jeudi 31 juillet 2014

VENHA PARA O SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA!


Convite - lançamento do livro Apocalipse dos Predadores de Adelino Timóteo


Belô Poético deixa saudades e lições



O Belô Poético deixa saudades e lições de que é possível empreender cultura e literatura com cooperação, mais calor humano que capital, mais positividades que poderes, no âmbito dos indivíduos e sociedade civil.
Bertold Brecht, poeta e dramaturgo alemão, escreveu:

Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis

Durante um decênio, o Belô Poético contou com esses três tipos: houve aqueles que ajudaram num episódio e foram bons, houve aqueles que integraram comissão organizadora ao longo do ano, e esses foram melhores. Houve ainda aqueles que desde 2005, quando do 1º Belô, ajudam na organização, e esses foram muito bons. E há pessoas como Rogério Salgado e Virgilene Araújo, que lutam a vida inteira, esses são imprescindíveis. 
Muitos de nós, somos “carona”, usufruindo do esforço alheio, mas me consola saber que engajamento não se obriga e que todos somos seres em evolução moral. Em breve relato, o poeta Rogério Salgado nos contou sobre caso exemplar, que explicita bem a responsabilidade de cada um. Certa vez, foi organizado um sarau com o objetivo de arrecadar donativos, apareceu um ou dois poetas; mas quando se organizava um sarau convencional, com pompa e aplausos, abundavam.
O Belô passa uma lição que serve para todos os grupos literários, qual seja, de que por mais que haja uma injustificada competição, neste precário campo das letras, ela nunca será melhor que a cooperação, o congraçamento literário, afetivo, humano, que é besteira brigar por migalhas, que estamos no mesmo barco, e que é melhor matar saudades que favorecer disputas e desgastes, sem também forçar amizade.
Outra lição é que, de fato, há ciclos na vida, assim como há ciclos naturais, de forma que um fim nunca é um fim em si mesmo, mas o começo de algo novo. É isso o que quis transmitir o palestrante Paulo Pina, na abertura do 10º Belô Poético, em oratória impecável de linha humanista-cristã, que muito me agradou. Ao longo da vida, trocamos de pele, renovar é um movimento irresistível, a fim de manter a saúde.
            O Belô serve de exemplo de que é possível empreender efemérides, publicações, solidariedade, através do cooperativismo artístico, onde todos saem sentindo-se engrandecidos e realizados. Dado o exemplo, agora, cada um de nós pode caminhar com as próprias pernas, sendo a autonomia do indivíduo outra lição do Belô. Ensinar a pescar e engravidar possibilidades, como diz o poeta Diovani Mendonça, homenageado na abertura do evento, assim como Severino Iabá, multiativista.  
Como se não bastasse, outra lição do Belô é da importância do intercâmbio cultural com movimentos, grupos e pessoas de outras cidades, fora do nosso espectro geográfico-mental. É uma forma de desengessar o olhar, arejar a cabeça, conhecer novas culturas, experiências, possibilidades, sendo o último dia de todos os dez episódios do evento, dedicado a um passeio fora de Belo Horizonte, com saber e sabor.
O aspecto humano também é importante ser ressaltado: o Belô Poético, geralmente chamado de “evento”, sempre foi mais do que isso, isto é, ele nunca foi efêmero propriamente, mas sempre uma continuidade de uma irmandade poética, um constante reencontro de poetas esperado todos os anos, algo que durava dentro de cada um. Também não era mais um evento fast-food (acabou, passou), estandardizado, espetacular, mas poroso às contingências e sensibilidades, mais humano. Os participantes, ao final, senão transformados, saíam sensibilizados, solidarizados, irmanados. Já os organizadores, cansados, mas cansaço bom, de quem travou o bom combate, que merece nosso apreço e compreensão. 
A melhor forma de ser fiéis ao espírito emanado do Belô Poético, talvez seja aprendermos a caminhar com as próprias pernas como indivíduos e sociedade civil; cooperados, que isolados nada realizamos; arrefecer egotismos e cultivar virtudes; sair do comodismo atrofiador, obrar o bem. Tempo foge, vida passa, ‘vai a idade’, o Belô nos deixa sim saudades, mas também exemplo aos nossos empreendimentos e desdobramentos presentes e futuros.

Vinícius Fernandes Cardoso,
Poeta, 28/07/2014

Foto/imagem: performance “No Brasil tudo acaba em...” com Rogério Salgado e Virgilene Araújo

O escritor Wlaumir Souza hoje no "Ponto & Vírgula"!

        Olá, amigos!   Olha eu aqui com meu recadinho!

            Vejam o que vamos mostrar pra vocês, hoje ao meio dia, no “Ponto & Vírgula” da TVRP, Canal 9 da Net, e sexta-feira às 20h na TV MAIS RIBEIRÃO, Canal 22:

1º Bloco
            A Poeta de Ontem: Helena Kolody - Poema: “Sonhar”

            A Poeta de Hoje: Vera Regina Marçallo Gaetani - Poema: “A Busca”
             
2º Bloco
            Bate-papo com o escritor  Wlaumir Souza sobre seu livro “Versos e Reversos do Amor” que será lançado dia 9 de agosto as 14h, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi de Ribeirão Preto.

            Imperdível!
            Espero vocês!
            Um abraço.
            Irene

PS:  Os que não tiveram a oportunidade de ver o programa anterior  (Serenateando com Leandro Silva e seu convidados) poderão ver, clicando aqui: https://www.youtube.com/watch?v=XiJJACZaJ4s

Curta nossa página no Facebook www.facebook.com/programapontoevirgula
 e acesse nosso site www.programapontoevirgula.com


Irene Coimbra 

Produtora e Editora - Programa e Revista Ponto & Vírgula

mercredi 30 juillet 2014

CONCURSO

Para artistas principiantes ou não.
Que tal uma obra sua ser a capa de nossa nova antologia?
Varal Antológico 5, quinta coletânea da revista VARAL DO BRASIL quer mostrar o seu talento!
Tema: livre
Envie seu desenho ou pintura em muita boa resolução para o e-mail varaldobrasil@gmail.com
Estaremos recebendo participações até 30 de outubro!
Participe! O (a) ganhador (a) terá sua obra como capa do livro Varal Antológico 5 que será lançado em 2015 e terá direito a dez exemplares do livro.

Imagem: Capa do livro Varal Antológico 4, obra da artista Maria Lagranha


CALMA



na calmaria cede espaço ao cansaço.
Descansa o silêncio e se desentende
em ritos descontinuados. Desavenças
e calçadas ressoam passos. Acalma
o vento. Reclama ao vento a passagem.
Impressiona o sono em ideias aleatórias
de descobertas e conformismos. No
dito recupera da razão o lídimo saber
sobre a calma na alma despossuída.
Em passos atravessa a hora e despede
do gerânio a flor inacabada. Gira o Sol
em retorno: o dia permanece na explosão
sintética da espera. A calma na calúnia
desdita arrebenta os sinos entre torres.
O desafogo na morte: calma arrebatada
ao espírito. Acalma o corpo ao começo.

(Pedro Du Bois, inédito)



"Cartografias Políticas da América Latina"

A Casa da América Latina
Convida: Seminário " Cartografias Políticas da América Latina"



Cartografias políticas da América Latina. 
Organização: André Queiroz (UFF).

Realização: Instituto de Artes e Comunicação Social/UFF e Casa da América Latina

Apoio e Local: Centro Cultural Justiça Federal  -Av. Rio Branco, 241- Cinelândia- Rio de Janeiro
Dias: 30 e 31 de julho de 2014.


Programação:


Dia 30 de Julho:


16:00: Abertura do evento.

16:15: Exibição do trailer do documentário:
O Povo Que Falta (Direção: André Queiroz e Arthur Moura, Brasil, 2014, 12min)

16:40: Conferência: Cuba, Sendero Luminoso y la violencia revolucionaria
 Luís Popa (diplomata cubano por mais de 20 anos e Professor de Ciências Políticas da PUC-Perú)

18:00 Exibição do documentário:
Apuntando al corazon (Direção: Claudia Gordillo, Colombia, 2013, 52min). 

19:00 Conferência: A política de segurança no Estado de Exceção em Colômbia
Claudia Gordillo (Cineasta e Professora da Pontificia Universidad Javeriana de Bogotá)


Dia 31 de Julho:


16:00: Conferência: O inescutável: violência e testemunho na população quechua no Perú.
Ana María Guerrero (Psicanalista. Trabalhou na equipe de saúde mental com os afetados pela guerra civil no Peru)

17:15: Exibição do documentário:
Paco Urondo (Virna Molina y Ernesto Ardito, Argentina, 2012, 59min).

18:30: ConferênciaA palavra definitiva. Escritura e militância na Argentina dos anos 70 (Walsh, Conti, Urondo).

André Queiroz (Escritor e ensaísta. Professor da Universidade Federal Fluminense)

mardi 29 juillet 2014

PARTICIPE DE NOSSA ANTOLOGIA!


Inscrições abertas para quinta edição do Concurso Agostinho de Cultura/2014

Adonis abre inscrições para quinta edição do Concurso Agostinho de Cultura/2014
Por meio do concurso, a editora busca revelar talentos da literatura. Categoria ‘Poesia para todas as idades’ é novidade desta edição


Realizado pela Adonis desde 2008, como forma de revelar talentos da literatura e fomentar a produção literária, o Concurso Agostinho de Cultura chega este ano a sua quinta edição, tornando-se o meio exclusivo de publicação dos selos da editora. A participação está aberta a partir desta sexta-feira, 25 de julho - dia do escritor - , e permanece até o dia 31 de julho de 2015. O concurso é direcionado para escritores de literatura infantil com textos ficcionais em língua portuguesa.
Para participar é necessário ter mais de 18 anos e apresentar originais inéditos, em prosa e poesia, direcionados à leitores a partir de 3 anos. As categorias propostas são: Série Primeiro Leitor, Leitor Iniciante, Leitor em Processo, Leitor Infantojuvenil, Neoleitor e Poesia para todas as idades.
A categoria Poesia para todas as idades é novidade nesta edição e faz parte do programa Adonis de incentivo à poesia. As obras inscritas nessa série devem respeitar as características e público das demais categorias propostas pelo concurso.
 Os interessados deverão enviar suas obras à Editora Adonis (Rua do Acetato, 189 – Distrito Industrial Abdo Najar – CEP: 13474-763 – Americana/SP) com a identificação por meio de pseudônimo. Dentro de um envelope lacrado o escritor deve enviar seus dados pessoais.
Segundo o regulamento, os textos inscritos devem possuir o Registro de Direito Autoral/EDA (Escritório de Direito Autoral), que tem por finalidade atribuir ao autor segurança quanto ao direito sobre sua obra.
O júri analisador será nomeado pela Adonis e composto de especialistas em literatura para as fases em questão. Os critérios utilizados para avaliação das obras são qualidade, trabalho estético com a linguagem, coerência e consistência do texto, construção do narrador, caracterização das personagens, ambientação e temporalidade, e potencialidade interpretativa.
O anuncio dos vencedores está previsto para outubro de 2015.
Desde sua primeira edição, o Concurso já publicou 17 obras entre vencedoras e indicadas pelo júri e que hoje fazem parte do catálogo da editora. 
Informações sobre o Quinto Concurso Agostinho de Cultura pelo telefone (19) 3471-5608 ou e-mail contato@editoraadonis.com.br. O regulamento completo encontra-se no site www.editoraadonis.com.br/concurso

--
Maine Bochicchio
Comunicação

Tel. (19) 3471.5608

lundi 28 juillet 2014

VENHA PARA O SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA, SUÍÇA!


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Estrada.....




Ah, se soubesses da estrada a ser percorrida,
Da mesma ainda não conheço as inúmeras dimensões,
Diria, certamente infindas,
Não senti o fado inserir tais estranhezas em mim,
Está comprovado, os passos, ao futuro ainda não se fizeram
Chegar,
Eis que ao saber de quão pressurosos sentimentos me tangem,
Quero ter à frente espaços libertadores, algo que torne viável
O continuar pelas vivências temporais que a vida me concedeu,
Isto muito me vale, é preciso alcançar etapas, de preferência,
Sucessivas,
O mesmo piso a ser percorrido parece-me fonte de inspirações,
Há de ser, em alguns momentos, notadamente propício,
Dar-me a luz necessária para os atos de superação,
Não importando, destas etapas em diante, quanto me custará
Assimilar dentre os ensejos circunstantes,
Terei ao alcance das mãos, esta eficaz brandura a me felicitar,
Havendo eu optado por ideais de manutenção enquanto este
Mesmo tempo em que ainda me encontro, também reflete
Os estados de paz por que tanto labutei num frutuoso
Caminhar nesta estrada supostamente sem fim....!!!




José Roberto Abib - Capivari, 23/07/214

II Prêmio Vinícius de Moraes encerra inscrições no próximo dia 31


Poetas podem se inscrever pelas internet
O II Prêmio Vinícius de Moraes – Concurso de Poesias, edição 2014, encerrará as inscrições no próximo dia 31. Poetas amadores e profissionais poderão inscrever até três poesias. De acordo com a Comissão Organizadora, as inscrições poderão ser feitas pelos Correios ou pela Internet, por meio do e-mail editorabueno@hotmail.com. Tal medida visa facilitar a participação de poetas que residem em outros Estados do país. As poesias deverão ser enviadas em um mesmo arquivo, assinadas apenas com pseudônimo. Um outro arquivo deverá ser enviado contendo os dados completos do autor, tais como: nome, endereço, cidade, CEP, Estado, telefone, nome das poesias, pseudônimo, e-mail e breve currículo.
A Comissão comunica que tal procedimento feito pela Internet não vai prejudicar a seleção e classificações dos trabalhos, visto que a Comissão Julgadora não terá acesso aos documentos de identificação dos participantes.
O regulamento completo pode ser acessado no Blog Portal Escriba – www.portalescriba.blogspot.com.br.
Serão premiadas as três melhores poesias, cujos autores receberão o troféu “Vinícius de Moraes”. A Comissão Organizadora poderá publicar as 30 melhores poesias em Antologia, como já foi feito no ano passado, sem fins comerciais.

Integram a Comissão Organizadora, os escritores e membros da Academia Venceslauense de Letras, Aparecido de Melo, Ari Florentino, Arlinda Garcia de Oliveira Marques e Nicolly Bueno.


samedi 26 juillet 2014

Crônica da Urda

DAVID GONÇALVES E O SANGUE VERDE

                                   Ainda estou um pouco sem fôlego depois de ler “Sangue Verde”, esse estupendo romance de David Gonçalves, simpático e prestativo escritor que vive na cidade de Joinville/SC, e que mais de uma vez já me surpreendeu por outros grandiosos romances.
                                   Havia como que uma expectativa indefinida a respeito da publicação de “Sangue Verde” – o que seria, como seria... Já conhecendo o talento do autor, esperava muito, mas apesar de “Germinal”, de Emile Zola , de “Terras do sem fim”, de Jorge Amado, de “Garabombo, o invisível”, de Manuel Scorza, não estava devidamente preparada para o impacto que o novo romance de David Gonçalves traz.
                                   A gente o abre pensando que vai conhecer curiosidades de um garimpo na Amazônia e das febres do ouro que ocasionou coisas como Serra Pelada, transformada, no final, num pacífico lago – mas, de surpresa em surpresa, de personagem em personagem, de impacto em impacto, que vai desde uma sucuri imóvel num banhado como um pau, semanas e semanas, esperando para comer uma menina, passando pela pureza infinita de um biólogo que ama macacos, plantas e tudo o mais que é natureza, e que de tanto amor se torna ingênuo a ponto de ser transformado num fora da lei, e mergulhando fundo em personagens abjetos e podres como o poderoso senador da bancada ruralista e outros, tão perdidos, tão perdidos, como os já sem esperanças índios alcoólatras, com suas culturas roubadas por missionários mal intencionados e servindo de alvo para as certeiras balas de fazendeiros sem escrúpulos que lhes roubam a mata, a dignidade e a vida, e como o pastor violento e corrupto que serve ao deus dinheiro – seria impossível enumerar aqui tantos e tão perfeitos personagens nessa tão bem alivanhada, costurada e entretecida trama, que não deixa um fio solto e que me deixou como que besta de admiração ao lê-la.
                                   “Sangue Verde” é o retrato do Brasil e das barbaridades do capitalismo; diria mais: é o retrato da América dita Latina, esta Abya Ayala macerada pelo jugo do imperialismo há mais de quinhentos anos e esmagada sob a bota do capital, e a gente vai lendo o livro e vai identificando os personagens, as coisas, os fatos, e quase que se reconhecendo na trama. A sensibilidade de David Gonçalves consegue trazer para o livro até o grande herói juiz de direito correto, capaz de morar dentro do fórum para salvar a pele enquanto não transige de forma nenhuma com a justiça, e que a gente viu de verdade na televisão como coisa espantosa. Talvez na nossa cabeça que vê televisão tivéssemos imaginado tal juiz já assassinado, ou já corrompido – ledo engano. Vivíssimo, o juiz dorme num colchonete dentro do fórum e é como um sopro vivificador a sua trajetória dentro do livro, e de fininho ele acaba saindo do livro para outras cidades, outros fóruns, onde decerto está a batalhar por justa justiça neste momento em que escrevo, sem temor e nem tremor, límpida fonte de água pura a fluir dentro do grande lodaçal capitalista.
                                   Os personagens de “Sangue Verde” são intensos, vivos, cheiram a suor, a sabonete barato, a uísque e a cachaça, a pastel gorduroso, a defuntos com ninho de formiga no olho direito, a sensualidade, a amor.
                                    Soube que David Gonçalves muito viajou para a região amazônica e outras para poder compor o livro e os tantos desdobramentos em personagens – valeu, David, como valeu! É deste tipo de material que se formam os grandes escritores; é deste teu cerne capaz de arriscar tudo para contar bem contada a história que, na verdade, é a história do dia a dia, que acabam acontecendo os escritores que realmente deixam sua marca no planeta.
                                   E, para não decepcionar ninguém, até parece que ele escreveu o final para mim, que acredito que “um mundo melhor é possível”. Que sacada, companheiro, final para ninguém botar defeito, nem gregos e nem troianos.
                                   É claro que escrevi isto aqui para recomendar que se leia “Sangue Verde”, que eu nem vou contar o que significa.
                                   Penso que já deve estar nas melhores livrarias, e se não estiver, o e-mail do David é david.goncalves@uol.com.br, e ele também está no facebook, e atende a encomendas, pois eu já andei encomendando e veio direitinho. O preço é de R$40,00, e só vale a pena.

                                   Blumenau, 21 de julho de 2014.

                                   Urda Alice Klueger

                                   Escritora, historiadora e doutora em Geografia pela UFPR.  

Convite Jornal Sem Fronteiras


vendredi 25 juillet 2014

VENHA PARTICIPAR EM GENEBRA!


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AVENTAR



Avento o tempo
imemorial. Cedo levanto
                  a poeira
                  e atravesso desertos
                  concretados. Concreto ser
                  aventado: pó espalhado
                  espraiado
                  espelhado no opaco
                  tempo de memórias.

(Pedro Du Bois, inédito)



Newletter Jam Session de Montreux 2014

Bonjour à tous La Jam Session de Montreux 2014 Vous invitent ...
Bom dia a todos a Jam Session de Montreux 2014 Convida...



Au programme de
ce concert exceptionnel de trois heures, la bossa vibrera grâce à sa légende vivante, João Donato. Avec lui,  Gilberto Gil, le célèbre musicien de Salvador de Bahia et ancien ministre de la Culture.
La samba sera représentée par sa reine, Alcione, une grande dame à la voix puissante et chaude, qui va faire danser l’Auditorium Stravinski!
Avec eux sur scène, les admirables musiciens Armandinho Macêdo, Jaques Morelenbaum
et le Brasil Live Montreux Band.

PRIX DES PLACES
71.- (debout)
128.- (assis, cat.1)
96.- (assis, cat.2)
021 962 21 19



Uma Programação excepcional e três horas de show!
A bossa vibrará
graças à lenda viva
de João Donato. Juntamente com Gilberto Gil, grande Mestre Baiano
e Ex ministro da Cultura.

O samba vibrará
graças à rainha Alcione, que com sua voz vibrante vai balançar
o Auditório Stravinski!
Com eles no palco, grandes nomes como Armandinho Macêdo, Jaques Morelenbaum
e Brasil Live Montreux Band.

INGRESSO
71.- (em pé)
128.- (sentado, cat.1)
96.- (sentado, cat.2)

021 962 21 19

jeudi 24 juillet 2014

Tia Maria


SOLO E ÁGUA




O solo absorve
aqüífera água. O poço
                         cancela
                         o isolamento: corda
                                               caçamba.

Retiro o cesto e guardo a garrafa:
o vinho descansado
sugere o instante da embriaguez

                          o solo absolve
                          a água derramada.

(Pedro Du Bois, inédito)



Amostra do Show "Serenateando com Leandro Silva", no "Ponto & Vírgula"!

            Olá, amigos!   Olha eu aqui com meu recadinho!

            Vejam o que vamos mostrar pra vocês, hoje ao meio dia, no “Ponto & Vírgula” da TVRP, Canal 9 da Net, e sexta-feira às 20h na TV MAIS RIBEIRÃO, Canal 22:

1º Bloco
            A Poeta de Hoje: Octávia Compagno Cyrino - Poema: “Tarde de Estio”
             
2º Bloco
            Uma amostra do Show “Serenateando com Leandro Silva”, no Theatro Pedro II, dia 16 de julho.
             Participação especial: Gustavo Molinari, Rafael Leme, Tiago Silva, Mário Papa, Raphael Heijy, Lucas Rodrigues (músicos); Nely Cyrino de Mello (dançarina) e Quiquita Pileggi (cantora lírica).

            Imperdível!
            Espero vocês!
            Um abraço.
            Irene

PS:  Os que não tiveram a oportunidade de ver o programa anterior  (O Poeta de Hoje, Sarau em Comemoração ao Dia do Escritor de Ribeirão Preto e Show de Chorinhos com Sexteto Colibri) é só clicar nesse link...   https://www.youtube.com/watch?v=ABv8K7kHi0U




Irene Coimbra 

Produtora e Editora - Programa e Revista Ponto & Vírgula

mercredi 23 juillet 2014

VARAL ESPECIAL LIVRO 2014

VARAL ESTENDIDO!

Aqueles que escrevem vivem entre livros. Vivem entre seus livros e livros de outros autores. Leem muito! Pelo menos é isto que se imagina… Mas nem sempre é assim.
Na verdade, há muita gente que escreve e que deseja ver seus textos lidos e que não abre um livro sequer. E sim, isto é verdade.

O que acontece com estas pessoas? Porque não leem? As respostas poderiam ser muitas, mas a mais simples resposta é que há um interesse muito grande em ser lido, mas um interesse mínimo em conhecer aquilo que o outro escreve.

Por isto tantos livros editados no Brasil (que detém um número recorde de edição independente) e tão poucos autores nacionais (principalmente os novos autores) elevados ao patamar de autores mais lidos do ano. Ou mais lidos, simplesmente.

Alguns eventos literários promovendo apenas prêmios, medalhas e títulos (estes últimos chegando muitas vezes até a ser ridículos) ao invés de promover a literatura. Muitos grupos de escritores fazendo o mesmo. E assim vai ficando para trás o que mais deveria ter importância: o livro! O prazer da leitura dá lugar ao ego.
Mas isto é coisa que ninguém comenta. O silêncio em torno destas atitudes permite que ela seja alastrada, enquanto os poucos que lutam pela expansão da verdadeira literatura, de forma digna e honesta, acabam por perecer no caminho da sobrevivência literária.

Ler não mata. Ler não é crime,. Ler não faz mal.

Bem ao contrário, como bem se sabe, ler traz vida, educa, só faz bem. Ler autores consagrados ou desconhecidos, nacionais ou internacionais. Ler.

Ler para escrever melhor.

Nós aqui no Varal do Brasil fazemos de nosso melhor para levar a você, leitor e escritor, um pouco de leitura, de forma simples e agradável. Lutamos para que ler se torne um hábito para todo escritor.
Através de nossas atividades elevamos à literatura ao lugar onde deveria sempre estar: à altura do povo, sem frescuras! Obrigada pelo carinho!

Peça pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com
Ou leia aqui:
http://fr.scribd.com/doc/234640396/VARAL-30B-pdf

Banquete de Ideias


Lançamento de livro: Como ser u m bom marido

Como Ser um Bom Marido – Receita ou Milagre?
Ana Rosenrot

Você acredita na existência do príncipe encantado? No amor verdadeiro? Em sapos que se transmutam? Essas e outras perguntas serão “quase” respondidas por esse livro que fala sobre amor, respeito, compreensão, simplicidade, cotidiano, trabalho, carinho, habilidades, felicidade, sentimentos, dicas, humor, homenagens, surpresas, atitude, generosidade, cavalheirismo, amizade, casamento, futuro, passado e muito mais! Tudo o que esperamos (intensamente) encontrar em nossos amores, mas que às vezes esquecemos-nos de buscar em nós mesmos.
São 100 páginas de alegria, experiências inusitadas sobre o relacionamento nos dias de hoje e traz dicas divertidas e valiosas; não deixem de adquirir!


Livro: Como Ser Um Bom Marido - Porque toda mulher tem o Príncipe Encantado (ou o Sapo) que merece!
Autora: Elaine Thrash

Sinopse:
Longe de ser um manual do casamento perfeito, Como Ser Um Bom Marido é um apanhado de dicas e conselhos sobre como um relacionamento pode funcionar hoje em dia. Inspirado em situações observadas e até mesmo vividas pela própria autora, o livro é uma homenagem não apenas aos Bons Maridos, mas também às Boas Esposas, afinal não existe um Bom Marido sem uma Boa Esposa e vice-versa. A obra trata de relacionamentos de uma forma geral, incluindo família, amigos e trabalho, e contêm divertidas ilustrações do cartunista Marcio Baraldi, além da arte de capa feita pelo próprio Bom Marido da autora, o “muso” inspirador do livro, o designer e artista 3D Thierry Durieux.





Contato e vendas: elaine_thrash@hotmail.com

Para saber mais sobre o livro e sua Autora:

mardi 22 juillet 2014

Amigos animais


Amigos animais é um trabalho realizado em conjunto pelo Grupo do Varal do Brasil no Facebook e foi organizado por Sandra Nascimento.




Calapsita, a sucessora
Lúcia Laborda
Já tive um filhote de pastor belga, nascido em casa. Com problemas nas patinhas traseiras não conseguia andar, se arrastava. Ele era tão amoroso, que enquanto eu cozinhava, ficava deitado aos meus pés. Mas não sobreviveu e por isso eu chorei muito. Ainda hoje, quando lembro tenho vontade de chorar. Mas, em compensação, Deus colocou em minha vida, sem que eu quisesse, uma calopsita, que além de cantar e falar, quando passo fica gritando "mainha, mainha", porque aprendeu com meus filhos. O mais engraçado é que ela me conhece mesmo. 

O louro de minha casa
Raimundo Cândido
O louro de minha casa não vivia no seu poleiro, tal peça de bibelô, como queria minha irmã mais velha. Ao contrário, comportava-se como alguém da família. Exigia comida tão logo ouvia barulho nas panelas, arremedava os meninos chorões e ainda achava graça, em desbragado deleite, de qualquer situação que lhe parecesse um gracejo. Sempre achei que os seus dotes de malabaristas lhe sairiam caros, pois todo dia descia na corda do cacimbão para matar a rara sede. Um dia, algum desprevenido deixou a corda solta... Hoje, em todo poço profundo, ouço as gargalhadas do velho louro, metido à trapezista!






Amor de poodle
Isabel Vargas
Quando solteira tive em casa dois gatos. Foi o máximo que consegui. Apeguei-me a eles e lembro-me de chorar, quando um caiu de uma altura considerável e não conseguia caminhar. Meu marido e eu tivemos um cão pastor alemão, que teve de ficar com os pais dele, porque fomos morar em apartamento. Depois do nascimento dos filhos, ainda tentamos ter cachorros de pequeno porte, mas não tivemos sorte. Nossos filhos sempre nos pediam com a maior insistência, para ter cães em casa. Obviamente, não podíamos atendê-los, pois quatro filhos e cães em apartamento, com ambos trabalhando era algo impossível de manter. O máximo que conseguimos, para atenuar a frustração deles, foi ter pássaros e peixes. Para sorte deles, no verão, na casa de praia, sempre aparecia algum cão, que por ser bem tratado, alimentado, acabava ficando durante o tempo que lá permanecíamos. Por duas vezes, gatas deram cria em nossa garagem, para felicidade deles, que depois se encarregavam dos filhotes, seu cuidado e sua distribuição. Mas, o tempo passou, eles cresceram, nós nos aposentamos e por inúmeros motivos, resolvemos comprar um poodle para nossa neta, achando que iria ser bom, por uma série de circunstâncias. Não podia imaginar, passado um ano, que ele iria nos ensinar tantas coisas. Dá trabalho e gastos, é claro. Banho, vacina, tosa veterinário, até radiografia, por ocasião das peripécias que aprontou, mas, ele, o irracional, nos dá demonstração diária de alegria, companheirismo, carinho, apego, fidelidade, cuidado e amor incrível. Ele reconhece cada membro da família, mesmo os que não moram no mesmo local e cada um que chega, é uma festa. Ele deixa o que está fazendo para ir recebê-los, assim como a nós, quando chegamos em casa. Demonstra toda sua alegria, pelo retorno. Embora pequeno, serve como um grande cão de guarda, dando sinal a cada movimento diferente do habitual. É obediente, companheiro, estando sempre ao nosso lado, quer ganhe um afago, um carinho ou não. Se estamos tristes e não queremos brincadeiras, ele igualmente permanece quieto, ao nosso lado, como quem diz:- Estou aqui. Neste exato momento, parece que sabe que estou escrevendo a seu respeito, pois saltou de meus pés, para o meu colo. Se apronta qualquer coisa e ralhamos com ele, baixa a cabeça, fica quieto e sem rancor ou raiva, logo vem pedir carinho. Vi há poucos meses uma propaganda que ressaltava as qualidades do cão, dizendo que nós, os humanos racionais, tínhamos muito a aprender com ele. É verdade, principalmente o seu amor incondicional que é o mais importante, sem cobranças.

Livros infanto-juvenis
Dulce Rodrigues
As aventuras com os meus animais de estimação estão contadas nos meus livros infanto-juvenis, falta somente a da Fifi (a gatinha que adoptei vai para um ano), mas ainda não vai ser em breve.
Paris Greap e eu
Rosana Freitas
Paris Greap é o nome de minha Lhasa apso. Um dos sentimentos mais profundos que senti foi quando viajei e a deixei aos cuidados de uma amiga. Ao retornar ela não estava à minha espera e minha amiga disse que ela tinha sumido... Chovia, fazia frio e meu coração se rasgou em desespero sem saber se ela estava viva ou morta. Lembrei que ela morria de medo de altura, tinha asma...  Mas me entendia como ninguém.
Durante uma semana senti o inferno na terra e jamais achei que passaria por esse turbilhão de sentimentos. Até telefonema de pedido de resgate eu recebi. À noite, eu andava pelas praias desertas de minha cidade, gritando pelo nome dela e orando a Deus que tivesse misericórdia. O que mais doía era não saber se ela estava viva ou morta.
Boatos correram pela cidade de que Paris estava sendo mantida presa para procriação e sendo induzida a entrar no cio através da introdução de objetos estranhos em suas áreas intimas. Nunca imaginei, nem em meus mais profundos pesadelos que isso existisse. Ninguém pode fazer ideia de como fiquei... Eu não comia, nem dormia.
Mas Deus, em sua infinita misericórdia, uma semana depois, enviou um anjo em forma de ser humano. Anjo que, por ver meu apelo na internet, acabou me ligando à uma hora da manhã para dizer que estava com a minha cachorra. Essa pessoa explicou que na mesma noite do desaparecimento, Paris entrou em sua casa e ela a acolheu com cuidados. Mas como não sabia a quem pertencia e não usava o computador com frequência, não pôde devolver. E então numa noite, antes de dormir, resolveu conferir o facebook e assim que abriu viu meu apelo. Eu postava mais de vinte pedidos por dia. E por isso, ela me ligou de madrugada. Nesse momento eu chorava e agradecia a Deus ao mesmo tempo.  E assim Paris Greap foi devolvida.
Hoje ela anda comigo onde quer que eu vá... Só Deus para cuidar do que é nosso!



Iris, a gatinha companheira
Maria Nilza Campos Lepre
Durante toda minha vida, sempre tive um dois ou mais cachorros em minha casa, mas, sofro muito quando morrem por doença ou por velhice. Os animais caseiros vivem muito pouco em relação a seus donos e a cada perda o sofrimento é muito grande. Sofro como se um membro da família houvesse nos deixado...
Estávamos em São Paulo, minha neta, acabara de fazer uma defesa de tese na faculdade Anhembi. Como estávamos próximos a um Shopping Center, filha e neta resolveram fazer algumas compras e almoçar por ali mesmo. Eu ainda não me encontrava muito bem de saúde, tinha sofrido uma embolia pulmonar e preferi ficar sentada na praça de alimentação enquanto elas saíram às compras. Meu neto, filho de outra filha, que nos acompanhava nesta ocasião, resolveu ficar comigo, deu como desculpa o fato de que não queria gastar, mas acredito que não quis em verdade me deixar sozinha.
Passado algum tempo, as duas retornaram com um brilho diferente em suas fisionomias. Tinham o ar de quem acaba de fazer uma traquinagem e vinham carregando uma maleta. Ao chegarem perto, pude perceber que era uma destas casinhas de transporte de animais. Sentaram-se ao meu lado, e colocaram a dita cuja sobre a mesa.
Olhei melhor e pude divisar bem no fundo a carinha de uma gata. Devia ter poucos meses de vida e se encontrava muito assustada, acomodara-se bem no fundo e mais parecia uma bolinha de pelos brancos, cinzas e com alguns tufos castanhos. No meio de tudo isso, dois olhinhos cor de mel, arregalados e brilhantes, encaravam-me como se estivessem a pedir socorro. Esse animalzinho, imediatamente tomou conta do meu coração. Minha filha retirou-a de onde se encontrava e a colocou em minhas mãos, era tão pequena que se acomodou direitinho nelas. Foi se ajeitando e acabou dormindo em meus braços. Estava com pena de colocar o bichinho de volta na casinha, mas acabei tendo que fazer isto, pois a refeição acabava de chegar.
Depois do almoço, as duas que estavam novamente com aquele ar maroto nos olhos, entregaram a maleta para mim e disseram: - Cuide bem dela, é um presente nosso para você. Meu coração quase parou de funcionar, tanta foi a emoção que senti.  Mas ao mesmo tempo em que me sentia feliz, batia a insegurança. Comecei a recordar as perdas anteriores e, pensando nisso, tentei rejeitar. Argumentei que nunca havia cuidado de gatos. Mas, as duas foram taxativas: - Não aceitamos desculpas, presente não se recusa.  
O nome que constava no pedigree era “Cris”, mas minha neta disse que ela tinha carinha de “Iris”, e assim passei a chamá-la. Atualmente é a minha companheira constante, tanto nas horas boas quanto nas más. Parece um cachorrinho. Onde estou, é só olhar ao redor que a encontro. Quando saio para algum passeio ou compromisso, ao regressar é sempre ela que esta à minha espera atrás da porta. Toda a noite, ela dorme no travesseiro que se encontra vago, desde a morte de meu amado. Hoje não saberia mais viver sem minha amiguinha. Que Deus a conserve por muitos anos, não quero ter de chorar por mais uma perda.
E esta é a história da minha gatinha Iris, um dos grandes amores de minha vida.

Um canto no meio da noite
Marilu R F Queiroz
Morávamos num apartamento lá pelos lados da Bela Vista. Meu sogro me deu um canário belga, ao qual batizei de Ricardinho. Era lindo, parecia que estava de casaco, pois sua cabeça e costas alaranjadas envolviam um peito branco que apresentava bem no meio uma faixa vertical na cor laranja, que mais parecia uma gravata. No pezinho direito, um anel indicava a sua procedência e lhe dava um ar majestoso, sempre muito esperto. Mas vivia solitário, pois era um pássaro criado em cativeiro. Nós morríamos de dó dele, por estar preso em uma gaiola e porque só o víamos à noite, por causa do trabalho e faculdade. Quando chegávamos por volta da meia noite o bichinho cantava tão alto, que fomos obrigados a devolvê-lo, pois os vizinhos começaram a reclamar e com razão.
Já imaginou no silêncio da noite um pássaro cantor?
Prrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr...Titititititititi...

Saudades do Tom
Ly Sabas
Cresci cercada por cachorros, galinhas, papagaio, mico (isso ainda não era politicamente incorreto), mas quando casei demorei muito a ter um bichinho em minha casa. Minhas filhas já estavam grandinhas, quando gatos resolveram que nosso quintal era o local perfeito para passarem uns dias e foram ficando.
E vieram os filhos, e os filhos dos filhos e cuidar de arranjar lar de adoção a gatinhos era tarefa complicada. Um dia resolvemos que deveríamos ter apenas um macho, acreditando que não teríamos problemas com um monte de filhotes.
Porém, não tivemos o cuidado de castrá-lo e Tom, que era um gato muito consciente de seus deveres, virava, mexia e aparecia com uma namorada grávida para parir em nossa garagem.
 E a história se repetia a cada seis meses, até que nos mudamos para Belém, capital do Pará, e o levamos em sua primeira viagem de avião. Lá, no apartamento, sem todo o espaço a que estava acostumado, nosso amiguinho aguentou pouco tempo. Deve ter ouvido falar no “Ver o Peso” e resolvido que merecia conhecer o famoso mercado.
Saiu, belo e fagueiro, enfeitado com suas listras cinza de tigre brasileiro e nunca mais nos deu o ar de sua graça.

Balú
Neyde Bohon
O cão amigo do homem
quase que racional
amigo e sincero
Seja vira-lata ou cão de raça
Cão de cego, pastor ou caçador
Quando brinca é quase uma criança.
Amigo no trabalho ou no lazer
Somente a morte encerra sua Fidelidade
Assim foi com a nossa Balú.

Galileu e Laika
Gladis Deble
Quando mudei de um apartamento para uma casa, ganhei um cão vira-lata de pelo amarelo e boca preta que recebeu o nome de Galileu. Ele adorava fugir para a rua. Em casa era amigo de todos e até buscava os jornais no portão, mas especializou-se em atacar bicicletas e motos. Um dia meu neto Huguinho surgiu com uma cachorra numa caixa. Ela era indisciplinada, cresceu rápido, ficou enorme e atacava as galinhas da vizinha. Passei muita vergonha com as estrepolias deles.
Nessa época meu marido adoeceu e eu trabalhava em outro município, pegava o ônibus às seis horas e tinha medo de sair para a rua sozinha, então acordava o Galileu para me acompanhar até o ponto. Ele demorava a acordar e a entender o que eu queria. Depois saía disposto e alegre. Na pracinha juntava-se a outros cães e a cada cruzamento ia se dispersando. Mas esperava-me embarcar e só então voltava. Lembro-me que em duas semanas ficou bem treinado. Quando sumiu por alguns dias, tive que acordar a Laika para me levar. Ela ia bem junto de mim, não se afastava nunca. Numa manhã, lá no ponto, uma moça que ia para Aceguá, falou: “É falta de responsabilidade deixar cachorros soltos na rua. Esses animais são muito bagunceiros. Eu sei que são seus, pois no seu dia de folga eles não vêm.” O ônibus chegou e eu não disse nada, não quis expor meus problemas para uma estranha.
O melhor disso tudo levarei na memória: o olhar amoroso e de compromisso que os dois tinham para comigo. Lembro-me que já no ônibus, eu olhava pela janela e lá fora via o focinho escuro e um par de olhos brilhantes e atentos que tornavam a minha vida possível.
Hoje, quando um dia frio remete a imenso vazio e algo ou alguém entristece meu viver, recordo aquela esquina e os cães na geada que cuidavam de mim.

Pela vida, pelos bichos
Ana Rosa Santana
Sempre vivi acompanhada de animais, herdei de meu avô essa paixão e quando penso nos amigos animais, automaticamente a imagem dele me vem à mente: um homem simples e sempre cercado de bichos, que não permitia (para desespero de minha avó) que matassem nem ratos na presença dele.
Ele dizia que nós é que éramos os culpados pelos animais se transformarem em prejudiciais à saúde, pois se os humanos cuidassem melhor do ambiente, esses bichinhos não portariam nem transmitiriam doenças.
Cresci com pavor de ver ou praticar qualquer tipo de maus-tratos a animais. Criei gatos e cães lindos. Hoje tenho dois gatos: a GG e a Sleep e um canário de onze anos chamado Tipe, que vi nascer e que possui muita energia. Não sei se seria a pessoa feliz e calma que sou se não fossem esses meus amigos; e meu avô, que me ensinou a amar e respeitar a vida acima de tudo.

Tartaruga de Chocolate
Sandra Nascimento
Certa vez atendi de pronto a um pedido do meu filho: “Mãe, compra uma tartaruguinha pra mim?” Sou contra comprar animais silvestres ou outro qualquer, mas era época em que andava meio desolada e triste, meu pai havia falecido. E sem pensar direito, para não desprestigiar nenhum dos filhos comprei logo duas. Uma pra cada um. Disseram-me ser de aquário, mas qual... Elas cresceram e acabamos por ter de arrumar uma piscina com ambiente próprio às duas.
Naquele tempo, a venda de tartarugas originárias de outros países ainda não estava proibida no Brasil, e pesquisando acabei descobrindo que elas eram provenientes do Sul dos Estados Unidos - provavelmente do rio Mississippi ou Alabama. Mas muita gente adquiriu esses bichinhos e meses depois os descartaram por terem crescido demais. Sei disso, porque ainda é possível ver muitas da espécie sobre pedras de córregos e lagoas. Confesso que não tive coragem de me desfazer das minhas, eram cativantes e cheias de charme. Viviam se lagarteando ao sol e se esticando na sombra. Alimentação: ração de cachorro ou carne crua. Seus nomes, respectivamente Verdinha e Estrelinha, batizadas que foram pelas crianças.
Ano passado morreu a menor, porque estranhou uma frente fria. Pobre Estrelinha, já estava adaptada ao nosso calor. Nesse dia, soubemos pelo veterinário que era um menino e muito provavelmente o marido de Verdinha. Agora, a piscina e sua largueza ficaram exclusivamente para a viuvinha que até parece alegre... Gosta da solidão e anda renascida por todos os cantos.

Entretanto, voltando ao começo, tem um detalhe que devo contar. Duas semanas depois de adquirirmos as tartarugas, meu menino – então com quatro anos –, falou: “Eu gostei, mamãe, mas não pedi dessas, a tartaruguinha que eu queria é de chocolate.” 

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