piscina. Usava bermudas azuis e uma camisa muito florida, desabotoada. Disse-nos para que ficássemos à vontade, e passamos a remexer nos livros que estavam sobre a mesa, quando entrou na sala a luz chamada Zélia.
Eu sabia que, indo à casa de Jorge Amado, acabaria conhecendo Zélia Gattai, e imaginava que ela seria um pano-de-fundo para o que ocorresse lá. E quando ela chegou e trouxe toda a sua luz., bastaram alguns segundos para que ficasse evidente que quem se tornava pano-de-fundo era Jorge Amado.
E impossível conceber-se Jorge Amado sem Zélia Gattai. Há que se ler os cinco livros de memórias e o romance que ela escreveu, para se ter uma idéia de quem é Zélia. Mas há que se conhecê-la pessoalmente para se aquilatar o real valor daquela mulher.
Zélia é a mais meiga, mais linda, mais forte, mais intensa, vibrante e suave das mulheres. Conhecê-la foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida - que dizer da sorte de Jorge Amado, que priva da sua presença há mais de cinqüenta anos? A imensa energia de Zélia nos envolveu, e, quando dei por mim, estávamos todos sentados numa das varandas, com Rose,a empregada simpática, a nos servir sorvetes.
Eles são extremamente simples. Jorge Amado estava sentado em confortável cadeira de lona, e Zélia acomodara-se em lindíssima cadeira-de-balanço, antiga peça muito bem trabalhada em madeira negra que, ela explicou, é a última peça que resta das que seu pai trouxe da Itália quando emigrou para o Brasil. As cadeiras estavam próximas, e era evidente a compreensão e o carinho com que os dois se tratam. Começamos a conversar, e eles nem se davam conta dos gestos de ternura que faziam um no outro: Jorge Amado acariciava com leveza a nuca de Zélia, num lento e suave movimento que dura há mais de cinqüenta anos; Zélia, por sua vez, acariciava com a mesma leveza a perna que ele cruzara ao sentar-se, e aquilo era uma coisa tão natural entre os dois, refletia uma intimidade e um entendimento tão grandes, que senti a garganta apertada de emoção.
A conversa correu leve e fácil. Os dois, agora, nos contavam de passagens de suas vidas e de suas famílias (naquele dia, seu filho João Jorge fazia 47 anos, e eles tinham comemorado com um almoço). Fomos interrompidos pelo telefone: um amigo de Portugal estava a ligar, e eles ficaram passando o telefone um para o outro, e conversando animadamente com o português como se ele estivesse ali junto. Depois, nossa conversa continuou, mas aí Jorge Amado lembrou-se de que tinha um recado para seu motorista, e chamou-o. Um simpático baiano apresentou-se, e recebeu a incumbência de ir buscar uma caixa de doces na casa de alguém que voltara de viagem ao Ceará.
- Vá depressa! - brincou ele. - Fulano é muito guloso, se deixar os doces lá por muito tempo, ele é capaz de comer todos!
Simples, brincalhão, de repente ele se lembrou que não nos oferecera uma bebida. Atrás de nós havia uma porta com um bar evidentemente super-sortido, e ele liberou:
- Vão, vão ali, peguem a bebida que vocês gostam! Não se acanhem, fiquem à vontade!
Não me servi, havia acabado de tomar o sorvete e não queria perder nenhum momento do que estava acontecendo; aí Jorge Amado resolveu nos mostrar a casa.
Com a simplicidade de um velho tio, ele nos levou por toda a sua casa. Conhecemos seu computador, especialmente adaptado para ele, que está com um sério problema de visão, o primeiro computador da sua vida, pois, enquanto enxergou bem, sempre usou a máquina de escrever. Ele quis nos mostrar como funcionava o computador, mas atrapalhou-se com os comandos - era evidente a sua saudade da velha máquina de escrever.
Andamos por toda a casa, até o quarto do casal nos mostraram, mas, sem dúvida, o mais impressionante de tudo, é uma biblioteca que existe na casa. E nessa peça que trabalha uma moça simpaticíssima, que é secretária do casal, chamada Rosani, e é ela que mantém organizados e encapados os livros que lá estão.
A sala é ampla e a biblioteca é bastante grande, e fiquei de boca aberta quando soube que tipo de livros havia ali. Naquelas prateleiras estava um exemplar de cada edição de cada livro de Jorge Amado em cada língua em que eles haviam sido publicados, e o meu coração brasileiro bateu forte ao ver o feito que um compatriota conseguira. Penso que, provavelmente, nenhum escritor vivo, no mundo, possa ter uma biblioteca como aquela. Os livros estão impressos em mais de 50 línguas e, se considerarmos que há línguas que são faladas numa porção de países, como o inglês e o espanhol, nossa cabeça dá um nó na hora de fazer as contas. Jorge Amado tirou da prateleira um livro ao acaso e o abriu: estava escrito em caracteres estranhíssimos, que com certeza não era o chinês, nem o japonês, nem o árabe - tratava-se, de certo, de alguma escrita asiática, e ele riu e fez um comentário sobre como se saber que tipo de tradução tinha sido feita do seu livro naquela língua da qual não entendíamos patavina.
Andamos, depois, ao redor da casa, vimos a piscina, embrenhamo-nos pela floresta até avistar o grande mar-oceano lá embaixo, e, coisa curiosa, por toda a parte havia sapos. Não eram sapos vivos, mas uma incrível coleção de sapos de pedra, de acrílico, de cerâmica, de todos os materiais, dispostos pelas calçadas e ao redor da piscina, presos ao chão com cimento, uma imensa coleção de sapos de todos os formatos e tamanhos como nunca julgara existir. Eram sapos de todas as partes do mundo, colecionados durante as muitas viagens do casal.
E, no meio da floresta, uma escultura de Exu, em metal negro, Exu, o orixá brincalhão, trazido há cinco séculos da África para o Brasil, e hoje um dos orixás importantes do candomblé brasileiro. Com muita graça, Zélia Gattai nos contou como explicara para o netinho a personalidade de Exu, recriou para nós um episódio familiar daqueles que sempre acontecem entre avós e netinhos, fez-nos crer que ela era uma avó quase igualzinha à qualquer avó.
Voltamos às varandas, passamos de novo pela escultura dos cachorros com que iniciei esta matéria, ele bateu de novo no cachorro que voltou a ser impulsionado pela mola que o colocou a furunfar, Zélia brigou com ele de novo, a simplicidade deles era uma coisa tão marcante que a gente se esquecia de que se tratavam de dois monstros sagrados. Zélia nos mostrou seus objetos de arte preferidos, e nunca me esqueço de uns vasinhos em vidro azul, que eles trouxeram do Irã; são vasinhos que as mulheres iranianas usam para recolher as lágrimas de saudade, quando seus maridos estão viajando. Ela nos falou, também, do seu primeiro romance, que ia acabar dentro de alguns dias, e eu a admirei ainda mais aos 78 anos, e a começar uma carreira de romancista!
Assim, conversando aqui e ali, passaram-se umas duas horas, e chegou um médico com o qual ambos faziam fisioterapia. Era hora de irmos. Fomos todos, de novo, para a mesa da sala, e Tânia e eu recebemos diversos livros autografados pelos dois. Enquanto eles escreviam suas dedicatórias nos livros, chegou de volta o motorista que fora buscar os doces. Era uma caixinha de madeira cheia de doces de caju, especialidade do Ceará, e, não perdendo a oportunidade de fazer uma brincadeira, Jorge Amado explicou ao médico:
- Sicrano me mandou três caixas de doces do Ceará, mas Fulano, que as trouxe, muito guloso, já comeu duas. Foi sorte termos salvado esta!
Ríamos enquanto ele abria a caixa. Fez questão que provássemos os doces de caju, comemos todos em conjunto, ele a elogiar o caju cearense, e o ambiente era alegre e descontraído como a casa da gente em dia de festa. Doía um monte, mas em seguida tínhamos que ir embora. Os sonhos não duram para sempre, e o nosso estava se findando. Efusivamente, Jorge Amado e Zélia Gattai se despediram de nós, para se entregarem às mãos do fisioterapeuta. E a gente foi embora. Mas nunca poderei esquecer.

Blumenau, 02 de março de 1996.
Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...