vendredi 31 janvier 2014

ESQUENTANDO: SALON INTERNATIONAL DU LIVRE ET DE LA PRESSE DE GENÈVE 2014! 2





ESQUENTANDO: SALON INTERNATIONAL DU LIVRE ET DE LA PRESSE DE GENÈVE 2014!






Crônica da Urda

No dia em que Alice nasceu


                                   No dia em que Alice nasceu eu tive que ir a Florianópolis com a minha amiga Rosane Magali. Sabíamos que Alice ia nascer, mas havia negócios que tinham que ser feitos naquele dia, e como minha mãe veraneava em Balneário Camboriú, ficou combinado que o telefone dela seria como que uma central telefônica que receberia e repassaria informações sobre o nascimento de Alice, estivéssemos onde estivéssemos. Lembro daquele telefone: era um celular preto enorme, da primeira geração de celulares, daqueles que enchia a mão inteira e que dava um trabalhão para carregar, todas as noites.
                                   Então fomos para Florianópolis sabendo que Alice ia nascer, e eu já tinha visto a carinha dela no ultra-som, e como ela era bonitinha! Fomos para Florianópolis tão leves de alegria que quando a Polícia Rodoviária de Gaspar me parou para dar um pito por excesso de velocidade, eu pensei que estava nos parando para algum papo elogioso, e fiquei surpresíssima com a bronca, que, afinal, era apenas uma admoestação – como alguém podia dar bronca no dia em que Alice ia nascer?
                                   Rosane e eu estivemos em Florianópolis, fizemos os negócios inadiáveis, e agora se tornava inadiável saber se Alice já nascera e se tudo correra bem. Pela hora do almoço, nos telefones públicos do aterro da baía sul, próximas do Mercado Público, a gente não sabia mais o que fazer de tanta ansiedade para saber de Alice, e algo misterioso acontecia nos telefones, pois não conseguíamos a conexão com o antigo celular da minha mãe. Recém fora inaugurada essa coisa de celular pré-pago e pós-pago, e a gente já não sabia o que fazer para completar uma ligação de um telefone público para um celular, e também já não era possível sobreviver mais sem saber de Alice! Acabamos comendo no Mercado ainda sem saber, e só depois, como que num milagre, numa das nossas tentativas o telefone se conectou com o da minha mãe:
                                   - Nasceu, sim! Tudo correu bem! Passem aqui por Camboriú na volta que quero ir a Blumenau ver Alice!
                                   Tão fantástica quanto a notícia de que Alice nascera era a notícia de saber que minha mãe iria se abalar de Camboriú para ver a bisneta no primeiro dia, ela que não tinha tais hábitos.
                                   Quando voltamos já era de tarde, e no caminho,um pouco para cá de Biguaçu, um homem queria morrer, bem no dia em que Alice nascera! Não sei por que lembrei dele agora: vínhamos comportadamente seguindo o trânsito, quando o homem saiu do acostamento de costas para nós e se postou sobre a pista, com as costas viradas para a própria morte. Foi coisa de um átimo de segundo: consegui manobrar para o acostamento e passar pelo lado direito do homem, escapando da morte dele. Era um andarilho que decerto carregava muitas dores nos ombros magros – mas como é que alguém podia fazer aquilo bem no dia em que Alice nascera? Ah! As dores do mundo – como saber de todas as dores daquele homem? Foi um susto danado!
                                   Estávamos tão contentes, Rosane e eu, que depois que passou o susto do homem que queria morrer, resolvemos que tínhamos que comemorar, e paramos em Meia-Praia, e num bar de Meia-Praia tomamos algumas cervejas estupidamente geladas em homenagem à Alice que viera ao mundo naquele dia. Claro que não dava para dirigir mais com aquela cerveja na cabeça, e então, no banheiro do bar, vestimos biquínis e mergulhamos no bom mar de Meia-Praia, e mergulhamos e brincamos como lontras, ou como outros bichinhos que gostam muito de água, até que sentimos que diminuía o poder da cerveja sobre nós. Era mister estarmos bem ao voltarmos ao asfalto, pois era mister ir conhecer Alice, e Alice era mais que tudo o mais!
                                   Paramos em Camboriú onde minha mãe nos esperava ansiosa para ir à maternidade ver a bisneta, e lembro como estávamos molhadas, pois vestíramos nossas roupas sobre os biquínis molhados, mas aquilo não tinha importância! O importante era chegar em Blumenau para conhecer Alice!
                                   Não lembro o que aconteceu com Rosane – tinha ela sua família, suas crianças, deve ter ido para casa – mas minha mãe e eu fomos diretamente para a maternidade. E lá estava Alice, a mais linda bonequinha que alguém já pusera no mundo, e Laura, a mãe dela, que fora uma adolescente até à véspera, agora era uma mãe que sabia até amamentar, e o adolescente que era seu pai estava justamente a lhe trocar a fralda, pressuroso como devem ser os ursos quando nascem os ursinhos, e a bisavó e eu ficamos sem fala, assim bobas, olhando para aquele poema de bastos cabelos negros que era Alice, e aquele quarto de hospital brilhava todo cheio da luz do Futuro. Alice era tão linda que nos dias seguintes fiz uma certa campanha para que ela fosse registrada como Linda Alice, ao invés de só Alice – não faz mal que foi assim, pois Linda ela é, sempre, embora seja tão Alice, também, sempre!
                                   Ficamos ali bem bobas, sem saber o que fazer quando Alice voltou para o seu bercinho, totalmente apaixonadas por ela, e não tínhamos a menor idéia do que fazer quando ela começou a soluçar. Mesmo minha mãe, que fora mãe três vezes e também era tão pressurosa quanto uma ursa com seus ursinhos, estava tão encantada com a bisneta que não lembrava mais por que um bebê soluça, ela que tinha toda a prática. Teve que vir uma enfermeira informar que Alice tinha frio, e só então caímos na real e cobrimos aquela menininha que parecia toda feita de açúcar, creme, porcelana e rosas, e ela se aconchegou e parou com os soluços.
                                   Em algum momento tivemos que ir – as normas do hospital não deixavam um monte de gente ficar lá indefinidamente. Levei minha mãe para casa, mas a chegada de Alice com certeza mudara algo na vida de todas nós! Era dia 25 de Janeiro do ano 2000, lá já se vão quatorze anos! Mas nunca vai dar para esquecer o dia em que Alice nasceu!

                                               Blumenau, 25 de Janeiro de 2014.


                                               Urda Alice Klueger

                                               Escritora e tia. 

EXPOSIÇÃO DE FOTOS DE LENI ANDRE


Exposição ‘O CICLO DO TEMPO


jeudi 30 janvier 2014

CONVITE PARA O 28o SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO E DA IMPRENSA DE GENEBRA

Caros autores, caras autoras!

Estamos no ápice da organização de nosso estande para o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra (Suíça) que acontecerá de 30 de abril a 4 de maio próximos.

Neste evento teremos um estande de 50 metros quadrados onde, além de literatura, apresentaremos obras de artistas plásticos, artesanato e música.

*Para aqueles que desejarem autografar seus livros temos um dossiê do autor onde explicamos todas as condições de participação. (Peça pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com)

**Para os autores que não puderem viajar nesta época, é possível enviar seus livros e expor os mesmos em nosso estande, participando assim de nosso catálogo (que será distribuído de forma virtual e impresso). (Peça pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com)

Os autores que vierem para autógrafos e os que enviarem os livros estarão no catálogo!

Peçam o dossiê do autor!

Terei imensa alegria em poder contar com vocês!

Jacqueline Aisenman
Editora-Chefe
Varal do Brasil
http://www.varaldobrasil.com


Concert le 30 janvier

Voici un concert sympathique à écouter.

Je joue aussi une pièce solo: “Suite florale” de Villa-Lobos

autrement selon la pub:

Cet ensemble homogène, qui offre une palette
sonore riche en couleurs, a un répertoire original sortant des sentiers
battus, allant du classique à l'avant-garde”



Au plaisir de vous rencontrer et .... happy new year!!!!

Joanna Maurer-Brzezinska

Shoppings: templos de consumo e de desejo

Shoppings: templos de consumo e de desejo
(E muitas perguntas)
Em memória do poeta Juan Gelman*

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Os shoppings são a antiga Ágora grega – o coração da cidade.
Globalização? Da indiferença?
Cabeças decapitadas, império do tráfico.
Um menino me indaga; “O mal está vencendo?”
Olho fixamente nos seus olhos: “Está”.
Consolo-o: “Mas não será para sempre.”
Sociedade do espetáculo, e o  templo é de consumo – não para orar.
O que significa isso tudo?
“Rolezinhos” – transgressão?
Desejo do tênis de marca?
Ou de proclamar: “também existimos”. Grito contra a exclusão, voz dos que não têm voz – a periferia berrando? Não sei. Sei que a baixar o cacete não resolverá. A medida de valor ainda é o dinheiro, a cor da pele.
Sem as posses dos meninos ricos – os vícios são iguais?
Desigualdade? Sim. Viramos apenas consumidores. Não cidadãos.
(Não almejo o panfleto.)
E só tenho perguntas.
Fim de tudo? De sonhos, ilusões, projetos? Ou não é nada disso.
Um universo dessacralizado – sem fé.
Crack, crime, medo – HORROR -, e lagostas para a governadora.
“O presente. O presente é tudo o que tens como tua possessão. Como Jacó fez com o anjo: retém-no até que ele te abençoe”.
(John Greenleaf Whittier.)
Que tempos!
Queria escrever no epitáfio: sem glória, mas com ternura.)
(Brasília, janeiro de 2014*)
*Morreu no México, em 14 de janeiro de 2014, o poeta e jornalista argentino Juan Gelman. Durante a ditadura militar argentina (1976-1983), Gelman teve o seu filho ((Marcelo) assassinado. Sua nora, Maria Cláudia, foi sequestrada enquanto estava grávida e levada ao Uruguai pela “Operação Condor”. Nesse país, deu à luz e desapareceu. A filha do casal (Macarena) foi entregue a um policial uruguaio e só teve a identidade revelada em 2000.

Grande parte da vida deste grande poeta e humanista foi dedicada (com comovente paixão e intensidade) a esclarecer o que havia ocorrido (com sua família e com o seu país), naqueles tempos tão sinistros e sombrios. 

Palestra CEBRAC: Momento do Brasil - Caminhos e Oportunidades - 02 de fevereiro (Domingo)


O DESAPARECIMENTO DA DRA. SUN

O Desaparecimento da Dra. Sun
Authored by Leonia Oliveira

List Price: $14.00
lack & White on White paper
390 pages
ISB6" x 9" (15.24 x 22.86 cm) 
BN-13: 978-1495335761 (CreateSpace-Assigned)
ISBN-10: 1495335763
BISAC: Fiction / Action & Adventure
O Mito de Silla, A Profecia Atlante e o Codex Issoaqüilisto são a base para a tese de pós doutorado em Arqueoastronomia da Dra. Sun Hee Eomm.
Contudo a Dra. Sun desaparece diante de 4 milhões de pessoas em Gjengjou durante o lançamento de sua tese! 
A Inteligência Mundial tem 72 horas de tempo da Terra Visível para desvendar o mistério, sob o peso de a Terra ser invadida. Os membros da Unidade de Inteligência Suprema descobrem um código secreto e pedem ajuda para as heroínas de Atlântida, A Viagem... 
Nesta nova saga Vasti e Hester voltam à Terra Visível e com Seondeok, rainha de Silla, e Leonardo Da Vinci acabam presas em um espaço-tempo desconhecido para tentar libertar a Dra. Sun. Porém o desaparecimento da Dra. Sun pode impedir que o tempo atlante não seja suficiente para que a reentrada em Atlântida possa iniciar.
Ada Lovelace, Einstein, Dídimo, Bin Sheng compõe a força tarefa Atlante que juntamente com os membros da UIS tentam ajudar no salvamento.
A Teoria do Acaso, tese de Sun, é comprovada pela experiência do seu desaparecimento e Einstein descobre um novo tempo: o Quase.
Complôs, códigos, traidores, análises genéticas, inteligência artificial e uma civilização perdida, entrelaçados em meio ao cosmo, deixarão Sun reaparecer ou o seu desaparecimento dará fim ao planeta?
Um livro onde a formatação artesanal e os diversos estilos narrativos interagem para se contar a história...
Disponível em CreateSpace eStore: https://www.createspace.com/4638549

e em todos os canais da AMAZON C.O.


mercredi 29 janvier 2014

O SONHO DE MARIANA

Deidimar Alves Brissi

            Certa noite Mariana teve um sonho diferente. A partir deste dia a sua vida mudou. Sonhou que caminhava com um anjo sobre a Terra. A Terra estava vazia, desértica, feia, triste, escura... Nenhuma casa, nenhum animal, nenhuma árvore,  ou objeto... Só havia tristes pessoas. Ficou muito surpresa, achou tudo muito estranho. Olhou para o anjo que parecia preocupado e perguntou:
            – Por que a Terra está assim?
            Ele com um olhar triste calmamente explicou:
            – Esta é a verdadeira paisagem da Terra. Com a maioria dos homens só pensando em si, mergulhados em guerras, intrigas,  mediocridades, orgulho, egoísmo, inveja... Fizeram esta paisagem para a Terra. Uma paisagem triste!
            – Mas não há nada que podemos fazer?
            – Sim! Temos feito apelos constantes aos homens para mudar tudo isto, mas poucos nos ouvem. A maioria fica lutando apenas por coisas sem importância e não tem nem um gesto de amor ao próximo, mas, o fato é que precisamos plantar uma bela floresta sobre a Terra para mudar esta paisagem. Você ajudaria?
            – Claro! Mas o que posso fazer? Sou apenas uma pequena menina!
– O tamanho não importa, mas sim a boa vontade.
            Neste momento ele pegou uma caixinha dourada e perfumada colocou na mão da menina e disse:
            – Abra!
            Ela abriu com muita curiosidade e qual não foi sua surpresa. Da caixinha saía uma luz muito forte que ela nem conseguia enxergar o que estava dentro. Foi acostumando os olhos com a claridade, até que viu dentro dela uma minúscula sementinha. Olhou intrigada para o anjo, mas conteve sua curiosidade. Ele, com um olhar amável e um sorriso franco, tomou a palavra e perguntou-lhe:
            – E então vai, você vai ajudar a plantar uma bela floresta sobre a Terra?
            Meio desajeitada respondeu:
            – Ajudo, mas com uma sementinha?
            Ele sorriu novamente e considerou:
            – Se nós plantarmos esta pequena semente, dentro de alguns anos teremos uma bela árvore que produzirá milhares de sementes. Se pegarmos estas milhares de sementes e plantarmos, dentro de mais alguns anos teremos milhares de árvores que produzirão milhões de sementes. Se pegarmos estas milhões de sementes e plantarmos, alguns anos depois teremos milhões de árvores que produzirão bilhões de sementes... Assim, dentro de pouco tempo, se plantarmos e, principalmente, cuidarmos das sementes teremos uma bela floresta.
            Mariana ficou admirada com tão belo raciocínio e falou emocionada:
            – Ajudarei, farei o que for preciso, mas me diga anjo bom, o que eu faço?
            – Vá! Pegue esta semente e não perca tempo em plantá-la! Convide seus irmãos da Terra a plantar esta semente e também a cultivá-la.
            Ela apertou a caixinha com força na mão e disse:
            – Tenho pressa, tenho que ir, precisamos mudar esta paisagem da Terra, mas antes de eu ir me responda, semente de que árvore é esta?
            Ele sorriu carinhosamente e concluiu:
            — Ah! Minha amiga! Esta semente é de uma árvore que dará origem a todas as outras espécies de árvores boas. É uma semente de Amor!


*O autor publicou este texto pela primeira vez no livro Espererança (São Paulo: All Print, 1998)

SONHAR

Sonhar sonhamos ou devemos várias vezes. Sonhamos dormindo que é essencial à vida. Sonhamos com ideais, com o que almejamos de melhor, sonhamos até quando, em algum hospital, estamos passando por infarto, o que me ocorreu aos 75 anos e, por emergência aqui estou, vivo e sonhando, sonhando-lutando, sonhando - vivendo , sonhando - trabalhando, amando , servindo. Luther King do fundo do coração gritou há uma imensa massa : " Eu tive um sonho" e esse sonho vai ser tornando, pouco a pouco, realidade. Abraão Lincoln teve sonho semelhante e lhe tiraram de imediato, numa sexta-feira santa, em um teatro a vida. Dias antes sonhou com um caixão mortuário na casa branca, levantou a tampa e se viu a si mesmo, morto. Que sonho, e dias depois se torna realidade. Há vários tipos de sonhos : os que vimos e os nossos pessoais. Sonhamos com um mundo melhor, mais justo, mais humano, em que a "mamona" não é o deus; sonhamos com um mundo em que a injustiça vá pouco a pouco acabando. Sonhamos que a África tão explorada pelos europeus, de quem descendemos possa ver uma vida mais digna, mais humana. Que os africanos sonhem com a paz e a união e nunca com as guerras como a tantos anos acontece. Sonhar é próprio do homem? Sim, mas os cães sonham não sabemos o quê, mas pressentimos que, em geral, são sonhos de agradecer ou amar a quem lhes trata bem. Sonhar é a base de todas as ciências, cada uma delas é um sonho de trabalho, de pertinência, de pesquisa, de procura e , então , Galileu, Kepler e semelhantes nos dão um mundo mais aberto, mostrando a Cosmicidade de todo universo e aquele cosmos que temos dentro de nós e nos faz sonhar com as estrelas, com os luares, com as flores , com o Brasil que é mais espacialidade e com a Suiça e a Europa que são mais temporalidade. Sonhar é fazer enternecido o nosso coração, o nosso ser, o - ser - tempo- espaço : íntimos e externos. Quem não sonha é um ser sem vida, mesmo vivo. Nos quase 88 anos que espero fazer em 28 de maio de 2014 - Sonharei novamente no crescimento da minha vida interior dos seres humanos em todas as partes, sonharei que viver é bom quando somos bons. O sonho diz: é bom ser bom. Sonhar que não venha mais outra guerra mundial, que o que está guerreando vá sendo destruído pelo amor, por sentirem os homens de todas as posições e credos que vale mais sonhar por um mundo melhor, um mundo mais justo, um mundo mais adequado. Sonhe você que possivelmente ler estas linhas sonhadoras, sonhe : é bom e faz bem.Sonhe, sonhemos...

Germano Machado

Festa da Uva - Show


Curso de Português para Estrangeiro - Portugiesisch als Fremdsprache


mardi 28 janvier 2014

Aforismos1

FILOSOFANDO COM SÊNECA E NIETZSCHE  Em “O Nascimento da Tragédia (1872), Friedrich Nietzsche (1844-1900), define os conceitos de apolíneo e dionisíaco.
Da maneira mais sumária, apolíneo seria a representação das regras e dos limites individuais.
Dionisíaco seria a representação do impulso, da libertação, dos instintos.
A classificação é mais usada para artistas e filósofos.
Mas por que não usar para seres humanos?
Desde que sejam pessoas de bem, sensíveis, nutridoras e não vampirizadoras (essa classificação é minha)..
É um desafio.
Exemplo: da minha  “Santíssima Trindade Literária”, Dostoievski é um dionisíaco. Camus, apolíneo . E Kafka?
O estilo cartorário, até “clássico”, seria apolíneo. Mas a alma, o espírito premonitório, aquele tipo de “mediunidade” que perpassa seus textos? Seria, nesse caso, dionisíaco.
Quero dizer, às vezes os dois se embutem.
No Brasil,  Lima Barreto, Glauber Rocha,  Vinícius de Moraes, Raul Seixas, Clarice Lispector são dionisíacos.
Apolíneos?  Carlos Drummond de Andrade,  Chico Buarque.
Nos trópicos (falo dos artistas) parece que os dionisíacos preponderam. Já na vida...
E Machado de Assis?.
Nele, os dois se embutem, apesar de à primeira vista ser claramente um apolíneo.
A busca de um estatuto de respeito por ser mulato numa sociedade preconceituosa e racista , forjada na escravidão, faz de Machado um crítico sutil da moral de seu   tempo.
 Cria a  Academia Brasileira de Letras que, no fundo, significa um busca de legitimação estatuária e oficial, em termos de sociedade.
Meu amigo e colega de ofício Lourenço Cazarré brinca, dizendo que ele se tornou uma espécie Michael Jackson das nossas letras, pela obsessão em ser branco...  
Nele, os dois conceitos se embutem.
E Euclides da Cunha? O barroquismo do texto faz pendê-lo para o dionisíaco.
No futebol, Garrincha e Maradona são dionisíacos, e Zidane, um apolíneo.
Cada leitor poderia fazer a experiência interna de se classificar.
Eu sei, somos muitas vezes os dois.

Insisto: filosofar é fundamental.
Na reforma de ensino, retiraram  a filosofia da grade curricular. Tiraram no fundo, uma oportunidade rara para o brasileiro pensar.
Sinceramente, quem não conhece um pouco de filosofia perde uma grande oportunidade de crescer no tempo de sua existência.
A filosofia pode nos ensina a viver.
Nos últimos 200 anos,  a despeito de todos os sofrimentos, o mundo ocidental vive sob o domínio de uma crença no progresso, baseada em realizações científicas e empresariais extraordinárias.
Tivemos guerras sem fim, o holocausto, sofrimentos, golpes, exploração: esse otimismo “público” seria uma grande anomalia.
Porque na verdade, os  seres humanos passaram os séculos esperando o pior.
No Ocidente, as lições sobre o pessimismo derivam de duas fontes: os filósofos estóicos romanos e o cristianismo.
“Talvez seja a hora de revisitar esses ensinamentos para aliviar nossos pesares”, ensina  Alain de Botton.
Sêneca  (I a.C. – 65 d.C.).seria um filósofo perfeito para o nosso momento histórico.
Vivendo numa época de tremenda inquietação política (Nero ocupava o trono imperial), Sêneca interpretava a filosofia como uma disciplina que servia para nos manter calmos diante de um panorama de constante perigo.
Sêneca lembrava no ano 62 que desastres naturais ou de causa humana serão sempre parte de nossas vidas, por mais sofisticados e seguros que acreditemos nos termos tornado.
O filósofo escreve que “não existe nada que a fortuna não ouse”, mas lembra que devemos ter em mente o tempo toda a possibilidade dos mais devastadores eventos.
Recordemos: tivemos duas guerras mundiais.
Basta  lembrar o sofrimento que elas causaram.
Sêneca diz mais: “Nada  nos deveria ser inesperado. O que é o homem? Um vaso que ao menor tremor, ao menor impacto, pode quebrar.”
Reli há pouco o belíssimo “Sobre a Brevidade da Vida”, deste filósofo
Em 62 d.C., Sêneca  pede permissão para retirar-se da vida pública. Nero recusa. O filósofo  vive então numa semi-reclusão e escreve suas melhores obras.
Em 65 d.C., é acusado de estar implicado numa conspiração contra o imperador. Nero ordena que se suicide.
“Assim termina a carreira daquele que, por quase dez anos, governou de fato o Império Romano”.
Com ele,  como observa William Li, pela primeira vez a filosofia estóica teve a experiência do poder.
Não há espaço (agora) para meditar sobre a posição do cristianismo nesse assunto.

Correndo o risco de me tornar superficial para não ficar cansativo, queria lembrar a importância dos aforismos na obra de Nietzsche.
“Além do Bem e do Mal” (1886) é das suas obras mais importantes, retomando os temas mais decisivos de “Humano, demasiadamente humano” (1878-80).
Resumindo: para o filósofo alemão, o homem aspira à imortalidade, mas isso não significa – nem importa – nada, já que a realidade se repete a si mesma num devir renitente, que constitui o eterno retorno. 
Para ele, como observou Marcelo Bakes, o homem só se salva pela aceitação da finitude, pois assim se converte em dono do seu destino, se liberta do desespero para afirmar-se soberanamente no gozo e na dor de existir, ultrapassando os limites da sua condição.
Seu pensamento foi tremendamente deturpado e manipulado  por muitos, como por sua irmã Elisabeth e pelos nazistas.
Por exemplo:  o conceito de conceito de “super-homem”.
Foi criminosamente deturpado. Nada tem a ver com os carrascos nazistas, nem com os heróis que veríamos depois nos quadrinhos ou no cinema, ou com  gente que malha em academia.
Pelo contrário, o filósofo consideraria esses tipos os mais obtusos.
No fundo, ele fala dos seres maiores que ultrapassariam a mediocridade, a indolência, a autopiedade, o sentimentalismo reles (como as telenovelas de hoje em dia), que conseguem sair do rebanho pela sua força interior, pela sua determinação, pela sua audácia, pela sua bravura, pela sua grandeza.

E o aforismo?
Ele viveu sempre entre a fronteira entre a poesia e a filosofia.
“É um estilhaço de pensamento, uma máxima espirituosa de fôlego curto e sabedoria imensa”.
A tradição do aforismo é antiga.. Hipócrates foi o primeiro escritor de aforismos, já por volta de 400 a.C.
O procedimento aforístico também marcou a obra de Heráclito, a especulação moral de Sêneca, a observação histórica de Plutarco, as cartas de Marco Aurélio, a ética de Confúcio e as sentenças de Salomão.
A importância do aforismo na obra de Nietzsche é imensa, como já era em parte no caso e Schopenhauer e, mais ainda no de Blaise Pascal e Nicolas Chamfort.

Dois exemplo de aforismos no filósofo alemão: “Muito pavão esconde aos olhos de todos a sua cauda de pavão – e chama isso de seu orgulho.”
O segundo: “A mulher aprende a odiar na medida em que  desaprende a – enfeitiçar”.
Filosofemos, amigos. Filosofemos!



(Emanuel Medeiros Vieira)

Chamamento-Clevane Pessoa

Fonte da Foto:http://fuleiragem.typepad.com/photos/uncategorized/2008/04/19/indios_potiguaras_camaratuba.jpg

Visitem "Fuleiragem" e leiam mais...

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Chamamento

( By Clevane Potiguara)

A floresta chama-me e ouço o uirapuru pungente.
cada tatalar, cada grunhido, estalar de bagas, rosnado e canto.
Preciso da solidão povoada de meus ancestrais.
Minha alma reabre a ferida 
donde pinga o sangue dos mil tons das folhas e dos musgos.
Escuto cantares de louvor aos deuses naturais,
os tambores, os passos das danças circulares,
os brados de defesa e as canções de ninar curumins.
Abre-se a pele do espírito e regrava-se em mim
cada tatuagem, cada pintura tribal.
Viajo nos ares para descobrir o Mundo
onde cada floresta era um templo
ao espírito sagrado,ao animal de totem,
cada fumaça, uma revelação.

Um dia, virarei vento
e me reintegrarei às matas,
embalada pelos sons das águas prateadas
recebida pelos ancestrais guardiãos 
e então, também poderei lutar para proteger 
os seres vivos 
fauna , flora e gentes - ancestrais de minha Poesia.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
(Hana Haruko)
01/01/2009


CAPAZ



Capaz de irradiar
o fato no sacrilégio
do acontecimento em lance
rápido de ataque. A sistematização
da defesa no entorno da praça. O contorno
do pássaro em ares enjaulado. Imprimir
no verso o movimento lento das parábolas.
Imprimir no selo a marca da passagem.

Ter na capacidade adjetivada
do referendo o dogma não acontecido.

(Pedro Du Bois, inédito)


lundi 27 janvier 2014

POR QUE EXPOR SEUS LIVROS EM GENEBRA? SAIBA MAIS!








CONVITE LANÇAMENTO


Au delà des frontières

Le peintre Liomar nous envois du Brésil des toiles éclatantes de couleurs, des tecniques très rechercher.
Son exposition aura lieu du 8 février au 8 mars 2014 
Au Restaurant Social Ekir
Rue de la Serre 90 
2300 La Chaux de Fonds
L'organisatrice de l'Expo Maria Bignens aura le plaisir de vous recevoir et faire découvrir ces merveilles.
Le vernissage sera le 8 février à 19 hrs. 
Pour plus amples informations veiuller me contacter au téléphone 076 489 18 34 / 032 913 31 92

LIVROS DE LILIAN FARIAS




Lilian Farias nasceu em 1985, é formada em Letras/Português pela UPE- Universidade de Pernambuco. Dá aula e ama escrever poesias. Autora do romance O céu é logo ali e blogueira. "Amo escrever sobre aquilo que incomoda, não tenho medo do preconceito!" Trabalha no movimento Social.





 



Mulheres que não sabem chorar - Lilian Farias
Mulheres Que Não Sabem Chorar conta a história de duas pessoas que se reconhecem como mulheres e que se amam em toda a sua plenitude. Desse amor renascem sentimentos que outrora fora reprimidos: dores; curas e anseios sobre o próprio amar e ser amada. Duas mulheres que precisam quebrar o pior e mais severo dos preconceitos: aquele que habita em nossas entranhas! Mais que uma relação homoafetiva, Mulheres que não sabem chorar nasceu dos meus 40 dias no deserto, durante todas as privações e isolamentos sociais. O deserto me ensinou a recolher e emanar as minhas ancestrais para me dar vida própria e encarar o mundo, depois soprei nas palavras da vida, que pulsava nas minhas veias, a força de Ísis. 




O céu é logo ali - Encontros para liberdade - Lilian Farias
“O céu é logo ali” se desenvolve em um turbilhão de sentimentos, em facetas representadas por duas personagens e o que as cercam, com desejos, sonhos, lembranças, descobertas e inquietações marcando um encontro em que histórias paralelas se unem pelo mesmo ideal: liberdade! Mas, o que é a liberdade? O que aprisionava Dolores e Clarice para que o encontro pudesse salvar suas almas encarceradas? Ao adentrarmos nos mundos distintos dessas duas jovens, mergulhamos numa profusa miscigenação de anseios, lutas, estratégias de sobrevivência. A história de duas mulheres que unidas pelo destino resolvem aflorar todo fluxo de sobrevivência do "ser", do corpo, da alma, da mente, que advém quando se é permitido ser livre. Liberdade, essa, assemelhada a quem saboreia o voo das borboletas. 




 Lilian Farias


ESSÊNCIA

“ESSÊNCIA”
CD de Poemas


A poetisa, que é declamadora, apresenta 15 poemas selecionados de seus quatro livros, com acompanhamento de músicas clássicas executadas ao piano. São poemas que exaltam a Mulher, falam de amor, fé, natureza e relembranças, com referência à sua origem italiana.

De Leonilda Yvonneti Spina


samedi 25 janvier 2014

Modern South America Ensemble

Modern South America Ensemble

O ensemble "Modern South America" ("MSAE") - um ensemble instrumental profissional formado por músicos altamente qualificados e de renome internacional - executa obras conhecidas e menos conhecidas de compositores sul-americanos, propondo um repertório que oferece desde o charme do folclore popular à sofisticação da música contemporânea.

O "MSAE", sob a direção do maestro Felipe Cattapan e da gerente Leila Benaissa, almeja divulgar melhor a música clássica sul-americana (especialmente a brasileira) na Suíça e na Europa.

O maestro Felipe Cattapan, regente brasileiro residente na Suíça, pretende deste modo consolidar e desenvolver o bem-sucedido trabalho iniciado com os projetos anteriores "Música de Câmara Brasileira" (2011), "Ernst Widmer" (2010) e "Villa-Lobos" (2009) em cooperação com o Consulado do Brasil em Zurique e a Embaixada do Brasil em Berna.

A aclamada estreia do ensemble teve lugar em dezembro de 2012 (em Genebra e em Berna) com o apoio do Consulado Geral do Brasil em Genebra, da Embaixada do Brasil em Berna e da fundação Avina. No programa: obras de Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Mignone e a estreia suíça do "Noneto" de Ronaldo Miranda.

O "MSAE" representa um elo entre a moderna tradição musical sul-americana e a europeia e se dedica especialmente a estreias na Suíça e na Europa.

O "MSAE" está aberto para novas cooperações e parcerias.

Gravações: vide discografia.


Contatos:

felipe.cattapan@gmail.com

leila.benaissa@msae.ch

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