samedi 31 août 2013

ENDEREÇO

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA
PARA OS BLOGUEIROS DA ILHA

 Perdi (perdemos) o endereço de Deus.
Perdi (perdemos)?
Estará no bolso da calça, na segunda gaveta, no trapiche da Praia de Fora,
no   Parque da Redenção, na Praça Castro Alves, na esquina  da São João com
a   Ipiranga?
Perdi o endereço de Deus.
Estará escondido na clandestinidade, dormindo em quartos com cheiro de mofo – Neocid
para  as pulgas –, ou nos interrogatórios no DOPS?
Nas fugas apressadas?
Perdemos o endereço de Deus,
E  temos todos os aparelhos  eletrônicos,
da  China, do Paraguai, do Estados Unidos.
E sempre quereremos mais, mais,
cerveja  gelada anunciada pela loira gostosa, o carrão com a estrela da TV,
o  último produto – ansiedade perpétua, e continuaremos ansiando:
 e quando  chegar a noite, desmoronaremos.

Mamãe no fogão de lenha – tainha frita.
Papai – terno preto, chapéu, relógio de algibeira – vai ao mercado.
Turíbulos, matracas, incenso, a catedral escura: é tempo da Paixão.
(Das paixões).
Alfredo David sorri e toca na barba, Pepe gargalha e também ri,
Faço um acampamento com o Marcelo, Letícia organiza um encontro de família
Giocondinha  e Luiz fazem um brinde,
Patrícia oferece um café,
José escreve um artigo – óculos fundo de garrafa.
Cassinha – com aqueles olhos azuis – abre os braços e me beija
 quer  todos na  mesa  para o lauto almoço,
Tio Luizinho abraça mamãe.
E lembro o poeta: ”Nós, que vamos morrer,exigimos um milagre”.
Vulneráveis, tão mortais, e o mar nos espera.
O tempo de Deus não é o nosso, diz Miriam,
Cida faz um rosbife, Adélia borda, Terezinha prepara um piquenique,
Dorinha  convida para  o churrasco domingueiro,
Lourdes me dá um dinheirinho para a o cinema de domingo,
Ondina reza, Gracinha vai para o convento
(quero abraçar todos os meus irmãos homens),
ah, tantos domingos
Cine São José, Cine Rox, Cine  Ritz,
empadinha  com guaraná-caçula
na  Gruta de Fátima.

Perdemos o endereço de  Deus.
Peregrino para achá-lo:
estaria escondido em Brusque?
Vou atrás: pensões, viagens, portos, trens,
Paris, Berlim, Belém.
 Estaria Ele escondido na Igreja São Francisco,
em  Salvador?
No meio daquele Barroco, não consigo não chorar.
Ando, vejo o mar, o Pelourinho,
lembro de todos os pés que ali pisaram,
escravos gemendo,
Getúlio dá um tiro no coração, Jânio renuncia,
Jango enxuga o rosto,
Golpe Militar– foram 21 anos de minha vida.
Um arco- íris, uma gaivota, o “Miramar”,
Colégio Catarinense, um poema, Segunda Época em Matemática,
Padre Werner me confessa e me pacifica.
Onde encontrarei o  endereço?
Deus, Deus, Deus!
Estará no paletó que deixei na lavanderia?
 E espero – como se estivesse no SUS de todos os aflitos,
num  INSS  onde os peritos sempre  indeferem  os pedidos.
E escasseia o tempo,
Breve encontraremos algo – sim, encontraremos algo.
Deus, Deus, Deus:
sorrio,  pois  posso Contemplá-lo na Clarice –  engatinhando pela casa,
no  Lucas– sorrindo no berço,
é maio   na Ilha,  outubro em Brasília – e começam as chuvas,
em Salvador  contemplo  a estátua do poeta Castro Alves,
e  –  sempre  – o mar.
Célia sorri para mim – amor.
A luz que emana dessa manhã, seguirá comigo – para sempre.

“Há um caminho por onde passo/e outro que passa por mim//Um anda por meus passos/e não tem fim.//O outro é onde meus passos/perderam-se de mim.” 

A VIDA DE QUEM MORRE E A MORTE DE QUEM VIVE

Nazaré, 28-04-1974

Por Gilberto Nogueira de Oliveira


O moleque corria
Pela estrada abaixo.
Ia chatear as mulheres,
Que iam apanhar água
Numa fonte distante,
Para matar a sua sede.

O moleque muito atrevido,
Levantava-lhes a saia
E nada via,
Exceto pernas.

Perna ele tinha,
Via a qualquer hora.
O moleque queria
Era ver outra coisa.
Não sabia o que,
Não sabia explicar,
Não entendia dessas coisas.

Certa vez o moleque,
Andando pelos matos
Viu o que desejava.
Viu uma mulher nua.
Escondeu-se entre os arbustos
E se pôs a observar.
Sentia medo
Mas, era atraído por ela.
Talvez achasse esquisito
Mas, digno de olhar.
Quando sem esperar,
A mulher o descobriu 
E a ele chamou.
E o moleque foi lá,
E a mulher o abraçou,
E o moleque viveu,
E o marido chegou,
E o revolver puxou,
E o moleque morreu.

Morreu sim!
E que morte!
Morreu conhecendo a vida,
Que foi uma glória
Para um moleque como ele,
Que viveu conhecendo a morte,
Que morreu conhecendo a vida.

 

Crônica da Urda

As Armações de Baleia
                                  


Fico pensando nas muitas Armações que existem pelo litoral brasileiro. Eu só conheço três: a de Itapocoroy, a do Pântano do Sul e a de Garopaba (lá em Garopaba já não se usa a palavra Armação, mas tanto quanto sei, houve uma naquela enseada). Normalmente, são lugares muito bonitos e aconchegantes, e eu imagino a maioria de vocês a perguntarem: “Por que é que se chamam Armação? O que quer dizer Armação?”.
                                   Vamos ver isto. Lá pelo século XVIII e XIX, a iluminação da Europa (e de outros lugares) era movida a óleo de baleia. O óleo de baleia vai perder a sua importância com a descoberta da querosene, o que, por sorte, salvou as baleias que ainda teimavam em viver num mar coalhado de seus caçadores. E o lugar onde se “fritava” a baleia (claro que depois de picá-la toda em pedacinhos), eram grandes construções industriais que se chamavam Armações.
                                   Não pense você que alguma dessas Armações trouxe algum progresso ao Brasil – todo o dinheiro produzido por causa delas ia diretinho para os cofres de Portugal, não ficava nem uma moedinha aqui para a terra de Santa Cruz. O que ficou foram ossos, muitíssimos ossos de baleias que ainda restam nos jardins das casas das antigas Armações, e a lembrança levantada recentemente por uma pesquisadora da UNIVALI, Alejandra Luna, que descobriu que até a década de 1950 ainda se caçavam baleias na praia de Barra Velha/SC, e foi lá e pesquisou com os velhinhos, e nos trouxe uma realidade que me deixou pasma ao ler sua pesquisa, publicada numa das revistas daquela universidade. Segundo contam os moradores de Barra Velha, a morte de uma baleia pesteava totalmente uma praia por semanas e meses: o óleo da mesma se entranhava na areia, e tinha que haver muita e muita maré cheia e ressaca de mar para revolver e limpar a areia, sem contar que a quantidade de carne de um bicho enorme daqueles não tinha como ser comida por pessoas e cachorros das pequenas populações de então, e acabava apodrecendo, e deixando no ar o cheiro mais pestilencial que se possa imaginar. Então, uma Armação não era uma coisa tão idílica como eu havia pensado até então – outro relato que li me contou dos grandes tachos onde o toucinho da baleia era fervido, das emanações da fumaça acre, mal-cheirosa  e quentíssima, dentro da qual trabalhavam os escravos que ali passavam suas vidas.
                                   Pois é, os escravos. De tudo o que tenho lido a respeito deles na vida, com certeza a pior sina que tinham eram a de ser trabalhadores das Armações. Para dar conta dos pesados serviços de lá, eles eram escolhidos entre os mais jovens, os mais fortes, os mais capazes. Então, iam para uma das Armações, e como que lhes era sugada toda a sua seiva vital: trabalhavam até já não ter mais nenhuma força, nenhuma vitalidade, e então eram abandonados como que à deriva, nas imediações das Armações, sem comida, sem nenhum tratamento, e ficavam à espera da morte. Se algum mortal resolvesse lhes fazer a caridade de alguma comida, de algum abrigo, eles poderiam considerar-se com sorte – a grande empresa Capitalista que era a Armação, porém, agia exatamente como age o Capitalismo hoje: não estava nem aí! E havia outro agravante para a péssima qualidade de vida desses escravos: eles iam para a Armação enquanto jovens e cheios de saúde, e por toda a sua vida não tinham, nem uma vezinha, a possibilidade de algum contacto com alguma mulher. Há que pensarmos que um ou outro acabasse se agradando de algum outro bonito e saudável rapaz, e então preenchesse no coração a sua cota de emoção e carinho – mas a grande maioria, como em qualquer sociedade, deveria passar a vida ansiando por ter uma mulher para si. É difícil a gente imaginar vida mais ruim, não é? E eles não tinham a menor escolha.
                                   Então, hoje, freqüentamos as Armações e achamos tudo lindo, por lá. Os fantasmas dos nossos irmãos escravos, a estas alturas, já voaram para muito longe, para plagas melhores, e nós nunca nem pensamos que eles existiram. E comemos camarão com caipirinha sem o menor peso na consciência., naqueles mesmo lugares onde no passado houve o horror!


                                               Blumenau, 14 de maio de 2004.       


                                                Urda Alice Klueger

                                                Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR

vendredi 30 août 2013

VARAL E SUAS ATIVIDADES! PARTICIPE!

- Participe da revista!
ü  Até 25 de setembro estarão abertas as inscrições para a edição de novembro, com tema livre Até 25 de setembro estarão abertas as inscrições para a edição de novembro, com tema livre; sairá no final de outubro.

ü  Até 25 de outubro estão abertas as inscrições para a edição especial Natal e Ano que sairá no final de novembro.

- Participe do blog!

Envie textos, divulgações, convites! 

- Participe de nossa antologia que será lançada em Genebra, Suíça!



- Participe conosco do 28o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra/Suíça!



Crônica da Urda


                                   AS VINHAS DA IRA



                                   O grande escritor estadunidense John Steinbeck, no seu incomparável livro “As vinhas da ira”, já em 1939 contou, nos menores detalhes, a história do nosso MST (há um filme, também). Vejamos o que diz ele no capítulo 4 desse alentado livro:
                                   “(...) Nosso avô tomou conta destas terras e ele teve que lutar com os índios e expulsá-los daqui. E nossos pais nasceram aqui e tiveram que matar as cobras e arrancar as ervas daninhas. Depois vinha um ano ruim, e eles tiveram que fazer empréstimos. (...) E nosso filhos também aqui nasceram.(...) Um banco não é como um homem. Um banco é um monstro. (...) Queremos morrer aqui quando chegar a nossa vez de morrer. É isto que dá direito de propriedade, e não simples papéis, documentos escritos, cheios de números. (...) Os homens fizeram os bancos, mas não os sabem controlar. (...) Talvez a gente possa matar os bancos, eles são piores que os índios e as serpentes. (...) Nós podemos pegar nas nossas armas, como nossos avós fizeram quando vinham os índios. Podemos, sim.(...) Vocês serão presos se insistirem em ficar, serão mortos...(...) Mas para onde podemos ir? (...)”
                                   Para quem se interessou, o meu exemplar tem 565 páginas em letras miudinhas. E sei que criou um escândalo nl.os Estados Unidos, quando foi publicado. Talvez porque contasse a verdade dos pobres, aquela que convinha à elite esconder. Porque não fica bem o mundo saber que lá no centro do poder também há gente tão sem terra quanto aqui. E nem fica muito bem a tantos de nós, descendentes de imigrantes, admitirmos que descendemos dos Sem-Terra da Europa. E então, tantos de nós, achando-nos seres superiores a estas coisas de pobreza, julgamo-nos no direito de criticar e condenar a esta gente cuja única esperança é a organização, a esta gente que perdeu sua terra, e que estaria morta ou mendigando, não houvesse  o MST a aglutiná-la e a lhe dar forças para sobreviver. E cansamos de ver os nossos pares chamando a gente do MST de malandra, vadia, e por aí afora.
                                   Temos, agora, aqui no Vale do Itajaí, o nosso primeiro acampamento do MST. Já estive lá, já conheci as pessoas, já vi a extrema pobreza material em que vivem, mas também vi o tamanho da esperança que têm. Aconselho aos que criticam irem lá darem uma olhadinha. Não entro nos detalhes de como um acampamento é bem organizado porque não é esta a intenção desta crônica – queria, aqui, falar de um deles, uma daquelas pobres almas que um banco, um dia, enxotou da terra para a beirada de uma cidade, bem igualzinho ao que acontece em “As vinhas da ira”.  Trata-se do seu João, também conhecido como seu Gaúcho. Tentando sobreviver, um dia ele chegou às beiradas de Gaspar com uma pequena família, e, com certeza, também como no livro citado, foi a falta de ter como sobreviver que implodiu a sua pequena família, que fez com que sua esposa fosse embora. O fato é que seu João ficou sozinho com dois filhos pequenos, e teve o cuidado de obter a guarda deles. Viviam do jeito que dava, até que, lá por março deste ano, seu João teve o azar de ser atropelado – e acabou ficando três meses fora de combate, de cama. Pai preocupado, na ocasião pediu ele à Justiça que cuidasse das suas crianças – e foram elas recolhidas a um abrigo, lá em Gaspar.
                                   Mas o seu João se restabeleceu, e foi buscá-las. E pensam vocês que devolveram as crianças a ele? Devolveram nada! E apenas começara a Rua da Amargura do seu João. Por sorte, logo em seguida, foi ele achado por seus pares, aqueles iguaizinhos aos personagens de “As vinhas da ira”, e levado para o acampamento do MST. Hoje, ele é um dos líderes do acampamento, onde ajuda a organizar a vida das cem famílias que lá estão – mas é ele como uma árvore sem raízes, é um pai sem as suas crianças. E onde estão elas? Estão num abrigo lá em Gaspar, e sei que lá elas ficam pedindo por ele, e uma ainda é bem pequenina, tem só três anos. As pessoas que estão entre o pai e os filhos dizem ao pai que é melhor as crianças ficarem no abrigo, porque lá “tem conforto, têm televisão...” – e o amor, onde fica? As crianças do seu João têm mais é que ficar com ele. E está aí o Natal, e essa pequena família vai estar separada. Onde está a Justiça? O que dá a ela o direito de tirar de um pai as crianças que ele ama?
                                   Quem ler “As vinhas da ira”, com certeza se emocionará até as lágrimas no epílogo, diante da extrema solidariedade existente entre a gente miserável que vive a história do livro. Penso que não será menor a solidariedade que as crianças do seu João receberão no organizado acampamento do MST aqui vizinho. Só falta a Justiça ser justa.


                                                           Blumenau, 15 de Dezembro de 2002.



                                                           Urda Alice Klueger

AOS MÉDICOS DO MUNDO

Raul Longo

A vida não tem pátria,
não tem chão.

A vida o que tem
é ar,
oxigênio,
atmosfera.

Como toda a Terra.

Vida centro,
sul,
norte americana; 
é o respiro
do suspiro asiático,
do riso africano.

Não importa se apático
ou simpático,
não importa se do norte
da Europa
Oceania ou Oriente,

A vida não tem tropa,
não tem religião,
nem fronteira.

Ainda que por 
um fio, 
sempre é uma 
vida inteira.

Para a vida
não tem calor,
não existe frio.

Não tem pátria
nem chão.

Só o que tem 
é ar,
oxigênio.

De resto é pulsação,
para reconhecer cada irmão,
irmã,
no imã
que atrai e mantém
o respiro da atmosfera
por toda a Terra.

jeudi 29 août 2013

JAZZ EM GENEBRA COM CRISTTINA DAVET


Caruru dos Sete Poetas 2013 celebra a poesia e tradições culturais da Bahia - Valdeck Almeida de Jesus é um dos convidados

O Caruru dos Sete Poetas – Recital com Gostinho de Dendê acontece dia 28 de setembro (sábado), em Cachoeira-BA. O evento é gratuito e será apresentado em praça pública, no Largo d’Ajuda. O Caruru une à literatura um momento da tradição cultural e religiosa baiana e integra diversas manifestações artísticas, tanto para o público adulto quanto o infantil.

"Participar do Caruru dos Sete Poetas é um sonho e um privilégio, por que estarei entre tantas mulheres lindas, talentosas e generosas. Será um encontro mágico e poético. Viva Cachoeira e Viva o Caruru dos Sete Poetas".
Valdeck Almeida (escritor)


Os sete poetas
Valdeck Almeida de Jesus (1966) é jornalista, funcionário público, editor, escritor e poeta. Presidente do Colegiado Setorial de Literatura da Bahia. Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz e da União Brasileira de Escritores.

Kátia Borges, 45, é escritora e jornalista. Publicou os livros de poesia “De volta à caixa de abelhas” (2002, Selo As Letras da Bahia), “Uma Balada para Janis” (2010, Edições P55) e “Ticket Zen” (2011, Escrituras) e, de prosa, “Escorpião Amarelo” (2012, Edições P55). Seus poemas foram publicados ainda nas coletâneas, “Sete Cantares de Amigos”, “Concerto Lírico para 15 vozes”, “Roteiro da Poesia Brasileira – Anos 2000″ e Traversée d’Océans – Voix poétiques de Bretagne et de Bahia, edição bilíngue organizada por Dominique Stoenesco.

Giselli Ferreira de Oliveira, mulher, negra, cadeirante, mãe de Amana Raha e Naíma Ayra, graduanda do curso de ciências sociais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, e militante do movimento negro. É uma das integrantes da Antologia Canoas do Paraguaçu, lançada pela Editora UFRB. Encontrou-se com a poesia de forma inesperada e hoje faz parte dela.

Elisa Lucinda se formou em jornalismo, profissão que exerceu na sua cidade natal, Vitória do Espírito Santo, até se mudar para o Rio de Janeiro, há mais de 20 anos. Desde então imprime sua marca como atriz atuando para teatro, cinema e televisão. Em 1995 publicou seu primeiro livro de poesia “O Semelhante” e suas poesias tomaram os palcos durante seis anos com este, que foi o primeiro espetáculo-poesia de uma série de sucessos que surpreendem os espectadores do Brasil e do exterior.

Shirley Campbell é Costarriquenha e descendente de Jamaicanos por terceira geração. Estudou Teatro, Literatura e Escritura Criativa no Conservatório de Castella. Tem sido ativa em programas culturais e sociais: como professora no Conservatório de Castella. Tem organizado e dirigido oficinas de composição criativa, (Costa Rica, El Salvador, Honduras). Dirigiu programas culturais através da Associação para o Desenvolvimento da cultura afro-Costarriquenha. Ela é membro da Associação Costarriquenha de Escritoras. Fundadora da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento dos Afro-Costarriquenhos e é parte do Centro de Mulheres afro-Costarriquenhas.

Clea Barbosa nasceu Clezenilde Barbosa, nascida no norte Pernambucano, criada em Juazeiro, norte baiano, filha de Elizabete Barbosa e Renilde Crisóstomo Castro, de todos os Orixás e do Caboclo Sultão das Matas. Poetisa por excelência e essência, iniciada no culto afro na casa da rocinha de Oxum Mona Aimê Itauêmim de Umzambi. Escreveu seus primeiros versos aos 8 anos.

Clarissa Macedo é baiana. Trabalha como revisora, escritora e produtora. Está concluindo o Mestrado em Literatura e Diversidade Cultural (UEFS). Está presente nas coletâneas Godofredo Filho (2010), Sangue Novo (2011), Verso e Prosa – Oficina de Criação Literária III Feira do Livro (2011), Verso e Prosa – Oficina de Criação Literária IV Feira do Livro (2012) e no livro teórico Sem comparação: Torga, Rosa e Cia. Limitada (2013).

A festa poética
O Caruru dos Sete Poetas - Recital com Gostinho de Dendê acontece dia 28 de setembro (sábado), em Cachoeira-BA. O evento é gratuito e acontece em praça pública, no Largo d’Ajuda. O Caruru une à literatura um momento da tradição cultural e religiosa baiana e integra diversas manifestações artísticas, tanto para o público adulto quanto o infantil.

A festa para a criançada começa às 15 horas, com as Brincadeiras Poéticas, programação infantil com presença de palhaços e poetas. Às 19 horas sai cortejo poético da Praça da Aclamação até o Largo D’Ajuda, dando início à programação noturna, que será aberta pela performance artística do grupo Importuno Poético, formado pelas poetas Jocélia Fonseca, Cléa Barbosa e Lutigarde Oliveira, seguido pelo show de Tatiana Rocha.

O encerramento fica por conta do grupo musical Gêge Nagô, com intervenções poéticas em seu repertório, além das cantigas de cunho afro-barroco. É também servido o tradicional caruru para o público. O Caruru é uma iniciativa da Casa de Barro: Cultura, Arte, Educação e conta com apoio financeiro Fundo de Cultura da Bahia / Secretaria de Cultura / Secretaria da Fazenda / Governo do Estado da Bahia.

Fonte:


VENCEDORES DO IX CONCURSO LITERÁRIO POESIAS SEM FRONTEIRAS

Esse ano houve a  participação da editora Celeiro de Escritores, em vista disso aconteceu um  recorde de poesias, onde tivemos que encerrar as inscrições quando chegasse ao limite de espaço do livro ANTOLOGIA DO IX CONCURSO POESIAS SEM FRONTEIRAS, norma da editora.
Nenhum escritor saiu no prejuízo, muito pelo contrário, o poeta receberá seu exemplar em sua residência, com o seu trabalho.
Os vencedores terão sua poesia publicada no site oficial do certame, receberão destaque no livro, junto com a biografia e  ganharão  um lindo certificado;  o primeiro lugar, também ganhará esse lindo troféu, já encaminhado para sua residência, sem nenhum ônus a pagar, senão a inscrição.
Esse ano iniciamos mais uma jornada, o I Prêmio escritor MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA, com a mesma credibilidade e o mesmo organizador do   POESIAS  SEM FRONTEIRAS, que chegou ao seu nono ano com muito sucesso.
As inscrições estarão abertas até 20 de dezembro deste ano, não terá atropelos nem serão encerradas as inscrições mais cedo.

Agradecemos a  todas entidades  que apoiaram o evento, principalmente Academia  Cabista  de Letras, Artes e Ciências /RJ ; União Brasileira dos Escritores/BA; Academia de Letras de Teófilo Otoni /MG ; Clube dos Escritores Piracicaba  e à Ed. Celeiro de Escritores.


Até o ano que vem com o X Concurso literário POESIAS SEM FRONTEIRAS

 Os vencedores do IX concurso literário POESIAS SEM FRONTEIRAS são:

Terceiro lugar:
75. Mariana Helena de Jesus
Segundo Lugar:
27. Verônica Miyake Rodrigues Koike 
Primeiro Lugar:
36.  MARILIA MARTINS DE ARAUJO REIS 

Parabéns a todos, pela vitória!
Pedimos às  vencedoras que enviem  a foto segurando a premiação e livro, junto com um depoimento, para divulgação.

Marcelo de Oliveira Souza
Organizador Do   POESIAS SEM FRONTEIRAS
E  PRÊMIO ESCRITOR MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA

Face: psfronteiras


ADEUS, GRÉCIA

      (EMANUEL MEDEIROS VIEIRA)


Não bastaram fibra e amor,
cai, Grécia,
universo solar
adequação entre ser e destino,
envelhecemos
– morte na soleira da porta,
fragmentos de sonhos
– só fragmentos –
não a totalidade,
adeus, Grécia,
adeus,
despedidas
– só despedidas.

Ulisses: somos apenas seres virtuais,
Homero envolto em brumas,
homens sem fibra carregando engenhocas eletrônicas,
caindo como folhas ao vento
(prenhes de cobiça – soberbos -, e miseravelmente rotos),
Não, não eram eternos,
onipotência só de papel,
deuses de barro,
TV.

O Espírito sopra onde quer?
Adeus, Grécia,
adeus, pátria dos homens,
adeus, pássaro da juventude,
inunda-nos o lamento de homens afundados –
uma doída lembrança.

De que barro somos feitos?
Não, não só de vileza,
também busca,
mesmo acampados em sucursais do inferno,
caminhando em sombras:
sonho da eternidade pela arte.

Para todos – fúteis, deslumbrados, sábios –
haverá sim  – como haverá!,
o momento da Revelação –
e será tarde,
muito tarde.

Adeus, Grécia,
adeus,
desfeitos, como pó, varridas cinzas,
irrelevantes ou  – para alguns –
nobres nessa finitude.

Sonâmbulos, clones dos nossos sonhos,
escritores de narrativas epigonais.

Não naveguei nos melhores mares:
preciso navegar – sempre –

infinitamente humano.

mercredi 28 août 2013

REVISTA VARAL DO BRASIL DE SETEMBRO/OUTUBRO



VARAL ESTENDIDO!


Passamos da metade do ano, o verão europeu, que demorou uma eternidade para chegar, caminha já para o seu final.
E enquanto o sol esquentava por aqui, no sul do Brasil a neve caía e enfeitava morros e planícies. Do outro lado do grande país, a seca continuava (e continua) matando o gado e fazendo sofrer a já sofrida população do Ceará.
Tantas diferenças climáticas assustam, mas o que deveria mesmo assustar é a maneira com que o ser humano vem tratando, há tanto tempo, o planeta em que vive.
Voltando destas reflexões, chegamos a este número de nossa revista que podemos chamar de especial: pela primeira trazemos um número inteiramente dedicado ao homem. Sempre se fala da mulher, já fizemos mesmo duas edições especiais sobre a mulher. Mas e o homem? Por que não falamos do homem, perguntou uma de nossas colaboradoras, Ana Rosenrot. Gostamos da ideia e fizemos do homem a nossa estrela da edição.
No princípio de agosto estivemos no Brasil (em Florianópolis) lançando o livro Varal Antológico 3, terceira coletânea de nossa revista. Foi um sucesso! Recebemos amigos para um coquetel na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina e presenteamos, literalmente, o público com nossa antologia.
Agora, já nos direcionando para 2014, estamos com as inscrições abertas para o livro Varal Antológico 4, onde figurarão também, a convite, os vencedores de nosso Prêmio Literário e também os que ficaram em segundo lugar, nas três categorias.
Abrimos também as inscrições para participação no 28o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra (Suíça) onde estaremos, pela terceira vez consecutiva, levando o brilho da nova literatura brasileira e portuguesa. Se nossa participação em 2012 e 2013 foi marcante, pretendemos em 2014 fazer ainda mais.
Fico feliz de dizer que nossa revista tem sido cada vez mais lida, cada vez mais divulgada pelos cinco continentes através desta imensa janela para o mundo que é a internet.
Neste mar de informações, onde muitas vezes a literatura é cercada por uma aura que a distancia do público, me orgulho de dizer que o Varal do Brasil faz literatura para todos. E continua, como seu slogan diz “literário, sem frescuras”.
Autores e leitores têm um ponto de encontro em nossa revista.
E é meu prazer trazê-la para vocês!
Uma boa leitura, amigos!


Leia aqui: http://fr.scribd.com/doc/163400073/Varal-No-25-Set-2013


Ou peça pelo nosso e-mail: varaldobrasil@gmail.com e receba em formato PDF

mardi 27 août 2013

VARAL ANTOLÓGICO 4: INSCRIÇÕES ABERTAS!


Uma Canção para Carla

O Cine ABI, em parceria com o Cineclube da Casa da América Latina,

Apresentam:


Uma Canção para Carla
 

Direção de Ken Loach
1996
Ficção - 127 min.
 
29 de agosto
quinta-feira
a partir das 18h30


na ABI
(Associação Brasileira de Imprensa)
Rua Araújo Porto Alegre, 71 - 7° andar
Centro (próx. ao metrô Cinelândia)
    
Sinopse: "Uma Canção Para Carla" conta uma história de amor em meio a tempos sombrios, de guerra e violência – no caso, a luta entre os revolucionários sandinistas e os “contras” apoiados pela CIA, na Nicarágua dos anos 80. Ao relatar o encontro de um motorista de ônibus escocês e uma refugiada nicaraguense, o diretor inglês Ken Loach demonstra que cada gesto de generosidade de uma pessoa comum serve para melhorar um pouco o mundo. Ou, no mínimo, para que ele fique menos pior.


Após a exibição do filme, haverá debate. 
Serão concedidos certificados aos participantes.

Os 25 primeiros que chegarem terão direito a pipoca e guaraná grátis!
 
 
cortesia: Sindipetro-RJ 
apoio: ABI Associação Brasileira de Imprensa 
realização: Casa da América Latina 

         

Visite a nossa página!
http://www.casadaamericalatina.org.br/
Caso não queira permanecer em nossa lista, basta devolver-nos esta mensagem.

ACERCA DE MISTÉRIOS DA POESIA



GERMANO MACHADO

Existe um mistério qualquer na poesia
Que é impenetrável para o não eleito.
Ela foge de quem procura o verso bem feito
E se entrega ao poeta que sabe seu dia.

A poesia não mede metro nem rima
Não pede camisa de força nem cadeia.
Sua sina é unir, qual fogo que incendeia
Um ser humano a outro ser e os aproxima.

Ela foge de quem é metido a poeta
Mas não tem paciência nem sabe esperar
O melhor momento para alcançar a meta.

Sim, se entrega ela ao que sabe iluminar
As ruas e o verso no universo projeta
Fazendo na vida o sonho se transformar.

A cafonice de ser correto

 Hoje em dia com a degradação da família, todos os bons conceitos são criticados, a atenção e o cuidado dos pais viraram invasão de privacidade.
Muitos adolescentes impuseram aos seus  pais  um território paralelo, o seu quarto; uma linha particular, o seu celular; suas anotações e bolsas, viraram  “sigilo bancário”   e assim por diante.
Com os parâmetros deteriorados por programas de televisão e permissividade dos pais, os genitores que ainda têm um cuidado maior com seus rebentos, ainda são criticados abertamente.
Numa reunião de pais, uma palestrante colocou uma propaganda onde uma criança de uma faixa etária de cinco anos de idade, cobra do seu coleguinha uma ligação para o seu aparelho de telefone, onde o menininho justifica não ligar por ter um dedinho quebrado.
Nessas diversas interpretações, que cabe à mensagem, um pai disse que era contra esse tipo de propaganda, pois induz à criancinha a ter um celular e a fazer e receber ligações de todas as pessoas, outro pai vociferou do fundo da sala, que a filha dele que tem a mesma idade, liga para todos e recebe ligações de muita gente, que não acha  certo filtrar ligações da filha...
Outro fato inusitado foi o depoimento de uma ex-modelo que tem acompanha a sua filha desfilar no bacanal televisivo com nome instituição fazendária.
A “mãe” foi inquirida sobre a cópula que a filha tinha praticado “no ar” embaixo do famoso edredom, a genitora orgulhosamente soltou a “pedrada” :
“- tomara mesmo, que ela tenha transado sem camisinha, pois terei um netinho lindo...”
Nessa nova época da permissividade e da sodomia, é difícil educar uma criança, mesmo se nossos conceitos sejam positivos, pois isso virou sinônimo de invasão de privacidade e cafonice.






Marcelo de Oliveira Souza

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