lundi 31 décembre 2012

FELIZ 2013 A TODOS!!


vendredi 28 décembre 2012

TERMINANDO 2012, FELIZ 2013!


Queridos amigos do Varal!


É com grande alegria que escrevemos esta última mensagem do ano para poder desejar a cada um de vocês mais uma vez um excelente ano de 2013!
Que venham novos tempos, onde os verdadeiros valores da literatura se sobressaíam e possam alçar voos pelos céus da cultura!
Que tenhamos menos interesse nos títulos e nas cerimônias e muito mais interesse na leitura e na escrita, na divulgação dos nosso livros entre aqueles que ainda estão longe de conhecê-los e aprecia-los!
Espalhemos nossa bela língua por onde possamos, por onde passemos, por onde pudermos ir! Sejamos poesia, nos transformemos em crônicas e contos, bailemos em trovas e haicais.
Que a literatura ganhe vida através de nossas mãos e coração!

O Varal do Brasil deixa com vocês as inúmeras novidades em nosso site: http://www.varaldobrasil.ch/index2.html
Também as mensagens, convites e muito mais em nosso blog: http://varaldobrasil.blogspot.ch/ (Você pode participar enviando seus textos, convites e etc.)
A revista especial sobre Natal e Ano Novo está para download gratuito aqui: http://www.varaldobrasil.ch/media//DIR_158701/c9f3d6432772e87cffff87f47f000101.pdf

Aproveitamos para dizer que estão abertas as inscrições para a edição de março da revista VARAL DO BRASIL com o tema MULHER, UM UNIVERSO.
Solicite nosso formulário de inscrição através de nosso e-mail (veja abaixo).

Estamos já consolidando a agenda para o 27º Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra (Suíça). Veja em abaixo nosso flyer de apresentação. Mais informações em nosso e-mail. (A agenda oficial será fechada no final de janeiro) pois as informações são passadas com muita antecedência para a organização oficial do Salão.

Na primeira semana do ano anunciaremos a lista completa dos coautores do livro VARAL ANTOLÓGICO 3 que será lançado em maio durante o 27º Salão do Livro de Genebra e entre julho e agosto no Brasil em cidade a ser definida. Também será entregue a revista de janeiro/fevereiro com o tema PLANETA TERRA E VIDA, a qual teve magníficas participações.

Mais uma vez, muito obrigada pelo companheirismo! Obrigada por nos ler, obrigada por escrever conosco!
Sem vocês, não existiria o VARAL DO BRASIL e tantas maravilhosas pontes não haveriam se formado e tantos frutos não haveriam nascido!
Obrigada, de todo coração!
Jacqueline Aisenman
Editora-Chefe
Varal do Brasil







lundi 24 décembre 2012

FELIZ NATAL! FELIZ 2013 AMIGOS DO VARAL!



Queridos amigos do Varal,

Tenham todos muita paz e alegrias nesta noite Natalina!
E que venha o novo ano trazendo para todos muitas oportunidades de sucesso e realização, emoldurados pela saúde e alegria de viver!
Obrigada pela companhia durante todo o ano de 2012, seja como escritores participantes, seja como leitores tão amáveis!
Nos encontraremos em 2013 novamente (a edição de janeiro sairá na primeira semana do mês com o tema Planeta Terra e Vida, aguardem!).

Um grande abraço amigo,
Jacqueline

*Este blog estará de férias durante a próxima semana, retornaremos no dia 02 de janeiro.
Mas você poderá continuar nos encontrando por aqui:





Uma sugestão de leitura para este Natal, nossa edição especial Natal e Ano Novo com muitas e belas mensagens para estas Festas tão especiais!


VARAL ESPECIAL DE NATAL E ANO NOVO! VARAL ESTENDIDO!
Comemorar as festas de Natal e Ano Novo é tradição que atravessa os tempos e penetra os corações. É a época onde se procura esquecer as desavenças e tristezas para colocar um foco no mais importante: o amor comum, aquele que toca a todos os cidadãos do mundo independentemente de credos e culturas.
Aqui do Varal do Brasil, esta revista eletrônica que há três anos vem singrando os mares da literatura, só temos a agradecer este ano de 2012.
Iniciamos o ano preparando o livro Varal Antológico 2, que foi lançado com muita alegria e sucesso em Brumadinho (MG), Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA) nos meses de maio e junho. E terminamos este mesmo ano preparando o livro Varal Antológico 3 que será lançado em Genebra (Suíça) durante o Salão Internacional do Livro e no Brasil em 2013.
Passamos pelo evento cheio de êxito que foi o 26o. Salão Internacional do Livro de Genebra, onde apresentamos a literatura brasileira e portuguesa para um público sedento de cultura e que foi receptivo e caloroso. Neste Salão pudemos ver que nossos livros, mesmo em Português, atravessam fronteiras. Muitos autores se apresentaram, se conheceram, se lançaram. O Varal do Brasil também é ponte!
Agora é Natal. Tempo de paz, de amor, de reconciliação. Tempo de deixar para trás o que possa ter sido dor e reivindicar da  vida mais esperança e realizações para o novo ano que chegará. Tempo de estender os braços e o coração e lembrar que precisamos amar todos os dias e que, só amando muito, poderemos ultrapassar as barreiras de duras realidades que muitas vezes se erguem entre nós e nossos sonhos.
Neste momento, tudo o que se pode desejar é que a VIDA volte a ter importância! Que o ser humano não esqueça dos seus semelhantes e nem da VIDA que o cerca em nosso Planeta. Que haja respeito e amor entre todos os seres. Que os sentimentos de paz e amor natalinos perdurem e preencham todos os dias do ano de 2013.
Quem escreve sabe: não há limites, não há fronteiras, não existe um verdadeiro fim. Então sigamos! Continuemos a escrever e a florir este mundo com nossas palavras.
Continuemos a caminhar juntos, vamos levar nossos sonhos onde for possível!
O Varal do Brasil deseja que em 2013 o sucesso e a realização pessoal estejam presentes em sua jornada. E que você, leitor, escritor, esteja sempre por perto para que possamos dar continuidade ao nosso projeto: Literário, mas sem frescuras!
Feliz Natal, Feliz Ano Novo!

Jacqueline Aisenman
Editora-Chefe da revista Varal do Brasil


Ou peça pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com 




FELIZ NATAL!


CONECTADOS/DESCONECTADOS


   (NATAL)
EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

“Mandei lustrar os instantes do tempo, rebrilhar as estrelas, lavar a Lua com leite e o Sol com ouro líquido. Cada ano que se inicia, começo eu a viver”
(Clarice Lispector– 1920–1977)

Será tudo apenas fugaz?
Há um presépio, um menino e sua mãe.
Um pai.
Não é preciso muito:
Eras – menino – a antítese do mercantilismo que invadiu corações e mentes.
Mas Ele esta aí – aqui, no domingo que nasce, no pássaro que canta, além das misérias tantas.
Tudo se evapora, tudo parece oblívio.
Mas não esqueçam: nasceu um menino.
E ele não precisa de espumantes, presentes caros, carrões, engenhocas eletrônicas.
Conectados na rede, mas desconectados com a vida: assim estamos?

Apenas, acumulamos, não unificamos.
Parodio Drummond; onde estás,  precária síntese?
Mas não esqueçam: há um menino, um presépio, um dia recém-fundado, um esperança – sempre.

Direitos humanos, uma verdade desconfortável


Por Elaine Tavares

Pode parecer um paradoxo, mas o fato é que o mundo precisou, há 64 anos, criar uma declaração de direitos humanos. Isso porque, ao final da segunda grande guerra na Europa, as pessoas perceberam, estarrecidas, que havia seres humanos capazes das coisas mais atrozes contra outros seres humanos. Foi o caso do holocausto judeu imposto pelo nazismo. Mas, não só isso, houve também o massacre de Hiroshima e Nagasaki, com a bomba atômica lançada pelos estadunidenses, num momento em que o Japão já estava praticamente rendido. E, em vários outros pontos do mundo também havia gente capaz de torturas e outras violências indizíveis. Então, todo esse terror fez com que a nascente Organização das Nações Unidas, criada em 1945, estabelecesse uma norma para evitar que as gentes no planeta seguissem sendo vítimas da violência e da dor. Assim, no 10 de dezembro de 1948, a ONU lança a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ali, os países membros assumiam o compromisso de garantir à família humana o direito de viver com dignidade, liberdade e paz. Também declaravam que esses direitos deveriam ser protegidos pelo Estado  sob pena de as pessoas serem compelidas, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão.
Assim, nos 30 artigos que conformam a declaração estão elencados os direitos que devem ser gozados por qualquer ser humano, seja ele branco, negro, amarelo, azul ou vermelho. Seja bom ou seja mau, pobre ou rico, ou de qualquer religião. A cada um deve ser assegurada a igualdade de direitos, a fraternidade, liberdade, segurança pessoal, igual proteção da lei, proteção contra a discriminação, garantia de um tribunal independente e imparcial quando responder qualquer acusação criminal, ser considerado inocente até que seja provado o contrário, proteção contra qualquer interferência na vida pessoal que signifique ataque à honra, direito de locomoção, à nacionalidade, a buscar exílio se perseguido, direito à liberdade de pensamento, opinião e expressão, direito à livre associação,  à segurança social,  ao trabalho, ao salário justo, repouso, lazer, alimentação, vestuário, educação, cultura.
A declaração também garante que ninguém pode ser mantido em escravidão ou servidão, ninguém pode ser submetido à tortura nem tratamento cruel, e ninguém poderá ser arbitrariamente preso. O texto, de certa forma, ampara a pessoa em praticamente tudo o que é essencial á vida. E mais, garante o direito de receber dos tributos nacionais o remédio efetivo para os atos que violem esses direitos fundamentais.
É com base nisso, portanto, que as famílias dos desaparecidos da ditadura militar  seguem exigindo do governo os corpos de seus entes queridos, entendendo, inclusive que eles não cometeram crime algum. Pelo contrário, aqueles que se levantaram contra a ruptura da ordem provocada pelos militares em 1964, estavam exercitando o seu direito inalienável de rebelião contra a tirania, como a própria declaração dos direitos humanos assegura. Naqueles dias em que o poder militar rasgava a Constituição e a própria Declaração dos Direitos Humanos, meninos e meninas, professores, camponeses, sindicalistas, militantes sociais foram presos, torturados, mortos ou desaparecidos. Sofreram as violências mais vis e muitas famílias sequer tiveram o direito de chorar os seus mortos. Os corpos nunca foram encontrados, não há sepultura, não há certezas. Só a dor profunda que, hoje, segue exigindo o direito humano de exigir do estado "o remédio efetivo para os atos que violaram esses direitos".

Aqueles que compactuaram com a violência e a tortura da ditadura militar, ou os que são capazes de desejar todas essas crueldades aos "outros" seguem disseminando o discurso de que os que padeceram sob o jugo do estado na ditadura militar eram bandidos. E se fossem, mereceriam a tortura? Cabe a um homem infligir dor a outro? Já não foi superada a lei do talião, do olho por olho, dente por dente? Pois parece que não, uma vez que a tortura e a violência seguem sendo praticadas nas prisões, nas guerras, e nas periferias.

É, porque também pode ser torturante não ter casa para morar, não ter comida, segurança ou um trapo para cobrir o corpo. Tudo isso é violência, da mais atroz. Mas, ao que parece, muitos dos que gozam da possibilidade de ter um trabalho, um salário, uma casa e vida digna, preferem imputar ao outro, ao que nada tem, a etiqueta de "vagabundo", "bandido" , "baderneiro", "terrorista" e, assim sendo, estaria liberado a ele toda a sorte de sevícias.

Mas, para os que militam pelos direitos humanos, mesmo o bandido, o vagabundo, o caído, ainda segue sendo humano e, portanto, merece ser tratado como tal. Seus crimes, se houverem, serão punidos. A violência, a tortura, a sevícia não trará de volta os que morreram, não mudará os fatos, não aplacará a dor. É certo que ainda é longo o caminho para a beleza, para um mundo onde não seja necessário que exista uma lei que puna aqueles que violentam seus irmãos. Só que enquanto esse tempo não chega, as famílias de desaparecidos, os sem casa, sem terra, sem trabalho, sem espaço no mundo capitalista, seguirão lutando, esgrimindo a lei, que é o que se pode ter agora.

E àqueles que insistem em achincalhar a luta pelos direitos humanos, dizendo que só se defende bandido, que fiquem alertas, porque como diz a canção do Chico, uma belo dia podem se ver na condição daqueles que tanto discriminam. A vida é uma roda, que gira sem parar, ora estamos aqui, ora ali, ora em cima, ora em baixo. Por isso, o melhor é defender a vida, seja de quem for, homens, mulheres, animais, plantas. Porque só vale a pena viver se todos a nossa volta têm vida plena. É bom para nós e para eles. Então, ainda que tantos não queiram, seguiremos em caravana no deserto dos amores humanos...

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre - www.iela.ufsc.br
Desacato - www.desacato.info
Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br

FELIZ NATAL DO HOSPITAL DE LAGUNA (SC)


Que, neste Natal, Jesus Menino faça transbordar de amor e esperança os corações, fazendo com que 2013 venha repleto de paz, saúde e realizações. Ao mesmo tempo, agradecemos a todas as pessoas e entidades que têm ajudado o Hospital da Laguna a cada vez melhor desempenhar sua missão de salvar e curar.

Direção, Administração, Médicos, Funcionários e Voluntários do Hospital da Laguna

*Presépio elaborado pelo Sr. Jairo Barcelos, na Capela do Hospital, fotografado por Maria de Fátima Barreto Michels 


Uma Árvore de Natal


MOR

Uma bela homenagem
Para ela que já partiu.
Com singela homenagem
Esta cena ela não viu.

Um registro pra história
Para seus filhos e netos.
Guardarem na memória
Era só o amor em tetos.

Para dela sempre lembrarem
De sua mais querida avó.
Por ela continue a rezarem
Que de todos era o xodó.

São José/SC, 22 de dezembro de 2012.

FELIZES FESTAS


MENSAGEM DE NATAL



MENSAGEM


É
Natal
novamente
onde estamos
e onde não estamos

Nas ruas
nas noites enfeitadas
o Natal chega
passo a passo
em cada dia de dezembro
E não há como fugir
já não há onde esconder
o encontro é inevitável
Há que se aproximar então
o coração aberto
o afeto dilatado
Deixar
se desprender de nós
fardos desnecessários
forjados impedimentos
e aceitar
Aceitar esta carga - condição de ser humano

 
É Natal
Há que se respirar
com novo fôlego
um outro ar
aqui
onde estamos
e onde jamais estaremos
o Natal nos transporta
como um barco incansável


É preciso deixar
esta água
fluir
é preciso aceitar
o mistério das fontes

Não podemos deixar morrer nenhum nascimento
                                                                
  Eunice Arruda

Com este belíssimo poema de Eunice Arruda,
eu lhe desejo um Natal repleto de alegria e paz.
Mary Castilho

dezembro de2012

dimanche 23 décembre 2012

PONTOS DE VISTA PARA UMA REFLEXÃO


Pequena não é a estatura dos homens,
mas a maneira de pensar de alguns;
grande não é a visão dos homens de negócio,
mas o ardor da bem-aventurança, daqueles que
laboram em prol do bem geral da Humanidade;
pobres não são os carentes do destino,
mas os que, em meio a tantas riquezas, não se enxergam
a si  mesmos verdadeiramente;
ricos não são os detentores de posses, mando e fortunas,
mas os que se descobrem a si mesmos na pobreza dos outros,
e dela fazem a razão para uma dedicação altruísta, imparcial;
jovens não são os filhos do tempo, que a manobra da vida
violentamente aprisiona, mas os poucos arrojados, destemidos
que , diante do clamor da vida insana, conseguem abrir o pórtico
para uma vivência mais alta, mais ampla;
velhos não são os que o peso dos anos curva,
mas aqueles que, independentemente da idade, vivem a dinâmica
massante da vida, sem poder incorporar-lhe algo novo, vivo, criativo;
inválidos não são os que apresentam limitações,
mas os operantes homens modernos que trabalham simplesmente a técnica;
fecundos, fartos e criativos não são os que manipulam a dialética do
mundo, mas os que laboram como o cientista espiritual que transforma a
mesa do seu laboratório num altar; e corajoso segue o caminho do grande
sacrifício ao nosso mestre Cristo Jesus.        
Assim, pequena, grande, pobres, ricos, jovens, velhos, inválidos, criativos,
são alguns pontos de vista que pedem uma reflexão sábia na contemporaneidade.

Gildo  Oliveira
Rio Verde, Goiás.
e-mail: oliveira.gildo@bol.com.br

FELIZ LIVRO NOVO


Compartilhamos uma linda mensagem para um lindo recomeço:


Quando 2012 começou, ele era todo seu. Foi colocado em suas mãos...Você podia fazer dele o que quisesse...Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração. Podia... Hoje não pode mais; já não é seu. É um livro já escrito... Concluído. Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e você não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance. Portanto, antes que 2012 termine, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado. Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler a você mesmo. Leia tudo...Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo. Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. Não, não tente arrancá-las. Seria inútil. Já estão escritas. Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue. Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo. Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o. Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador. Não importa como esteja... Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!
E, quando 2013 chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco
, todo seu, no qual você irá escrever o que desejar...

Que a Paz do Senhor abençoe o seu NATAL e de toda a sua família e... FELIZ LIVRO NOVO


 Leonia Oliveira

21 O MUNDO VAI SE ACABAR


Mais um ano que termina. Esse ANO 2012 todos esperam que termine no dia 21 de dezembro. São 8h10min, quase entramos no dia 22. Parece que a profecia não vai se realizar, faltam 3h50 é muito tempo, o mundo tem tempo para se acabar. Fico de olhos abertos esperando para ser testemunha do acontecimento caso ele se realize. Vou teclando e controlando o relógio, será que estarei escrevendo as ultimas palavras de uma era? Não consigo imaginar como é que esse mundo poderá se acabar de uma hora para outra. Não acredito nessa destruição instantânea, sou testemunha da presente e continua destruição terráquea. Já basta. Passaremos o 21 e veremos o que nos reservam as estrelas.
Olho muito para as estrelas tentando encontrar respostas para minha indagações. Tento  manter um contato telepático com as bichinhas e  a única resposta que obtenho é uma piscadela do passado. Respondo imediatamente desejando que encima dessa estrela estejam meu pai ou algum amigo que morreu e cujo espirito se instalou e pendura-se noturnamente numa das pontas de uma estrela nos enviando sinais estrelares, anunciando-nos algo de novo e bom. Sempre penso que ao morrermos nosso espirito nos deixa e parte em direção a uma estrela ou  planeta, levando consigo a aprendizagem que obteve nesta terra depravada. Nossa eternidade é o nosso renascimento em outro mundo e quem sabe um melhor mundo. Seremos mais perfeitos de espirito e teremos outros valores. Seremos capazes de compreender o sofrimento do outro, evitaremos que nosso próximo seja a mira da nossa ira, dividiremos o pão com nosso irmão e seremos desprovidos de ódios e maldades. Um segurança partir dessa para melhor!.
São 12h01 a terra não acabou, não estamos ainda sentados nas estrelas.
Passou o 21 não consegui manter os olhos abertos por muito tempo, dormi forte, dormi bem. Acordei tarde fiz minha toalete. Uma boa parte dos doentes desse hospital, os paraplégicos, os cancerosos, os que conseguem caminhar com a ajuda de aparelhos, os diabéticos amputados, os doentes neurológicos e eu que dos males tenho o menor, porque consigo mexer os braços normalmente e dar alguns passos livremente, nos encontramos no refeitório desse departamento de neurologia. Cruzei com os colegas de infortúnio e ainda percebi um leve sorriso no rosto dessas vitimas do azar, apesar de todos parecerem tranquilos e continuarem a procurar a cura para as suas desgraças. Ao chegar aqui deparei-me com muita miséria, a miséria da fragilidade do corpo humano, tão expostos a doenças violentas. Um bom lugar para se criar esperança o hospital, aqui todos lutam com vontade para afastar o sofrimento e mesmo o mais frágil aceita os tratamentos mais pesados na esperança de acrescentar mais  alguns dias ao seu calendários, esquecendo, assim, as próprias fraquezas. Aqui podemos comparar-nos e se olharmos com um olho mais analítico  e mais altruísta concluímos que nossa miséria é na verdade uma riqueza . Ter dos males o menor é algo que pode ser considerado um presente da vida. Trinta dias dentro de quarto esperando , esperando o trem passar e poder subir sem auxilio e sem medo.
Os preparativos do Natal continuaram a acontecer la fora e o único sinal de festa se apresentou la pelo dia 18 de dezembro quando colocaram uma decoração natalina nos corredores e uma arvore de natal no refeitório. Par nós  os doentes que continuamos aqui a levar agulhadas, a medir a pressão e temperatura diariamente. Não participamos das festividades, nem vimos as luzes da cidade. Meu natal foi anulado mas sairei à noite para festejar com a mana , minha filha, maridos e filhos. Tudo ao contrário  do meu projeto de montar um “sapin” , arvore de natal, em casa com a família  toda reunida. Mas assim como é a vida, a vida é. Não fiz meu natal, não vi luzes, não vi bolas coloridas só vi as azuis que estão penduradas no hospital, não comprei meu presentes. Mas já estou pensando numa maneira de festejar quando sair daqui. Porque no meio disso tudo posso dizer que durante um mês tive um Noel excelente, tive meus  amigos que não me deixaram de escrever e de me visitar de me trazer flores, chocolates, cartões, biscoitos, frutas, bolos. Para que mais que isso, eles me deram tudo eu dei apenas preocupação. Por isso não posso deixar de amar esse povo todo que me cerca e a quem sou agradecida por me fazerem companhia.
Um Noel (Natal) requer mensagens, votos de um novo ano pleno de felicidade e amor, sem deixar de constar nos cartões a velha “muita saúde” como se a saúde fosse estabilizada sob o peso de tantos votos e proporcionaria a vida eterna, matando em seguida  a própria morte. Sem  ser mórbida, apenas realista, mesmo que desejemos mil “ boa saúde” nossa saúde é frágil e exposta à surpresas. Não adianta fechar os olhos e se imaginar imune, todos seremos abordados pela fragilidade do corpo. Não vou desejar boa saúde no Natal isso não vai te proteger. Mas talvez seja melhor nos prepararmos para continuar nossa existência quando passarmos para o outro o lado e finalmente habitar em um planeta especializado em gente de bem.
Por isso  desejo que a paz que desejas aos outros seja verdadeira em teu espirito; que a bondade que cobras dos outros parta primeiro de você mesma e de mim em primeiro lugar; que o perdão tão difícil de ser concedido saia do seu peito e do meu como a agua que corre num rio; que transforme o ódio em compressão, tenho que lutar contra esse germe devastador; deixe o amor para o fim quando todos esses sentimentos mesquinhos abandonarem o teu corpo e também o meu espirito. Desejo que consigas fazer uma revisão da tua alma limpe-a e cristalize teu espirito proteja-te das mesquinharias mundanas para seres recompensada com paz e a segurança de poder avançar em direção a tua  estrela libertadora. Desejo mais ainda, que possamos nos encontrar  e tomar café na ponta de uma estrela para mandarmos luz à essa terra plena de medos e pavores e quem possamos ajudar mais eficazmente nossa família e amigos.

Depois de toda verborreia, agora posso dizer Feliz natal, e obrigada amigos e família por vocês existirem na minha vida.

Sejam fortes para enfrentar tudo o que possa vir pela frente. Bom 2013.

Valquiria Imperiano

Poema de Natal


Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Dizem que altos anjos
Da Divina hierarquia,
Na verdade, casulos de luz
-Pura energia criadora
Desceram de outras dimensões
Para apreciar um nascimento
Muitíssimo essencial...
Dizem que flocos de neve
Caíram das alturas
Cada um mais especial
Com formas que jamais se repetiram...
Dizem que o ar ficou de tal maneira
Perfumado de rosas e jasmin
e embriagou os passarinhos
-Que mais docemente cantaram
E girandolando voejaram
Saindo a anunciar
O evento anunciado
Que acabara de acontecer...
Dizem que uma alegria intensa
Se apossou dos pastorinhos,
-Pensaram então fazer parte
Da corte de um certo rei
E se sentiram comovidos,
Não de ouro e prata vestidos
Mas vestidos de Alegria
E canções de ninar entoaram
Louvando a chegada do Menino...

E é por isso que até agora
Quando chega o Natal
Também vestimos a alma
De cores especiais
E a nossa voz se eleva
Para acima de qualquer treva
E desejamos a todos
Votos de tantas coisas
Boas de acontecer...

Quem disse?Quem contou
Essa história às pessoas aqui da Terra?
Ora, os bardos, com a Poesia
Dos que precisam de Luz

Dos que necessitam de esperança
E querem levar alegrias
Pelo menos uma vez ao Ano
Para que os homens não desistam
De renovar seus sonhos
E de aproximar os que sonham...



...E agora,plenificada
de Amor, quem vos reconta,
sou eu:no colar dos contadores
mais uma conta que conta
mais uma ponta que canta...



Fonte:http://www.casadacultura.org/Literatura/Poesia/g02/Poema_Natal_Clevane_Pessoa.html

Retribuo os votos e envio os meus , de AMOR< PAZ e ALEGRIA para o Natal e Reveillon, a todos os confrades e confreiras, amigos (as), familiares !



Paz et LUX

Grande abraço

Clevane Pessoa

CARTÃO DE NATAL DE IARA ABREU


samedi 22 décembre 2012

PONTO DE ULTRAPASSAGEM


Em princípio, não esperes...
Procures auxiliar, sempre,
À medida que socorres os carentes
Algo adverso se reconcilia contigo mesmo.
Avança sempre em socorro do irmão que sofre,
Não esperes alguém sinalizar que um infortunado
Aguarda auxílio ao longo do teu caminho,
Estejas sempre de prontidão para tu mesmo identificar
O desolado, o faminto, o oprimido em qualquer situação.
Clareia os pensamentos, abençoando os que sofrem,
Os que o Destino depositou em teu caminho,
Mesmo que suas chagas te custem um desdobramento
De atenção ilimitada e um desgaste imensurável.
A paz e a bem-aventurança são patrimônios do coração
Na razão única e altruísta de serem conquistas
No campo social através da doação e do reto servir.
Olha a Natureza se regozijando com a evolução humana,
E mesmo sem o dom, da ‘ fala’, ela se expressa às almas
Sensíveis, que podem ouvi-la na solene linguagem divina
Do criador perene.
O Sol brilha não apenas no Céu, mas também na consciência
Clara, que leva os pensamentos luminosos ao coração;
Neste o Cristo recebe a luz de Micael; e juntos, a luminosidade
Da sabedoria celestial  de Micael e a calorosidade do amor puro do Cristo
Abraçam o peregrino e lhe desejam um bom dia; Bom –dia!
Tudo é aproveitável, tem sentido; cada segundo nos permite
Aprender mais; cada silêncio franqueia ao homem a ocasião
Para preencher-se a si mesmo com uma nova sabedoria de vida;
Cada novo ato verdadeiro alcança a aquiescência do Cristo
E se torna o farol-guia para  nossas novas ações.
Sorria sempre, pois o sorriso é o grande instrumental,
 e o ponto de ultrapassagem de cada limitação para uma
nova concepção de vida, de consciência e de ser,
compreensão esta centrada doravante  no Cristo Jesus.

Gildo P. Oliveira
Natal de 2006, RIO VERDE, GOIAS.
Integra o livro  A BUSCA DA FERRADURA DE OURO, A ANCORA E A CHAVE
Editado em 2012.

Que venham dias lindos.... (Texto de Natal de Elaine Tavares)


farejando auroras...
por elaine tavares
E então já está por aí o natal. É o que me diz a televisão em promoções a granel.  Já, para mim, essa não é uma data de presentes e compras compulsivas. É o aniversário de um dos meus deusinhos:  Yeshua, Jesus. Digo deusinho porque não arrogo a ele poderes sobrenaturais. O vejo assim, homem, cheio de dúvidas sobre seu destino, a clamar pelo pai na cruz. O vejo menino, a questionar as leis juntos aos velhos encarquilhados em certezas ultrapassadas e aprisionantes. O vejo jovem, a arrancar os outros de seu conforto, propondo a ilegalidade e a rebeldia. Gosto demais desse Jesus arrogante, a expulsar vendilhões do templo, denunciando-os e apontando-lhes o dedo. Encanto-me com o Jesus que se coloca diante do poder e, arriscando morrer, levanta a cara e diz ao ser acusado de ser deus: “assim o dissestes”. E se entrega ao juízo do povo, mesmo sabendo que esse mesmo povo que ele tanto amou, o vai abandonar, preferindo Barrabás. É esse guri que eu espero nas noites de natal. Aguardo, cheia de esperança, que ele renasça nos jovens que vejo andar por aí a fazer a luta, a questionar as leis, a apontar os vendilhões, a demolir as certezas de um sistema que mata e exclui.
Sei também que a data do natal está conectada a tempos ancestrais, celebrados desde as eras imemoriais por todas as culturas da terra. O solstício de verão, o começo de uma nova estação cheia de beleza e luz. Sei que era nesse dezembro que as gentes de outros tempos dançavam sob o fogo, cantavam e esperavam que a vida revivesse e a roda do mundo seguisse seu curso no rumo do bem-virá. Por isso, gosto também de me perder nessa esperança do povo andino, o Qhapac Rayme, e oferecer alimento a mãe-terra, Pachamama, confiando em suas bênçãos e na vida que brota. É alimento, e faz com que eu veja que as coisas sempre nascem, do nada, da dor, da desesperança, da desilusão. Há sempre um reviver. Isso é o natal, essa data mágica de todas as fés.
Então, quando chega esses dias de natal, gosto de celebrar. Um pouco como as culturas antigas, um pouco como as da minha gente ancestral, mas, nascida e criada na herança cristã, também me apetece compartilhar com meu deusinho o dia do seu nascimento. Porque Jesus, como tantas outras divindades de tantas outras religiões, nasce no dezembro, perto do solstício, essa noite curta que promete vida, e nada mais. Tão simples, tão densa. E, nesse 2012, ainda mergulhada nas interpretações das lendas maias, de fim de um longo tempo de escuridão. Porque é disso que falam os maias. Fim de uma era, começo de belezas... Talvez, como dizem os andinos, o começo de um novo pachakuti, uma virada de pernas para o ar de tudo que há. Outra lógica, outra forma de viver no mundo. Quem nos impede de crer? E de lutar por isso?
Assim, este ano, nessas semanas que antecedem o natal, o fim da era maia, o novo pachakuti, vou adentrar pelas noites, farejando a vida. Que ela venha, pelas mãos dos velhos amigos, e na caminhada dos novos, que chegam agora e já se comprometem com tanta força. Espero-te meu deusinho, assim como espero todas as divinas criaturas capazes de brotar fogueiras em mim e em todos os que amo! Porque acredito que não há escolhidos, eleitos, nem deuses que são maiores que outros. Toda a crença do homem, inventada para sustentar seus terrores, remete a uma única e abençoada certeza: de que somos uma raça frágil, que necessitamos uns dos outros, e que estamos procurando, juntos, a terra sem males.
Então, desde o 21 de dezembro até o natal, que se dance pelas ruas, como dizia Nietzsche, e que seja tudo pelo bem das gentes. Todas as gentes, com todos os deuses e deusas... E que brote o amor, esse sentimento revolucionário, e que se mude a vida...

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre - www.iela.ufsc.br
Desacato - www.desacato.info
Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br


CRÕNICA DA URDA


Hoje encontrei o Natal


(Escrito em 2008, logo após a Tragédia das Águas que assolou Santa Catarina)

                                   Hoje encontrei o Natal. Meu cachorro me acordou antes da hora costumeira, seis e pouco no relógio, e saí com ele para dar a volta matinal. No portão aqui do nosso abrigo de flagelados passava um homem empurrando uma bicicleta e levando uma cachorrinha presa por uma corrente.
                                   No primeiro momento, só vi a cachorrinha, amizade certa para o meu cachorro, e os dois pularam um no outro e se lamberam, e o dia começava prometendo ser bom. O homem perguntou:
                                   - A senhora sabe qual é o caminho que se deve tomar para se chegar à BR 470?
                                   Eu disse que ele estava certo, que era seguir sempre em frente aquela rua, que ele acabaria chegando à BR 470.
                                   - E lá vai dar em Guaramirim, não é mesmo?
                                   Não, não era mesmo. Para Guaramirim havia que se tomar a rodovia Guilherme Jensen, e lhe expliquei como fazer, onde entrar.
                                   - Mas não dá para ir pela BR 470?
                                   Para Guaramirim não dava. Prestei mais atenção no homem, um dos tantos andarilhos que circulam por nossas estradas nestes tempos estragados pelo neoliberalismo, apesar de agora já estar mais que comprovado, lá nos centros de poder, que o neoliberalismo não passava de uma falácia das piores, simples estrangulador de pobres para encher cofres já abarrotados de ricos.
                                   O homem da manhã estava incrivelmente sujo e coberto de feridas, com dois abcessos abertos nas bochechas. Havia muita crosta e muito pus em muitos lugares, e cobrindo tudo, a grande crosta de pó que é vestida, atualmente, quando a gente se locomove pelas ruas ou estradas da minha região, depois que secaram os mares de lama oriundos do derretimentos dos morros. Um executivo que saísse a andar por aí de bicicleta acabaria com a mesma crosta de pó – só não teria as feridas e os abcessos. Fiquei pensando: seria uma doença, ou seria falta de determinadas vitaminas? Talvez fossem as duas coisas; talvez fossem algumas doenças; quem garante que os abcessos nas bochechas não proviessem de terríveis dores de dentes que aquele homem sorridente com sua cachorrinha tivesse tido só e desamparado, nos escondidos de passar a noite que ele devia conhecer? Aí ele me disse:
                                   - Mais para frente há acostamento? É que meu braço está quebrado em dois lugares, e está difícil tocar a bicicleta. Com acostamento fica mais fácil...
                                   Só então reparei no gesso do braço esquerdo, tão coberto de pó e sujeira que a gente nem prestava atenção.
                                   Sim, haveria acostamento mais para a frente, e fomos conversando, e os cachorros foram correndo, e eu lhe mostrava as muitas feridas nos morros, de onde a minha cidade sangrara como nunca havia sangrado antes, e as casas que já não existiam, e outras casas que haviam ficado enterradas na lama até a altura da metade das janelas...
                                   - Quantos quilômetros o senhor faz por dia, com essa bicicleta?
                                   - Dá para fazer uns 80...
                                   - E a cachorrinha anda isso tudo?
                                   - Não, ela vai aqui no engradado...
                                   Havia um engradado de plástico amarrado no bagageiro da bicicleta, onde o homem carregava seus bens. Não olhei muito, só reparei que havia uma garrafa de dois litros quase cheia de água.
                                   A cachorrinha tinha se animado demais, andava fazendo umas incursões para o meio da rua, e ele temeu por ela. Puxou-a pela correntinha, colocou-a no engradado, onde ela ficou, toda faceira e feliz, sem nem se importar com a interrupção das brincadeiras que fazia com meu cachorro. Ela amava profundamente aquele homem, morreria por ele. E ele me contou:
                                   - Era uma filhotinha jogada fora. Encontrei-a perdida numa rua de Navegantes. Está com quatro meses. 
                                   Conversamos rua afora, e fui descobrindo que aquele homem entendia de todas as estradas e cidades do sul do Brasil.
                                   - Em Barra Velha – contou-me – há uma mulher que tem doze cachorros. Todos grandes. Ela os acha na rua e leva para casa. É uma mulher de coração muito bom. Gasta mil reais por mês, só de ração.
                                   Eu me admirava.
                                   - Lá em Itajaí a enchente foi terrível. Eu vi como as casas de madeira ficaram imprestáveis. Mas a senhora tem certeza de que para ir a Guaramirim não tem que pegar a BR 470?
                                   Eu tinha. Perguntei-lhe o nome. Era José Aparecido e já não lembro o sobrenome, que ele tinha um singelo orgulho de ostentar, como quem tem um último bem que não pode ser roubado por nenhum neoliberal.
                                   - Em Guaramirim eu tenho amigos! – ele me contou, como um segredo de enorme valor, e me fez lembrar de Saint-Exupéry.  Eu estava mesmo bem curiosa para saber o que ele ia fazer numa cidade pequenininha. – Já trabalhei seis meses em Guaramirim catando papel, tenho amigos lá. Os meus amigos de lá fazem festa de Natal! No ano passado teve até chope!
                                   Pronto, estava explicado! Fiquei com um bocado de vergonha desta dor que há dentro de mim, que está me impedindo até de ouvir música de Natal, quando ela aparece sem querer.
                                   Ele contou-me outras coisas, sobre os três carrinhos de catador que já tivera; sobre as diferenças de preços de latinhas vazias que existia em Blumenau e em Curitiba – agora só tinha a bicicleta e a cachorrinha, que ia que ia montada na garrafa de água do engradado.
                                   - Mas a senhora tem certeza de que para Guaramirim não tem que passar pela BR 470?
                                   Garanti-lhe de novo, dei mais indicações do caminho. Perguntei:
                                   - Como é a festa de Natal em Guaramirim? Tem galinha assada?
                                   - Tem de tudo, dona. Tem carne, tem maionésia, tem chope! Tem até as mulheres que trabalham lá! – ele não disse da fraternidade que deveria ter, do consolo dos braços amigos, que sabe do reencontro com alguma antiga namorada, mas tudo estava implícito na intensidade da emoção dele.
                                   Eu deveria voltar, já fora longe demais pela empoeirada Rua das Missões, onde íamos caminhando, e via meu cachorro de língua de fora. Disse-lhe:
                                   - Tenho que ir. Meu cachorro já está com sede.
                                   Então, a galanteza maior de todas que ele poderia ter feito:
                                   - Mas tem água aqui na garrafa, dona. Pode dar para o cachorro.
                                   Sei bastante da vida dos andarilhos deste mundo para saber que não conseguem água com facilidade, que muitas vezes são apedrejados quando se aproximam de alguma casa para pedir água, pois as famílias pensam que eles vêm para lhes roubar as crianças. Aquele homem de abcessos nas bochechas e esmagado pelo poder do Capital dividia sua última riqueza sem nem pensar. Então me senti pequena e mesquinha diante da grandeza dele, e fiquei com vontade de chorar. Antes que o fizesse, despedi-me, e ele me apertou a mão sem nenhum constrangimento pelas feridas supuradas, com a galhardia de um rei.
                                   - Boa viagem para o senhor! Não esqueça de virar à direita onde lhe ensinei!
                                   - Feliz Natal, dona! É uma pena que a conversa já está acabando tão cedo! É muito bom viajar quando a gente pode ir conversando!
                                   Em Guaramirim, vai haver um grande Natal! É uma notícia muito boa. Será que aquele homem não era um dos reis magos e não estava encardido assim por ter atravessado os desertos bíblicos?
                                   Feliz Natal, José Aparecido! Aqui, choro de emoção por ter encontrado assim o Natal!

                                                           Blumenau, 14 de Dezembro de 2008.


                                                           Urda Alice Klueger
                                                           Escritora.

MENSAGEM DE FERNANDO ABRITTA


MENSAGEM DA ABEC


Caros associados e amigos, queridos alunos

Desejamos a todos um Feliz Natal e um ano novo cheio de esperança!



ABEC
Associação Brasileira de Educação e Cultura
Brasilianischer Verein für
Bildung und Kultur

Kurse in heimatlicher Sprache und Kultur
HSK-Schulkoordination
Konradstrasse 1
CH-8400 Winterthur
052 203 10 17
Email: hsk@abec.ch
Durante as férias de natal e ano novo, a secretaria permanecerá fechada.


ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...