vendredi 24 avril 2015

SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO E DA IMPRENSA DE GENEBRA COM O VARAL DO BRASIL

A partir de hoje até o dia 4 de maio estaremos no estande do Varal do Brasil no Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra.
Estaremos lá apresentando mais de 30 autores, mais de duzentos títulos de livros!
Esperamos sua visita!

Voltaremos com as atividades normais do blog no dia 5 de maio.



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Curso


jeudi 23 avril 2015

QUATRO DÉCADAS DE LUA MINGUANTE

Numa tarde de inverno rigoroso em 1910, na cidade de Chicago - USA, o doutor James Bryan Herrick (1861 – 1954) recebeu, em seu consultório, um jovem negro proveniente de Granada, ilha do Caribe, que reclamava de dores por todo o corpo. Ao examiná-lo, o doutor Herrick observou que, além da palidez, o jovem tinha muita icterícia e prováveis lesões ósseas no fêmur e bacia, fato que limitava o seu caminhar. Não era a primeira vez que o doutor observava esse tipo de doença em pessoas negras. Desta vez, ele mesmo retirou um pouco do sangue do jovem negro e pôs-se a analisar em seu microscópio. Qual foi sua surpresa, um terço dos glóbulos vermelhos do seu paciente tinha a forma de lua minguante. Para explicar melhor essas alterações aos seus colegas, o Dr. Herrick utilizou-se da comparação com uma ferramenta muito comum da época. Daí surgiu a expressão “anemia das células em forma de foice” ou “anemia falciforme”.
Passaram mais de cem anos, até que se ouvisse falar dos primeiros casos de cura.
No livro o autor narra toda sua trajetória inspirado pela literatura e as músicas das bandas de rock dos anos 80. Enfim teve sua vida transformada através da técnica de transplante de medula óssea.
Fã da Legião Urbana e de Renato Russo, a frase que sempre o inspirou diz: “ Quem acredita sempre alcança”


ANIVERSÁRIO DA AJEB


mercredi 22 avril 2015

Relembro


Ainda hoje relembro!
Dos tempos que acreditava no amor.
Era tão bela a minha vida...
Que nunca poderia imaginar,
Que com tanta felicidade...
Iria ser um sofredor.
***
Até porque a mulher que amei!
A mim me fascinou.
Me deslumbrou!
Com sua beleza,
Me enganou fingindo amor.
 ***
Hoje somente relembro!
Os momentos felizes que passei...
Com ela.
Sim! Momentos belos e maravilhosos.
Pois aos meus olhos,
Parecia cada vez mais bela!
***
Mas ao saber da traição.
Que me foi imposta...
Não mais acreditei no amor.
Por ser uma faca de gumes!
Que nos alegra.
Mas também nos maltrata.




Vivaldo Terres 

Convite

ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
MUNICÍPIO DE AREZ/RN
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DE AREZ/RN
Rua Antônio Felipe Ferreira, nº 153, Centro (sede provisória), CEP 59.170-000
CNPJ: em andamento - Fone: 3242-2455
_______________________________________________________________________________________

Arez/RN, 10 de abril de 2015.

CONVITE

            Convidamos V. Sa. ou representante (interessado na área de História) para Reunião de Fundação do Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural de Arez/RN (IPHARN), a ocorrer em 11 de maio do corrente ano, às 8: 30 h, no Auditório II da Câmara Municipal de Arez.
            Os candidatos aos encargos do Instituto são:

            - a Diretor: Giovany Menezes (idealizador do Instituto);
            - a Vice-Diretor: Nilvan Barbosa (de Camucim, liderança local e estudioso do assunto);
            - a Secretária: Edilane Nobre (Secretária, paga pelo IPHARN);
            - o Pesquisador em Antropologia e Arqueologia: André Sales (pesquisador de História de Arez);

            Presenças imprescindíveis ou representantes: Prefeito Constitucional de Arez, Secretário de Municipal de Cultura, e Professores de História das Escolas Municipais (mandar pelo menos 1 representante historiador).
            O objetivo único, nesse momento inicial desta Instituição Sem Fins Lucrativos, mas apoiada pela Secretaria Municipal de Cultura de Arez, é estudar e esclarecer para a população, principalmente, os conhecimentos até hoje produzidos e publicados acerca da História Indígena em Arez, entre os anos de 1500 a 1963 (quando o município de Georgino Avelino foi fundado e desmembrado de Arez, levando com eles as provas matériais/arqueológicas pertencentes a terrenos dos atuais dois municípios).
            As responsabilidades do IPHARN são, por agora, pesquisar a teoria existente sobre o assunto; fotografar na UFRN cerca de 2.000 artefatos arqueológicos existentes, remanescentes da História de nossos antigos indígenas; e publicar em livro para socializar, principalmente entre os cidadãos de Arez, os resultados destas Pesquisa. Tudo isso, inicialmente, ficará ao cargo de André Sales e Giovany Menezes.
            Ao Prefeito de Arez e ao Secretário de Cultura, caberão o apoio logístico e legal ao citado Instituto.
            Estará sob a responsabilidade do sr. Nilvan Barbosa auxiliar o IPHARN em relação a todos os conhecimentos que ele possui e que já vem socializando com a Comissão Organizadora do IPHARN.
            E também ao sr. Giovany Menezes, enquanto Tabelião e Advogado, caberá toda a regularização Cartorial e legal do Instituto, já contando com os primeiros recursos particulares alocados para esta finalidade, doadas ao recém-fundado IPHARN, com data marcada para sua reunião de fundação a se realizar em 11 de maio e 2015.

André Valério Sales
Estudioso da História de Arez
Comissão Organizadora


Giovany Teixeira de Menezes
Tabelião e Estudioso da História de Arez

Comissão Organizadora

SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO E DA IMPRENSA DE GENEBRA COM O VARAL DO BRASIL


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mardi 21 avril 2015

Bandeira Branca

Trabalho realizado pelo Grupo do Varal do Brasil no Facebook,



Oficina literária “Bandeira branca”
Proposta de criação: a partir da letra da marchinha “Bandeira branca”, composição de Max Nunes e Laércio Alves, eternizada na voz de Dalva de Oliveira, desenvolver minicontos com o máximo de cinco linhas.
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Bandeira branca
Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade
Que me invade
Eu peço paz (Bis)
Saudade mal de amor, de amor
Saudade dor que dói demais
Vem meu amor
Bandeira branca
Eu peço paz!

*********************************************************************************

E o carnaval chegou!... O povo combate suas mágoas cantando marchinhas antigas. Acenam a bandeira branca com vigor na esperança de um mundo melhor. No luxo destes poucos dias de folia procura lenitivo para suas dores. No compasso das marchas, frevos e sambas, sacoleja o corpo em busca de paz, e de alegria. Embalado pelas belas melodias e lindas fantasias não percebe que o país inteiro parou. Quando a festa terminar, o povo estará mais pobre mais sofrido e humilhado. Somente por alguns dias nos transformamos em reis, rainhas, sultão, magnatas e até piratas. Entretanto no final desta festa pagã, vestiremos realmente a fantasia de palhaço, pois isso é o que sempre nos coube.

Enquanto isso ...

A música soava forte! Os sorrisos e abraços enlaçavam a fantasia já cansada de seu desfilar por entre o sonho e a realidade. O coração batia ligeiro e os pés cansados só queriam um descarrego... O êxtase veio com a fina chuva que lavava a alma, refrescava o corpo e convidava a relaxar... Por alguns segundos a fantasia se tornou real e a paz invadiu o mar de gente que desfilava naquele carnaval...

E, nos braços do tempo, que passa rápido, lá está ela, novamente, pronta para dançar. Um renascer de emoções. Era leve, solta, cabelo em nó, sorrindo, com os pés a bailar bem rápidos pelo salão, como se flores houvesse espalhadas pelo chão. Foi quando olhou para seu amor, ele com a cara fechada. Gritou para ele: Bandeira branca amor, quero dançar!
E chegou o amor com as serpentinas e paetês. O sol e o som da alegria envoltos na bandeira branca da paz esconderam o segredo da paixão de dois olhos em fogo derramando-se sobre o corpo da bailarina carnavalesca sequiosa de afagos. Por testemunha, apenas o Farol da Barra e a multidão pressentiram o adeus da saudade.
Ela se achegou de mansinho e aos poucos foi tomando conta do meu ser de uma forma tão intensa, que parecia querer explodi-lo com o som cadenciado da percussão. Era carnaval!!! Meu corpo estremecia a cada batida do samba enredo. Saudade do amor do passado me fez pedir trégua, o melhor era esquecer e me divertir. Eu quero é Paz!
No último degrau, a deslumbrante Colombina prende a respiração. Todos os que estão no mezanino também. Aos primeiros acordes da marchinha já se preparavam. “Bandeira branca, amor, não posso mais”, gritam os foliões. A pista fervilha loucamente, porém lá no alto, a plateia é só dela. E não se faz de rogada. Flutuando em nuvens de lança-perfume, cerca e prende em seus braços o Pirata embriagado, arrancando de suas mãos o ridículo lenço branco.
Era carnaval quando ele foi atrás da Colombina e eu fiquei na multidão embriagada pelo frenesi da ocasião. Presa em pensamentos não percebi que na esquecida solidão, eu pedia paz. Ouvia o som da avenida que me arrebentava o coração e tocava dentro dele, onde o sangue bombeava sentimentos mais profundos e gritava PAZ ... PAZ... PAZ!
Dor de amor? Dor de cotovelo? Nenhuma das duas. Somente a dor da infecção do trigêmeo, com o rosto desfigurado, dizem ser a maior de todas as dores. Não. A dor do amor não expandido, traído, aquela dor da alma é maior que todas as dores. Quando passará esta dor nevrálgica da alma esfacelada? Há que se cortar na dança dos ritmos...
Sei que lutei contra o que sentia. Sempre macho, sempre no controle, mas seu jeito meigo me pegou. Não posso mais viver longe do seu sorriso, da sua voz, da paixão arrebatadora que emana do seu ser. O baile está triste com você longe de mim. Levanto minha bandeira, que já foi branca e agora está amarelada pelas lágrimas de saudade. “Não posso mais” - vou gritar bem alto, mais alto que as marchinhas que estão tocando - “Volta pra mim, meu amor”!
Ela, no camarote. De repente, olhares vindos do grupo que passa... Ela se assusta. Ele sorri lá de baixo. Um inesperado reencontro de almas que se machucaram. Ela agita a bandeira branca para ele, e ele faz uma reverência. Os dois ficaram ali mesmo, parados no tempo: sorrindo e rindo. O amor rebrota. Num encontro ligeiro, na avenida do samba, voltou a Paz.
Fim de festa - Era quarta-feira de cinzas, as cinzas do fogo carnavalesco começavam a se espalhar pelo dia radiante de sol. Ela, ainda cansada da festa dos últimos dias, avistava a volta para casa. Com uma bandeira branca na mão.
Finalmente pudera ir embora. “Nada mal para um Carnaval”, disse baixinho. Estava só, mas tinha a si. Agora, vislumbrava a caminhada e seguia livre. Leve o coração. Bons pensamentos. Céu e mar inspiravam o sonho e os passos calmos desfaziam a harmonia de pequenas ondas. Soltou os cabelos. O vento fresco agitou o lenço branco em suas mãos. Sorriu para a cena. Merecia a paz, bem sabia. E então, alguém passou fugaz e sorriu também.



Vias, vielas, becos sem saída
Anseios, alma em labirintos.
Quarta feira de cinzas.
Pierrô entre serpentinas
Bandeira branca,
Eu quero paz!

Um vento úmido e suave chegou com um perfume inebriante. A noite se moveu após dias de seca e muito calor. Meu corpo estremeceu, acolhendo este perfume e a lembrança voou quando ele, sem rosas para me dar, me ofereceu um buquê daquela pequena flor branca e a felicidade estava em nós. O prazer do novo perfume se mesclou com a ausência que se torna presente, diante deste inesperado na noite de hoje. Pego um buquê da mirta florida que está no meu jardim. Sinto paz.



Levantaram suas bandeiras de paz:  Maria Nilza Campos Lepre; Flávia Assaife; Marilina Baccarat de Almeida Leão; Jania Souza; Marilu R. F. Queiroz; Ly Sabas; Norália Castro; Ana Rosa Santana; Jacqueline Bulos Aisenman; Sandra Nascimento; Neyde Bohon

lundi 20 avril 2015

CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL


Estourando de saudades

 

Vivo a sonhar...
Um sonho que jamais...
 Tornasse-a realidade!
 Sendo assim morrei...
Com o peito estourando de saudade.
Daquela que amei e me deixou.
***
Minhalma e o coração.
Já não comportam...
Tanta dor!
***
Pelo seu gesto brusco e repentino!
Ando no mundo qual um Pelegrino.
Que já perdeu a esperança no amor!
***
Ah como era belo!
Quando ainda sonhava...
Que tinha encontrado,
Um tesouro valioso!
Pois para mim, ela era esse tesouro...
Que me deixava feliz e encantado.
E era eu um eterno apaixonado!
***
Hoje somente a tristeza impera!
Nesse coração e nessa alma errante.
Que mesmo sem mais esperança!
Seu nome não me sai da mente.
Nem por um instante.

Vivaldo Terres 

MENTES GENIAIS

Como transpor a barreira de uma mente comum e chegar à uma inteligência privilegiada? Mentes Geniais é um livro da Editora Ponto Vital que busca o autoconhecimento por meio do aprendizado de vida de grandes mestres e filósofos da humanidade como Jesus, Buda, Gandhi, Sócrates, Da Vinci, Freud e tantos outros. O autor Lenilson Naveira e Silva já é falecido, mas a filha Rachel Gruenbaum resolveu publicar esta obra. E é com ela que a Editora Ponto Vital teve esta conversa:




Rachel, qual o sentimento de ter nas mãos o livro do seu pai?
Sentimento de missão cumprida e profunda emoção. Difícil não marear os olhos ao ver a quarta e última de suas obras finalmente concretizada. Papai investiu os últimos 5 anos de sua vida em longas leituras e pesquisas para este livro. Falava de suas descobertas com entusiasmo e todo seu esforço não poderia ter sido em vão. Ele faleceu com os óculos de grau em uma das mãos e o texto de um outro projeto de estudo, na outra mão. Sua vida era ler, estudar e dar palestras. Me senti na obrigação de fazer isso por ele para que seu espírito pudesse descansar em paz. Também é uma singela homenagem minha e de meus outros dois irmãos, da primogênita Esther e do caçula, que também leva o seu nome, Lenilson.
Acredita que o conteúdo vai enriquecer o conhecimento dos leitores?
Sem dúvida! O livro tem uma leitura fácil, mas ao mesmo tempo, é um texto que nos leva a uma profunda reflexão. Não só no âmbito de como potencializar os poderes da mente, mas, principalmente, de como enfrentar a vida e as dificuldades à luz do conhecimento dos grandes nomes da humanidade.
O que a obra traz de mensagem para as pessoas?
Acredito que MENTES GENIAIS traga, sobretudo, uma mensagem de esperança e de espiritualidade, no sentido mais lato sensu da palavra, sem se ater a esta ou aquela religião. É um livro que fala do processo criativo, do que os grandes mestres têm em comum, de como atingir todo o potencial da mente e de como esses mestres superaram as suas próprias dificuldades. Interessante descobrirmos os traços comuns a todos eles. Einstein, Mozart, Freud, Chico Xavier e outros. Todos eles têm uma história de infância sofrida, uma história de vida de superação, todos tiveram um mentor e principalmente, descobriram como acalmar a mente e como ouvir sua voz interior. A maioria ao som de música clássica e/ou através de momentos de isolamento e meditação. Ora, para quem está passando por dificuldades, dizer a esta pessoa que ela precisa apenas “acalmar a mente” e que tudo se resolverá, parece até deboche. Mas foi o que eu fiz, tentando seguir a orientação das mentes pesquisadas por meu pai. E posso assegurar, que uma vez conseguindo acalmar meu coração e minha mente, tudo à minha volta se transformou e o que parecia impossível, aconteceu.
Valeu a pena investir neste sonho? Por que?
Levei 6 anos para conseguir publicar esta obra. Houve neste processo inúmeras dificuldades. Porém nunca pensei em desistir. A perda súbita de meu pai trouxe muita dor e conflitos. Enfrentamos ainda problemas financeiros e de saúde na família. No entanto, ler e reler este livro me trouxe uma paz de espírito muito grande para enfrentar todas as dificuldades. Na primeira revisão, me ative ao texto. Na segunda, na mensagem de vida. E acho que foi aí que os céus se abriram e como que, em um passe de mágica, tudo começou a se resolver à minha volta. Na virada do ano de 2013, coloquei no papel minhas metas para 2014 que incluíam a publicação do livro e muitas outras coisas que naquele momento pareciam impossíveis. Mas os céus, o cosmos, ou como quiserem chamar, começaram a conspirar a meu favor. Um por um, os problemas foram sendo resolvidos, nem sempre por intervenção minha. Amigos se empenharam para me ajudar na publicação do livro. Muitas forças foram movidas para que chegássemos até aqui e tenho total consciência de que não o fiz sozinha. Hoje vejo que tudo tem uma hora certa para acontecer. Talvez, eu precisasse mesmo de 6 anos para estar pronta para entender toda a extensão dessa obra e só assim, ter permissão de editá-la por completo e publicá-la em nome do meu grande mestre, meu querido pai.

O livro Mentes Geniais está disponível no site: www.editorapontovital.com.br, ao preço de 15 reais.



vendredi 17 avril 2015

OFICINA: UM CONTO, MARIA E JOSÉ

Conto realizado a várias mãos no Grupo do Varal no Facebook



Para esta semana pensei em mini, micro contos. Mas todos baseados na mesma linha de enredo: Anita conheceu José. E aí? O que aconteceu? O que poderia ter acontecido? Quem são Anita e José? Onde estão? Como estão?
Máximo de linhas: dez. 
Não mudar os nomes dos personagens.
Não é para continuar o que um ou outro fazem, mas para fazer mini micro continhos independentes, ok?
Questões, dúvidas, falaremos separadamente!...

 O início

 Eram duas da tarde, a fome já tinha passado quando Anita avistou José. Sentiu de repente um outro tipo de fome. Sorriu para ele, fatal.
 Eram duas da tarde, a fome já tinha passado quando Anita avistou José. Sentiu de repente um outro tipo de fome. Sorriu para ele, fatal. Após ficarem um instante paralisados, um em frente ao outro, descobriram que estavam apaixonados. Foi amor a primeira vista, entende?! Ai, já era... Foram caminhando lado a lado, quando, de repente, Anita toma coragem e pega firme na mão de José e ele retribui a ação com um beijo forte e acalorado. Os dois não tinham noção do que estava acontecendo, era mais forte que eles. Um envolvimento incrivelmente emocionante. Quando se olharam, com falta de ar, de tanto ficarem se beijando, deram muitas risadas, sem saber para que direção seguir.
  A marquise era pequena e mal dava para proteger da chuva. De repente, Anita, toda encolhida de costas contra a parede da loja, percebe aquele vulto crescendo ao seu lado. A chuva aumentara de intensidade e a enxurrada desce pela calçada, lavando as ruas. João se recolhe sob a marquise e diz um Oi... Anita acolhe aquele Oi molhado e trêmulo. Por ela, por eles, as estrelas deixaram de cumprir seu périplo cotidiano.

 Anita conheceu José, num lindo jardim florido. Ele a convidou para um café, ela logo aceitou e botou fé, porque ele se mostrou muito querido. Ficaram apaixonados e decidiram caminhar lado a lado. Já não eram só amigos, eram namorados. Numa bela viagem a Paris, disseram um ao outro: Vou pra sempre te fazer feliz!
  
 Anita e José cresceram juntos, eram vizinhos na pequena cidade chamada Esperança. Nesta cidadezinha todos eram incentivados a acreditar num futuro melhor, num amanhã diferente do hoje.
Anita sonhava ser bailarina, dançar pelos palcos do mundo,
flutuar em sua ponta de vida levando o sorriso as faces mais duras...
José era violinista, tocava o pequeno instrumento de forma
autodidata, o violino havia sido de seu avô que também tocava.
E assim, José tocava em seu violino belas melodias nas quais
Anota bailava em sua ponta surrada, na terra batida dos sonhos numa pequena
cidade chamada Esperança...

  - Amor - fala carinhosamente Anita para José juntinho ao seu ouvido. - lembra aquela rosa vermelha que você me ofereceu quando eu estava sentada solitária e pensativa no banco da praça naquele frio inverno na serra de Martins? - ele sorrir ternamente confirmando a doce lembrança e responde. - Foi quando a vi pela primeira vez. Você estava tão terna e angelical. Uma delicada rosa enfeitando o jardim da natureza. Não resisti. Apaixonei-me perdidamente naquele instante inesquecível e disse para mim, eis a mulher da minha vida. Preciso conquistá-la. Só assim serei feliz. Peguei aquela rosa e ofertei-te. Foi o início do nosso grande amor.

  Será?
José amava Anita, que não amava ninguém... Ele se derretia
em gentilezas e escrevia melosas cartas de amor, que volta e meia eram devolvidas à sua caixa de correio. Mas não desistia. Decerto algum dia ela abriria os olhos e enxergaria que ali perto estava alguém cheio de amor para dar. Pobre José na sua ânsia de amor, não percebia os olhares lânguidos que Anita dirigia à sua irmã Marina. Será?...
 Ah!... O amor.

Ah!... O amor. Toda vez que José pensava nele chegava à exaustão sentimental. Isso acontecia sempre que ele se lembrava de Anita, o seu primeiro amor. Ela fora a moça que balançava o seu coração só de passar. Foi o arrepio na espinha, o faltar do fôlego só de ter de chegar perto dela. E agora, o que restou? Somente a doce lembrança do farfalhar da saia de Anita, cada vez que caminhava ao seu lado. A risadinha marota e o olhar... Ah! O olhar mais doce do que os docinhos da vovó Francisca.


Hoje em dia

O amor provoca sentimentos mais diversos possíveis. José sonhava com Anita e por ela nutria o mais profundo amor. Mas ela nem sequer percebia a sua existência, Sofrer por amor é uma sensação doída que atormenta e tira o sono. Ainda mais quando não se é correspondido. Por tudo isso José se resignou e tocou a sua vida de forma mais simples possível, ou seja: trabalho, casa - casa, trabalho. Foi então que ele conheceu alguém que correspondia totalmente as suas expectativas e foi correspondido. Não se passou muito tempo, Anita sentindo falta de todas aquelas atenções que José sempre lhe dispensava sentiu falta dele e resolveu recuperar o seu amor. Tarde demais. Como se diz hoje em dia: a fila anda!

  Anita conheceu José num grupo de recuperação da autoestima. Eles tentaram se entender. Ela gostava de ópera, ele de rock. Ela queria ver as estrelas, ele MMA. Ela tentou levá-lo numa exposição de quadros antigos, mas ele a arrastou para um pagode na Lapa. Ela queria assistir A CULPA É DAS ESTRELAS, mas ele a convenceu a ver SEXTA 13 parte 9.  Anita não queria desistir dele, então o chamou para tomar um chá em sua casa, ele chegou trazendo uma garrafa de aguardente. Os dois amanheceram estirados no chão da sala, de porre. Aquilo se tornou uma rotina. Até que meses depois eles passaram a frequentar os ALCOÓLICOS ANÔNIMOS.

 Anita e José estavam destinados a ficar juntos... Anita que sempre foi inquieta e sonhadora, queria algo mais do que viver e morrer numa cidadezinha isolada no sertão, lutou muito e se formou em psicologia, trabalhou dia e noite, passou privações e juntou dinheiro suficiente para realizar seu grande sonho: conhecer a Europa.José, sempre calmo, desanimado até, trabalhava numa empresa de informática e havia se esquecido de sonhar; todas as tardes ele se sentava numa praça bem no centro de Berlin com um livro nas mãos e deixava o tempo passar. O encontro dos dois já estava marcado, somente eles não sabiam...


  Anita chegou à festa sozinha, esperava encontrar amigos. O som estava muito bom, tocavam uma música lenta, e os casais na sala pareciam nem se mover. Anita olhou para os lados, por cima das cabeças e de repente avistou um par de olhos que pareciam grudados nela, tentou sorrir para quebrar o clima e nada. Sem saber como se viu entre dois braços dançando, entre duas mãos que acariciavam, uma boca que buscava a sua e dizia: - me chamo José e você? Ela respondeu: - Anita, e o som de sua voz quebrou a fantasia - estava só, nem havia saído do lugar.

 Anita rola a tela quase até o final. Quem sabe, vamos tentar... Esse tem o nariz muito grande... Hum, aqui... olhos azuis, parece interessante... um tanto vesgo, talvez... melhor não... Não gosto de testa grande, esquece... Nossa... agora sim, esse pode dar um bom caldo! Olha só que sorriso sedutor, meio moleque, beeem charmoso... Vejamos o perfil completo... José, nome tradicional, um tanto careta, combina com você não, viu tentação?! Será que está on-line... Perfeito!

Anita e José tiveram alta do Hospital Psiquiátrico. Ambos sofrem da mesma patologia: falta de amor. Anita, bipolar. José, empresário falido. Deu entrada no Hospital, depois de cometer uma tentativa de suicídio. Apaixonaram-se na terapia de desenho durante o internamento. Desenharam um para o outro. Desenharam-se um no outro. E o amor nasceu nas suas almas fragilizadas pelo Tempo. Estão agora, livres. De mãos dadas, caminham juntos em direção do Sol...


 Como de costume, Anita entrou numa livraria para comprar um livro. Ela percebeu que aqueles olhos de desejo e conquista por detrás das prateleiras novamente estavam lhe olhando. Assim que chegou em casa encontrou um bilhete dentro do livro, dizia assim: meu nome é José, passarei hoje à noite em sua casa para jantarmos juntos. Na hora que estavam jantando, Anita contou a José que entrava na livraria e comprava livros apenas para ser olhada por ele. A troca de olhares sobre a mesa da janta em poucos meses já estava no sim diante do altar.


Anita preparava um almoço em sua Pousada Parada dos lagos quando José (Zezinho) voou e se protegeu, batendo centenas de vezes por segundo suas asas, atrás de sua protetora de sempre, coisa de uns quase vinte anos seguidos. Era um "amiguinho" beija-flor que tinha medo de outro que não o deixava tomar a água colocada na varanda da pousada. Os hóspedes admiram este fato e fazem muitas fotos!!! Carlo Montanari
(Anita: leia-se Escritora Deucélia Maciel e a história é real!).


O sol escaldante do mês de dezembro era um convite a se dar um pulinho na praia, um mergulho no mar. As pessoas pareciam que disputavam um espaço na areia. Anita decidiu ir dar um mergulho, quando uma onde forte a derrubou. Ela perdeu a noção do espaço e começou a se debater. De repente, sentiu que alguém a segurava e retirava-a do mar nos braços. Foi quando ela olhou fixamente e percebeu que estava sendo conduzida por surfista. Ao colocá-la na areia, os olhos se cruzaram, ah e que olhar! Foi exatamente nessa hora, que o encanto aconteceu. A química rolou. José a convidou para tomar uma cervejinha. Conversaram, trocaram telefones. Tudo era mágico entre eles. O amor estava no ar. Era como se o encontro estivesse marcado naquele lugar. À noite, José parou o carro no portão da casa de Anita e lá estavam eles, prontos para viver um sonho.

 Anita saltou do carro e nem olhou para traz. Afinal, não era a primeira vez que Henrique fazia isso com ela. Estava já acostumada a seus desprezos, sempre que chegava fins de semana.
Apressou os passos e alcançou a portaria do prédio. Passou o final da tarde tentando distrair, mas a cabeça não conseguia deixar de pensar no ocorrido.
Henrique não se importou com a reação de Anita. Pisou no acelerador e saiu.
Era costume dele, chegar às sextas feiras, pegar Anita no curso de inglês, deixá-la em casa. No percurso, sempre arranjava um motivo qualquer para implicar e provocar uma briga. Anita, extremamente aborrecida, já vinha pensando em terminar o namoro. Isso estava se tornando rotina. Sempre às sextas feiras! Ele brigava e passava o fim de semana sem procurá-la. As ligações que ela fazia pra ele, sempre caíam na caixa de mensagem.
No domingo, cansada de estar em casa pensando na vida, resolveu ligar pra uma amiga e marcar para almoçarem em algum restaurante próximo a praia.
- Alô! Ju, tudo bem? Tem alguma coisa programada para hoje?
- Oie amiga! Você me ligando hoje? Aconteceu alguma coisa?
- Felizmente aconteceu. Estou pensando em irmos almoçar fora, que acha?
- Enfim, você abriu os olhos. Quantas vezes lhe chamei atenção sobre isso? Mas, vamos sim. Lá então conversaremos. Como vamos fazer? Tem ideia do lugar?
- Você sabe que estou sem carro. Daria pra você vir me pegar? Estive pensando naquele restaurante próximo a praia, o Sol Nascente, pode ser? Assim podíamos pegar um sol, dar um mergulho e conversar.
- Ok. Então passo aí por volta das 9.30. É só o tempo de me arrumar.
Anita estava feliz por ter tomado essa decisão, embora uma pontinha de tristeza pairasse no ar. Sentia falta de Henrique e não conseguia entender seu jeito de ser e os motivos que o faziam desaparecer nos fins de semana.
Assim, foram as duas. Ao chegarem, marcaram seus lugares no restaurante e foram tomar um pouco de sol. O dia estava lindo, completamente ensolarado. O céu estava tão azul que parecia saudar a presença tão inesperada das duas.
Foram ao mar e se banharam por algum tempo, brincando feito crianças.
Ao voltarem, ao se aproximarem do restaurante, notaram que havia um rapaz sentado à mesa. Elas se aproximaram e deram boa tarde; Afinal, já estava passando do meio dia.
O rapaz olhou as duas e respondeu cordialmente;
- Olá, boa tarde! Não precisam se assustar. Vi desde que vocês chegaram e alguma coisa me atraiu até aqui. Incomoda-se que fique com vocês? Deixe que me apresente;
- Sou José Rodrigues, engenheiro químico. E estendeu a mão.
- José, muito prazer! Disse Anita sorrindo.
- Muito prazer disse Ju, observando os olhares encantados de um, e do outro.
Naquele momento, Anita nem lembrava mais de Henrique. Estava tão encantada com José, com sua alegria, sua conversa. Notava-se que era uma pessoa de boa índole, bom caráter e inteligência.
O tempo passou e nenhum dos três se deu conta. Apenas notaram que devagarzinho o dia, cedia lugar à noite. O sol se deitava lindamente por detrás do mar. Uma paisagem fantástica, casando perfeitamente com tudo de maravilhoso que vinha acontecendo.
- Nossa! Ju, nem percebemos o tempo!...
- Eu até percebi, mas deixei que ele passasse. Afinal o papo entre vocês estava tão bom, que não tive coragem de interromper.
- Então temos que ir José. Foi muito bom conhecer você!
- Eu também gostei muito! Podemos dar uma saidinha logo mais? Poderemos pegar um cineminha, ou simplesmente, ir comer uma pizza.
Claro que sim. Anote meu telefone: 77 33337766
- Que tal umas 20 h? Está bom pra vocês?
- Oh! Eu não poderei ir. Tenho uma prova amanhã e ainda não estudei. Vai com ele você Anita.
- Ok então estamos combinados. Quando me ligar explico como chegar lá em casa.
Assim elas saíram radiantes. Anita super feliz porque sentiu que houve empatia entre eles. Ju, feliz porque só assim a amiga ia conseguir se afastar daquela relação sofrida, que vinha tendo com Henrique.

 .



Organização: Isabel Vargas

Faz um pacto comigo(os olhos da Medusa)

 

Para negra Valquíria
Ficamos nós dois mudos
Calados!
Inertes!
Depois da hora derradeira
Bem depois do amor
Quando as primeiras impressões
Dissiparem-se por completo
E não sobrar mais nada de mim
  E tu ter me esquecido por completo
***
Hei! Não chore assim
Faz um pacto de sangue comigo
De não nos amarmos mais
Quando o carrasco vier nos buscar
Quando o destino nos afastar
Completamente
E para todo o sempre!
***
Faz um pacto de silêncio comigo
Silenciamos o nosso amor clandestino
Para sempre!
Para que os deuses
Tenham piedade de nós
***
Hei! Luz da minha vida
Não sonhe mais comigo
Em horas impróprias
Não digas para mais ninguém
Que me amas furtivamente
Não digas para os outros
 Que ainda sonhas comigo
Em horas extremas
***
Foi eu que deixei
As cinzas das horas
Levar o meu platônico amor
Por ti
Minha divina Luna!
E o olhar da Medusa
Sepultou o meu profano amor
Pela Beltia imortal... Para todo o sempre



Samuel da Costa 

Dr. João Gandini hoje no Ponto & Vírgula - 20h - TV MAIS Ribeirão - Canal 22

            Olá, amigos!   Olha eu aqui com meu recadinho!
            Hoje, dia 17, às 20h, “Ponto & Vírgula” inédito na TV MAIS Ribeirão, Canal 22/Net ou pelo site http://www.tvmaisribeirao.com  no mesmo horário.
             
            1º. Bloco
            O Poeta de Ontem: Cruz e Souza - Poema: Inefável
            O Poeta de Hoje: Gleidston Dias - Poema:  Exclusão        

            2º. Bloco
            Entrevista com Dr. João Agnaldo Donizete Gandini, Juiz de Direito aposentado, Professor de Direito Processual Civil,  Escritor, Poeta e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras.
           
            Imperdível!

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 e acessem nosso site www.programapontoevirgula.com


Irene Coimbra 
Produtora e Editora - Programa e Revista Ponto & Vírgula

MULHERES PELA PAZ 2015 FRAUEN FÜR FRIEDEN





Em agosto de 2014 participei como Embaixadora da Paz, representando o Círculo Universal dos Embaixadores da Paz Franҫa-Suiҫa, na cidade de Augsburg, localizada no sul da Alemanha. Dentre as cidades alemãs, somente em Augsburg existe um feriado para celebrar a PAZ, comemorando-se neste ano 365 anos da Festa da Paz. Esta experiência inspirou-me no planejamento do evento Mulheres pela Paz 2015 Frauen für Frieden, resultando na segunda celebraҫão do dia internacional da mulher no espaҫo cultural Annahof.
Em 2015, as(os) autoras(es) e artistas, que juntaram-se a comunidade de Augsburg  para festejar as Mulheres pela Paz 2015 Frauen für Frieden, dedicam-se, em seu país de origem, a projetos sobre o tema PAZ. Foram elas: Barbara Jursic (Eslovênia), Elidia Kreutzer (Colômbia), Elizabeth Petz (Áustria), Gloria Jung (Panamá), Maria Julia Pascali (Brasil), Marcia Mar (Inglaterra), Fatima Nascimento (Alemanha), Sandra Santos (Alemanha) e o autor  Gunter Brasil (Alemanha).
Enviadas diretamente do coraҫão do Brasil, Pirenópolis, foram expostas as "Bandeiras do Divino" uma criaҫão da artista Marta Enizia de Oliveira Lobo e Maria Julia Pascali, a qual transformou-se na palhaҫa responsável pela recreaҫão infantil, Maricota Pirulita von Augsburg.
Os dois eventos realizados em Augsburg contaram com o apoio do Consulado Geral do Brasil em Munique, do Departamento de Meio Ambiente, Integração e Intercultura de Augsburg, da Casa de Todas Geraҫões e da Associaҫão de Trabalhadores Samaritanos. A associaҫão de mulheres Imbradiva, de Franfurt apoiou o buffet brasileiro servido pela MB Catering de Augsburg.
Agradecimentos especiais ao Varal do Brasil  e todas autoras e artistas que enviaram seus livros e suas obras de arte do Brasil. A energia da PAZ alegrou todos coraҫões presentes unidos pelas letras e cores.
Grata pela dedicaҫão incondicional de todos que participaram ativamente desse evento, uma verdadeira corrente pela PAZ envolvendo o Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Japão, Panamá e vários países da Europa.

A inspiraҫão de todos os flyers dos eventos em comemoraҫão às Mulheres pela Paz, foi enviada pela artista plástica e escritora brasileira Lionizia Goyá.

jeudi 16 avril 2015

Amigos animais

Uma oficina realizada pelo Grupo do Varal do Brasil no Facebook

Calapsita, a sucessora
Lúcia Laborda
Já tive um filhote de pastor belga, nascido em casa. Com problemas nas patinhas traseiras não conseguia andar, se arrastava. Ele era tão amoroso, que enquanto eu cozinhava, ficava deitado aos meus pés. Mas não sobreviveu e por isso eu chorei muito. Ainda hoje, quando lembro tenho vontade de chorar. Mas, em compensação, Deus colocou em minha vida, sem que eu quisesse, uma calopsita, que além de cantar e falar, quando passo fica gritando "mainha, mainha", porque aprendeu com meus filhos. O mais engraçado é que ela me conhece mesmo. 

O louro de minha casa
Raimundo Cândido
O louro de minha casa não vivia no seu poleiro, tal peça de bibelô, como queria minha irmã mais velha. Ao contrário, comportava-se como alguém da família. Exigia comida tão logo ouvia barulho nas panelas, arremedava os meninos chorões e ainda achava graça, em desbragado deleite, de qualquer situação que lhe parecesse um gracejo. Sempre achei que os seus dotes de malabaristas lhe sairiam caros, pois todo dia descia na corda do cacimbão para matar a rara sede. Um dia, algum desprevenido deixou a corda solta... Hoje, em todo poço profundo, ouço as gargalhadas do velho louro, metido à trapezista!






Amor de poodle
Isabel Vargas
Quando solteira tive em casa dois gatos. Foi o máximo que consegui. Apeguei-me a eles e lembro-me de chorar, quando um caiu de uma altura considerável e não conseguia caminhar. Meu marido e eu tivemos um cão pastor alemão, que teve de ficar com os pais dele, porque fomos morar em apartamento. Depois do nascimento dos filhos, ainda tentamos ter cachorros de pequeno porte, mas não tivemos sorte. Nossos filhos sempre nos pediam com a maior insistência, para ter cães em casa. Obviamente, não podíamos atendê-los, pois quatro filhos e cães em apartamento, com ambos trabalhando era algo impossível de manter. O máximo que conseguimos, para atenuar a frustração deles, foi ter pássaros e peixes. Para sorte deles, no verão, na casa de praia, sempre aparecia algum cão, que por ser bem tratado, alimentado, acabava ficando durante o tempo que lá permanecíamos. Por duas vezes, gatas deram cria em nossa garagem, para felicidade deles, que depois se encarregavam dos filhotes, seu cuidado e sua distribuição. Mas, o tempo passou, eles cresceram, nós nos aposentamos e por inúmeros motivos, resolvemos comprar um poodle para nossa neta, achando que iria ser bom, por uma série de circunstâncias. Não podia imaginar, passado um ano, que ele iria nos ensinar tantas coisas. Dá trabalho e gastos, é claro. Banho, vacina, tosa veterinário, até radiografia, por ocasião das peripécias que aprontou, mas, ele, o irracional, nos dá demonstração diária de alegria, companheirismo, carinho, apego, fidelidade, cuidado e amor incrível. Ele reconhece cada membro da família, mesmo os que não moram no mesmo local e cada um que chega, é uma festa. Ele deixa o que está fazendo para ir recebê-los, assim como a nós, quando chegamos em casa. Demonstra toda sua alegria, pelo retorno. Embora pequeno, serve como um grande cão de guarda, dando sinal a cada movimento diferente do habitual. É obediente, companheiro, estando sempre ao nosso lado, quer ganhe um afago, um carinho ou não. Se estamos tristes e não queremos brincadeiras, ele igualmente permanece quieto, ao nosso lado, como quem diz:- Estou aqui. Neste exato momento, parece que sabe que estou escrevendo a seu respeito, pois saltou de meus pés, para o meu colo. Se apronta qualquer coisa e ralhamos com ele, baixa a cabeça, fica quieto e sem rancor ou raiva, logo vem pedir carinho. Vi há poucos meses uma propaganda que ressaltava as qualidades do cão, dizendo que nós, os humanos racionais, tínhamos muito a aprender com ele. É verdade, principalmente o seu amor incondicional que é o mais importante, sem cobranças.

Livros infanto-juvenis
Dulce Rodrigues
As aventuras com os meus animais de estimação estão contadas nos meus livros infanto-juvenis, falta somente a da Fifi (a gatinha que adoptei vai para um ano), mas ainda não vai ser em breve.







Paris Greap e eu
Rosana Freitas
Paris Greap é o nome de minha Lhasa apso. Um dos sentimentos mais profundos que senti foi quando viajei e a deixei aos cuidados de uma amiga. Ao retornar ela não estava à minha espera e minha amiga disse que ela tinha sumido... Chovia, fazia frio e meu coração se rasgou em desespero sem saber se ela estava viva ou morta. Lembrei que ela morria de medo de altura, tinha asma...  Mas me entendia como ninguém.
Durante uma semana senti o inferno na terra e jamais achei que passaria por esse turbilhão de sentimentos. Até telefonema de pedido de resgate eu recebi. À noite, eu andava pelas praias desertas de minha cidade, gritando pelo nome dela e orando a Deus que tivesse misericórdia. O que mais doía era não saber se ela estava viva ou morta.
Boatos correram pela cidade de que Paris estava sendo mantida presa para procriação e sendo induzida a entrar no cio através da introdução de objetos estranhos em suas áreas intimas. Nunca imaginei, nem em meus mais profundos pesadelos que isso existisse. Ninguém pode fazer ideia de como fiquei... Eu não comia, nem dormia.
Mas Deus, em sua infinita misericórdia, uma semana depois, enviou um anjo em forma de ser humano. Anjo que, por ver meu apelo na internet, acabou me ligando à uma hora da manhã para dizer que estava com a minha cachorra. Essa pessoa explicou que na mesma noite do desaparecimento, Paris entrou em sua casa e ela a acolheu com cuidados. Mas como não sabia a quem pertencia e não usava o computador com frequência, não pôde devolver. E então numa noite, antes de dormir, resolveu conferir o facebook e assim que abriu viu meu apelo. Eu postava mais de vinte pedidos por dia. E por isso, ela me ligou de madrugada. Nesse momento eu chorava e agradecia a Deus ao mesmo tempo.  E assim Paris Greap foi devolvida.
Hoje ela anda comigo onde quer que eu vá... Só Deus para cuidar do que é nosso!



Iris, a gatinha companheira
Maria Nilza Campos Lepre
Durante toda minha vida, sempre tive um dois ou mais cachorros em minha casa, mas, sofro muito quando morrem por doença ou por velhice. Os animais caseiros vivem muito pouco em relação a seus donos e a cada perda o sofrimento é muito grande. Sofro como se um membro da família houvesse nos deixado...
Estávamos em São Paulo, minha neta, acabara de fazer uma defesa de tese na faculdade Anhembi. Como estávamos próximos a um Shopping Center, filha e neta resolveram fazer algumas compras e almoçar por ali mesmo. Eu ainda não me encontrava muito bem de saúde, tinha sofrido uma embolia pulmonar e preferi ficar sentada na praça de alimentação enquanto elas saíram às compras. Meu neto, filho de outra filha, que nos acompanhava nesta ocasião, resolveu ficar comigo, deu como desculpa o fato de que não queria gastar, mas acredito que não quis em verdade me deixar sozinha.
Passado algum tempo, as duas retornaram com um brilho diferente em suas fisionomias. Tinham o ar de quem acaba de fazer uma traquinagem e vinham carregando uma maleta. Ao chegarem perto, pude perceber que era uma destas casinhas de transporte de animais. Sentaram-se ao meu lado, e colocaram a dita cuja sobre a mesa.
Olhei melhor e pude divisar bem no fundo a carinha de uma gata. Devia ter poucos meses de vida e se encontrava muito assustada, acomodara-se bem no fundo e mais parecia uma bolinha de pelos brancos, cinzas e com alguns tufos castanhos. No meio de tudo isso, dois olhinhos cor de mel, arregalados e brilhantes, encaravam-me como se estivessem a pedir socorro. Esse animalzinho, imediatamente tomou conta do meu coração. Minha filha retirou-a de onde se encontrava e a colocou em minhas mãos, era tão pequena que se acomodou direitinho nelas. Foi se ajeitando e acabou dormindo em meus braços. Estava com pena de colocar o bichinho de volta na casinha, mas acabei tendo que fazer isto, pois a refeição acabava de chegar.
Depois do almoço, as duas que estavam novamente com aquele ar maroto nos olhos, entregaram a maleta para mim e disseram: - Cuide bem dela, é um presente nosso para você. Meu coração quase parou de funcionar, tanta foi a emoção que senti.  Mas ao mesmo tempo em que me sentia feliz, batia a insegurança. Comecei a recordar as perdas anteriores e, pensando nisso, tentei rejeitar. Argumentei que nunca havia cuidado de gatos. Mas, as duas foram taxativas: - Não aceitamos desculpas, presente não se recusa.  
O nome que constava no pedigree era “Cris”, mas minha neta disse que ela tinha carinha de “Iris”, e assim passei a chamá-la. Atualmente é a minha companheira constante, tanto nas horas boas quanto nas más. Parece um cachorrinho. Onde estou, é só olhar ao redor que a encontro. Quando saio para algum passeio ou compromisso, ao regressar é sempre ela que esta à minha espera atrás da porta. Toda a noite, ela dorme no travesseiro que se encontra vago, desde a morte de meu amado. Hoje não saberia mais viver sem minha amiguinha. Que Deus a conserve por muitos anos, não quero ter de chorar por mais uma perda.
E esta é a história da minha gatinha Iris, um dos grandes amores de minha vida.

Um canto no meio da noite
Marilu R F Queiroz
Morávamos num apartamento lá pelos lados da Bela Vista. Meu sogro me deu um canário belga, ao qual batizei de Ricardinho. Era lindo, parecia que estava de casaco, pois sua cabeça e costas alaranjadas envolviam um peito branco que apresentava bem no meio uma faixa vertical na cor laranja, que mais parecia uma gravata. No pezinho direito, um anel indicava a sua procedência e lhe dava um ar majestoso, sempre muito esperto. Mas vivia solitário, pois era um pássaro criado em cativeiro. Nós morríamos de dó dele, por estar preso em uma gaiola e porque só o víamos à noite, por causa do trabalho e faculdade. Quando chegávamos por volta da meia noite o bichinho cantava tão alto, que fomos obrigados a devolvê-lo, pois os vizinhos começaram a reclamar e com razão.
Já imaginou no silêncio da noite um pássaro cantor?
Prrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr...Titititititititi...





Saudades do Tom
Ly Sabas
Cresci cercada por cachorros, galinhas, papagaio, mico (isso ainda não era politicamente incorreto), mas quando casei demorei muito a ter um bichinho em minha casa. Minhas filhas já estavam grandinhas, quando gatos resolveram que nosso quintal era o local perfeito para passarem uns dias e foram ficando.
E vieram os filhos, e os filhos dos filhos e cuidar de arranjar lar de adoção a gatinhos era tarefa complicada. Um dia resolvemos que deveríamos ter apenas um macho, acreditando que não teríamos problemas com um monte de filhotes.
Porém, não tivemos o cuidado de castrá-lo e Tom, que era um gato muito consciente de seus deveres, virava, mexia e aparecia com uma namorada grávida para parir em nossa garagem.
 E a história se repetia a cada seis meses, até que nos mudamos para Belém, capital do Pará, e o levamos em sua primeira viagem de avião. Lá, no apartamento, sem todo o espaço a que estava acostumado, nosso amiguinho aguentou pouco tempo. Deve ter ouvido falar no “Ver o Peso” e resolvido que merecia conhecer o famoso mercado.
Saiu, belo e fagueiro, enfeitado com suas listras cinza de tigre brasileiro e nunca mais nos deu o ar de sua graça.

Balú
Neyde Bohon
O cão amigo do homem
quase que racional
amigo e sincero
Seja vira-lata ou cão de raça
Cão de cego, pastor ou caçador
Quando brinca é quase uma criança.
Amigo no trabalho ou no lazer
Somente a morte encerra sua Fidelidade
Assim foi com a nossa Balú.

Galileu e Laika
Gladis Deble
Quando mudei de um apartamento para uma casa, ganhei um cão vira-lata de pelo amarelo e boca preta que recebeu o nome de Galileu. Ele adorava fugir para a rua. Em casa era amigo de todos e até buscava os jornais no portão, mas especializou-se em atacar bicicletas e motos. Um dia meu neto Huguinho surgiu com uma cachorra numa caixa. Ela era indisciplinada, cresceu rápido, ficou enorme e atacava as galinhas da vizinha. Passei muita vergonha com as estrepolias deles.
Nessa época meu marido adoeceu e eu trabalhava em outro município, pegava o ônibus às seis horas e tinha medo de sair para a rua sozinha, então acordava o Galileu para me acompanhar até o ponto. Ele demorava a acordar e a entender o que eu queria. Depois saía disposto e alegre. Na pracinha juntava-se a outros cães e a cada cruzamento ia se dispersando. Mas esperava-me embarcar e só então voltava. Lembro-me que em duas semanas ficou bem treinado. Quando sumiu por alguns dias, tive que acordar a Laika para me levar. Ela ia bem junto de mim, não se afastava nunca. Numa manhã, lá no ponto, uma moça que ia para Aceguá, falou: “É falta de responsabilidade deixar cachorros soltos na rua. Esses animais são muito bagunceiros. Eu sei que são seus, pois no seu dia de folga eles não vêm.” O ônibus chegou e eu não disse nada, não quis expor meus problemas para uma estranha.
O melhor disso tudo levarei na memória: o olhar amoroso e de compromisso que os dois tinham para comigo. Lembro-me que já no ônibus, eu olhava pela janela e lá fora via o focinho escuro e um par de olhos brilhantes e atentos que tornavam a minha vida possível.
Hoje, quando um dia frio remete a imenso vazio e algo ou alguém entristece meu viver, recordo aquela esquina e os cães na geada que cuidavam de mim.

Pela vida, pelos bichos
Ana Rosa Santana
Sempre vivi acompanhada de animais, herdei de meu avô essa paixão e quando penso nos amigos animais, automaticamente a imagem dele me vem à mente: um homem simples e sempre cercado de bichos, que não permitia (para desespero de minha avó) que matassem nem ratos na presença dele.
Ele dizia que nós é que éramos os culpados pelos animais se transformarem em prejudiciais à saúde, pois se os humanos cuidassem melhor do ambiente, esses bichinhos não portariam nem transmitiriam doenças.
Cresci com pavor de ver ou praticar qualquer tipo de maus-tratos a animais. Criei gatos e cães lindos. Hoje tenho dois gatos: a GG e a Sleep e um canário de onze anos chamado Tipe, que vi nascer e que possui muita energia. Não sei se seria a pessoa feliz e calma que sou se não fossem esses meus amigos; e meu avô, que me ensinou a amar e respeitar a vida acima de tudo.

Tartaruga de Chocolate
Sandra Nascimento
Certa vez atendi de pronto a um pedido do meu filho: “Mãe, compra uma tartaruguinha pra mim?” Sou contra comprar animais silvestres ou outro qualquer, mas era época em que andava meio desolada e triste, meu pai havia falecido. E sem pensar direito, para não desprestigiar nenhum dos filhos comprei logo duas. Uma pra cada um. Disseram-me ser de aquário, mas qual... Elas cresceram e acabamos por ter de arrumar uma piscina com ambiente próprio às duas.
Naquele tempo, a venda de tartarugas originárias de outros países ainda não estava proibida no Brasil, e pesquisando acabei descobrindo que elas eram provenientes do Sul dos Estados Unidos - provavelmente do rio Mississippi ou Alabama. Mas muita gente adquiriu esses bichinhos e meses depois os descartaram por terem crescido demais. Sei disso, porque ainda é possível ver muitas da espécie sobre pedras de córregos e lagoas. Confesso que não tive coragem de me desfazer das minhas, eram cativantes e cheias de charme. Viviam se lagarteando ao sol e se esticando na sombra. Alimentação: ração de cachorro ou carne crua. Seus nomes, respectivamente Verdinha e Estrelinha, batizadas que foram pelas crianças.
Ano passado morreu a menor, porque estranhou uma frente fria. Pobre Estrelinha, já estava adaptada ao nosso calor. Nesse dia, soubemos pelo veterinário que era um menino e muito provavelmente o marido de Verdinha. Agora, a piscina e sua largueza ficaram exclusivamente para a viuvinha que até parece alegre... Gosta da solidão e anda renascida por todos os cantos.

Entretanto, voltando ao começo, tem um detalhe que devo contar. Duas semanas depois de adquirirmos as tartarugas, meu menino – então com quatro anos –, falou: “Eu gostei, mamãe, mas não pedi dessas, a tartaruguinha que eu queria é de chocolate.” 

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